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Prefeitura inicia recuperação de erosão e galerias pluviais do Córrego Água Fresca

Cerca de R$5 milhões serão investidos para restaurar o sistema de captação e escoamento de água na rua Raja Gabaglia e outras; intenção é prevenir futuras inundações e alagamentos

Um antigo problema de erosão e enxurradas, com cerca de 15 anos de espera pela comunidade, começa a ser solucionado pela Prefeitura de Londrina na zona oeste da cidade. A área de fundo de vale do Córrego Água Fresca, no Jardim Los Angeles, recebe os primeiros serviços das obras de restauração, ampliação e modernização do sistema de drenagem entre as ruas Raja Gabaglia, Pedro Couto, José Oiticica, Jonatas Serrano e outras, no Jardim Los Angeles. Os trabalhos da Prefeitura no local tiveram início nesta segunda-feira (4) com equipes já atuando no local para preparar as ações preliminares. O prefeito Tiago Amaral fez uma visita a este ponto junto com o secretário municipal de Obras e Pavimentação, Otávio Gomes, e representantes da Defesa Civil do Paraná.

O investimento total é de R$4,9 milhões, com recursos provenientes do Fundo Estadual para Calamidade Pública (Fecap), por meio da Defesa Civil do Estado do Paraná. Responsável pela execução, a empresa Contersolo Construtora terá prazo de 180 dias para concluir as intervenções.

Foto: Emerson Dias / N.Com

Com esta realização, o Município revitalizará todo o ramal subterrâneo existente nessa área que vem sendo afetada há vários anos por alagamentos, erosões e desmoronamento de calçada e faixa de rolamento da pista da rua Raja Gabaglia, gerando insegurança e riscos à população. As galerias pluviais, atualmente sob colapso parcial, terão novas tubulações e elementos, e haverá o remanejamento do ponto de descarga no interior do fundo de vale, por onde correm as águas do córrego. Os poços de queda visam reduzir a pressão e velocidade da água que desce até a área hoje erodida.

O pacote de melhorias abrange serviços preliminares, demolições, movimentação de terra, implantação de redes de drenagem superficial e subterrânea, estabilização de margens e o desassoreamento do canal, além da destinação adequada dos resíduos. As obras são consideradas de grande porte e complexas para esse segmento. O projeto de ampliação prevê 1.291 metros em execução de tubulações de concreto, abarcando também outras estruturas de captação: 13 bocas de leão simples, 17 bocas de leão duplas e 23 bocas de leão triplas, além de poços de visita e poços de queda novos.

De acordo com a Secretaria Municipal de Obras e Pavimentação (SMOP), que elaborou o projeto e fiscalizará os serviços, nessa primeira etapa não há a necessidade de bloqueios importantes de trânsito nas ruas de entorno, uma vez que os trabalhos iniciam a partir da área interna e mais baixa do fundo de vale, onde há a erosão a ser recuperada. Posteriormente, conforme o avanço das atividades para as vias, interdições pontuais ocorrerão na região, alinhadas com a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e divulgadas com antecedência ao público.

Foto: Emerson Dias / N.Com

O prefeito Tiago Amaral circulou pelo local, conversou com moradores do entorno e pessoas que utilizam essa área. Ele frisou que as intervenções vêm para solucionar um problema grave e crescente, principalmente ao longo dos últimos 15 anos. “É uma erosão muito impactante e que choca, os estragos começaram lá atrás como pequenas fissuras não tratadas e que tomaram grande proporção pelas séries de chuvas e temporais em tantos anos. Se não fizéssemos essas obras, a rua toda aqui poderia ser engolida, seria esse o triste caminho, com riscos altos de uma tragédia, um veículo ou pessoas caindo, residências sendo mais afetadas. A preocupação era grande, um desafio para nós até mesmo por conta da questão financeira. Felizmente, conseguimos pelo Fundo Estadual da Defesa Civil viabilizar o custeio, sendo a primeira obra atendida por esse mecanismo estadual. Colocamos como prioridade e agora a solução está vindo. Tudo será feito com muito empenho”, afirmou.

Foto: Emerson Dias / N.Com

O secretário municipal de Obras e Pavimentação, Otávio Gomes, destacou que será criado um novo emissário de galerias pluviais em todo o entorno do fundo de vale, envolvendo restauração e ampliação de dispositivos subterrâneos em diferentes vias. “As águas das chuvas nessa área descem de vários pontos, desde a avenida Maringá, da rua João XXIII e outras dos bairros próximos, além da avenida JK mais acima. A intensidade da vazão é gigante, em períodos de pico chega a 36 mil litros de água por segundo. A água não pede licença, com o passar do tempo vai abrindo caminhos por onde dá. São fenômenos que acontecem cada vez com mais frequência e precisamos ter sistemas de drenagem preparados para captar essas águas e evitar os estragos. Esta obra é de imensa importância e vai melhorar muito a qualidade de infraestrutura, trazendo mais segurança a todos”, observou.

