Índice de infestação do mosquito da dengue cai para 0,90%

Índice é abaixo do preconizado pelo Ministério da Saúde; nos meses de janeiro e fevereiro deste ano o índice era de 6%, caracterizado como situação de risco
A Secretaria Municipal de Saúde divulgou hoje (18) os números do Levantamento do Índice Rápido do Aedes Aegypti (LIRAa) e as novas ações de combate ao mosquito. O resultado foi extremamente positivo: o índice caiu para 0,90%, percentual abaixo do preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 1%. Estiveram presentes na reunião o prefeito Barbosa Neto, a secretária de Saúde, Ana Olympia Dornellas, a diretora de Epidemiologia da Secretaria de Saúde, Sandra Caldeira, o coordenador de Endemias, Élson Belisário, e os agentes de endemias do município.
A coleta dos dados foi realizada durante a semana passada por agentes de endemias que visitaram 8.393 imóveis em todas as regiões da cidade, coletando amostras e verificando a infestação da doença no município. Do total de imóveis visitados, 74 apresentaram o Aedes. Destes, 62 foram em áreas construídas (comércio e residência) e 12 em terrenos baldios. Nos locais encontrados, a predominância são em materiais recicláveis (lixo) com 43,9% e segundo lugar os vasos de planta com 29,3%.
De acordo com a tabela do LIRAa, de 0 a 1% é um índice satisfatório de infestação. De 1 a 3,9% estado de alerta. E acima de 3,9% caracteriza como situação de risco. Em janeiro e fevereiro, deste ano, Londrina apresentava índice de 6%, ou seja, bastante acima do caracterizado como situação de risco, e hoje, apresenta índice de 0,9%, que é abaixo do preconizado pelo Ministério da Saúde.
Comparando os dados divulgados pelo LIRAa dos índices de infestação por região, com os de fevereiro deste ano, tem-se: região central, antes apresentava índice de 5,49% e passou para 0,69%, a sul registrou índice em fevereiro de 6,39% e caiu para 0,72%, a região leste tinha índice de 6,02% e passou para 0,90%, a região norte apresentava índice de infestação de 3,83% e caiu para 0,93%, e por fim, a região oeste, que aparece em primeiro lugar, registrava índice de 2,52% e agora 1,12%.
Mesmo dividida em regiões, Londrina não apresenta nenhuma área com índice acima de 3,9%, ou seja, em situação de risco. A maioria da cidade está com índice recomendado pelo Ministério. Algumas regiões ainda estão em estado de alerta, como: João Paz, Mister Thomas, Bandeirantes, União da Vitória, Centro Social Urbano (CSU), Tókio, Maria Cecília, entre outras.
Um comparativo da dengue nos meses de abril de anos anteriores revela que em 2006 o município apresentava índice de infestação de 1,94%, em 2007 de 1,1%, em 2008 de 0,9%, em 2009 de 1,4%, no ano passado de 1,8%, e este ano, reduziu-se à metade do ano anterior, totalizando 0,9%.
No período de 10 de fevereiro até 25 de março, a força tarefa, que envolveu a Vigilância Sanitária, CMTU, Secretaria do Ambiente, Ministério da Saúde, Estado e a Defesa Civil, entidades da sociedade, onde foi retirado 1.250 toneladas de lixo do município. Na região leste, foram retirados 145 caminhões de lixo, na sul 109, no centro 48, na oeste 29 e na norte 26.
O prefeito Barbosa Neto parabenizou e agradeceu todos os agentes de endemias. “Vocês são os responsáveis pela redução desses índices. São verdadeiros heróis”, elogio o prefeito. Barbosa Neto agradeceu também outros setores que ajudaram na redução do índice de infestação do mosquito da dengue. “Ao governo do Estado, ao governo Federal, à imprensa que fez um trabalho educativo sensacional, às escolas, aos alunos e à toda comunidade que se mobilizou”, completou.
O prefeito ressaltou que apesar do resultado positivo, o trabalho continua. “Vamos continuar investindo como nunca foi. Temos ainda um déficit de 37 agentes de endemias em Londrina, hoje temos 193 trabalhando, o número ideal seria 230. Vamos continuar buscando esses profissionais”, garantiu Barbosa Neto. Ele falou também sobre a proposta de tornar algumas unidades de saúde do município referência permanente no combate ao mosquito.
A secretária de Saúde, Ana Olympia Dornellas, ressaltou que a epidemia foi combatida, mas que o trabalho de controle continua. A diretora de Epidemiologia da Secretaria de Saúde, Sandra Caldeira, disse que os números divulgados são reflexos das ações desenvolvidas com tanto trabalho, como os mutirões e a formação de parcerias com diversas instituições.
O coordenador de Endemias, Élson Belisário, reafirmou a importância do LIRAa como parâmetro para o desenvolvimento de novas ações de combate ao mosquito. “Fizemos um trabalho bastante gratificante para o município. É um número bem mais tranqüilo em relação a janeiro e fevereiro deste ano, mas o trabalho continua”, garantiu. O coordenador também agradeceu ao envolvimento e empenho da população.
Após a divulgação do LIRAa, algumas ações já foram traçadas. Foi o que mostrou o coordenador de Endemias, Élson Belisário, durante a reunião. Entre elas: reunião com o comando técnico do setor, avaliar resultados e depósitos predominantes de cada região, mobilização comunitária, busca de parcerias, priorizar casos suspeitos, reforçar as atividades de campo, mutirões educativos, mapear todos os pontos com foco e fazer uma delimitação da área e, principalmente, parcerias com corretores imobiliários.
Visita à Brasília
Na semana passada, o prefeito Barbosa Neto e a secretária de Saúde, Ana Olympia Dornellas, estiveram em Brasília com o coordenador do Programa de Nacional de Controle da Dengue do Ministério da Saúde, Giovanini Coelho. “O doutor Giovanini vendo os números de Londrina principalmente com relação a mortes, parabenizou o trabalho desenvolvido por todos aqueles que participaram das ações de combate a dengue”, disse Barbosa Neto.
O prefeito completou falando que, por isso, o Ministério da Saúde, espera um trabalho do município para a mostra de experiências exitosas, que será realizada em outubro, deste ano. “Para que esse conhecimento possa ser passado para outras cidades do Brasil que enfrentam epidemia de dengue”, destacou.
Novos números da dengue
A Secretaria de Saúde também atualizou os números da dengue. O boletim corresponde aos dados coletados até a última quinta-feira (15) e apresenta um aumento em relação ao levantamento divulgado na semana passada. A cidade com 4.740 casos confirmados, 10.663 notificações e 2.362 situações descartadas.
A região leste continua com a maior incidência, com 1.910 pessoas contaminadas, seguido da região norte (816), oeste (695), sul (688) e centro (599), além da zona rural, com 32 casos.
A diretora de Epidemiologia da Secretaria de Saúde, Sandra Caldeira, disse que até o momento a cidade contabiliza dois óbitos por complicação de dengue, e um em andamento. “Estamos aguardamos o resultado, provavelmente vamos divulgar na próxima segunda-feira”, revelou a secretária.
“Nós temos diminuído bastante o número de casos graves, que precisam de internação. Nós contamos, hoje, com 25 casos graves, sendo 12 dengue com complicação e 13 febre hemorrágica da dengue”, informou Sandra Caldeira.
Fotos:Luis Jacobs.