A nascente do Córrego Água Fresca, reforçou Gomes, é o primeiro local de captação de águas pluviais de Londrina. “Trata-se de um ponto histórico e cujas águas vão até o Lago Igapó, influenciando em seu assoreamento. Com o sistema novo teremos poços de visita com capacidade de conter a forte vazão e evitar alagamentos, formação de erosões e desmoronamentos até o fundo de vale. Paralelamente a isso, também estamos viabilizando junto à Sanepar a verificação de esgotos clandestinos que possam existir nesses ramais de galerias pluviais com resíduos fluindo irregularmente. É um problema enorme quando há emissão de esgoto nas galerias pluviais, bem como quando as águas pluviais atingem a rede de esgoto. A Sanepar tem sido muito receptiva nessas demandas, estamos identificando os pontos para aguardar as devidas resoluções”, acrescentou.

Casal Lídia e Roberto Kanashiro moram na região há mais de 40 anos. Foto: Emerson Dias / N.Com

Alívio e boas perspectivas – Morador da rua Raja Gabaglia há 42 anos, com residência bem próxima ao ponto que desmoronou para o fundo de vale, Roberto Kanashiro esteve no local acompanhando a visita da equipe da Prefeitura. Para ele, foi dia de celebrar e valorizar o começo da construção de uma nova realidade. “Temos uma cratera gigante e perigosa aqui, o escoamento de água não dá conta faz quase 20 anos e a coisa só foi piorando. Uma parte desmoronou, os estragos ficaram muito grandes e evidentes. Tivemos alagamentos profundos, casas invadidas, principalmente depois de 2016. Toda chuva forte aqui sempre deu problema, o nível da água subia e virava um rio isso, tomando a rua todinha. Temos um problema crônico e a intervenção precisa tratar da drenagem de todo o entorno. Esperamos que as obras solucionem finalmente essa situação. São muitos fundos de vale precisando de melhorias em Londrina, e aqui já estava bem urgente”, relatou.

Foto: Emerson Dias / N.Com

Fundo Estadual para Calamidades – O chefe do 3° Núcleo de Atuação Regional da Defesa Civil do Paraná, Capitão Tiago Justino, também esteve presente hoje no local, representando o órgão que repassou o recurso à Prefeitura de Londrina para as obras.

“O Fundo Estadual para Calamidades Públicas é de 2023, e atendia só casos de resposta e recuperação emergencial, mas a lei foi atualizada em 2025, abarcando também obras de prevenção, via licitação, que é o caso aqui do Córrego Água Fresca. A intenção é evitar o avanço de desmoronamentos e resolver a questão das enxurradas que afetam o local. A Defesa Civil faz o contato com os municípios, orientando-os sobre o mapeamento de áreas de risco para análise de procedimentos a serem viabilizados com dinheiro do Fundo. Ajudamos com a parte de documentação e memoriais, as prefeituras solicitam recurso e estes projetos são estudados pelos engenheiros da Defesa Civil em Curitiba, podendo se converter em obras custeadas pelo Estado. Hoje existem cerca de 1.700 áreas de atenção listadas no Paraná, de pontos que colocam a população em risco, e precisamos mitigar esses impactos”, disse.

Maria Eduarda e Pedro Henrique Cazella. Foto: Emerson Dias / N.Com

Valorização do vale – Integrantes do grupo londrinense de escoteiros Verde Vale Paraná, que frequenta o vale do Córrego Água Fresca há décadas, expressaram entusiasmo ao ver o começo das atividades da Prefeitura para melhorar o local. O garoto Pedro Henrique Cazella, de apenas 11 anos, participa desde 2022 das atividades do grupo, que recebe crianças desde o 6 anos e conta com pessoas de variadas faixas etárias. “Vai ser muito bom ter a recuperação nessa parte do vale, precisamos da natureza e da cidade bem cuidadas. O que acho mais divertido no grupo são as instruções e interações, a parte das amarras e dos nós eu gosto bastante, e também das ações de plantio e outras atividades coletivas”, dividiu.

Foto: Emerson Dias / N.Com

Sua irmã, Maria Eduarda, 19, também mostrou ânimo ao falar das melhorias, contando que começou a frequentar as ações deste grupo em 2017. “O vale aqui é um lugar do qual gostamos muito e onde fazemos atividades regularmente. Já tive a oportunidade de colaborar com a adaptação e aprendizado de outros escoteiros menores, sendo uma parte que acho legal, que é dividir o que aprendi durante os anos e ganhar novos amigos. De forma geral, curto as ações de aventura do grupo, de rapel, tirolesa e acampamentos”, citou.

Um dos responsáveis pela Equipe de Formação do grupo Verde Vale, Maurício Ribas Guimarães, integrante desde 1994, também vibrou. “Esse local foi muito utilizado por diferentes grupos de escoteiros da cidade, e por nós há muito tempo. O Verde Vale existe desde meados dos anos 70 e gerações já se formaram em Londrina. A manutenção do fundo de vale é importante e a obra será de grande valia. Nós fazemos nosso papel ajudando a limpar e cuidar do vale, dentro do possível, também com plantio e reflorestamento, mas esse ponto deteriorado carecia de atenção há muito tempo. Esse espaço ficará bem mais seguro e acessível, podendo ser usufruído por todos nós e sem causar riscos”, pontuou.

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