Estádio do Café chega aos 50 anos como patrimônio esportivo de Londrina
Com capacidade máxima atual de 30 mil pessoas, o maior estádio do interior do Paraná é palco de grandes conquistas e eventos
O Estádio Municipal Jacy Scaff, carinhosamente chamado de Café, completa 50 anos neste sábado (22). Ocupando a posição de maior estádio do interior do Paraná, tem capacidade máxima para 30 mil pessoas, atualmente, e marcou a memória dos londrinenses ao se tornar palco de grandes eventos esportivos e culturais. O nome é uma homenagem à base econômica que, durante décadas, atraiu riqueza e tornou Londrina conhecia mundialmente como a “Capital Mundial do Café”.

Nascido Estádio Municipal de Londrina, o Café recebeu o nome de Jacy Scaff, só no ano 2000, em homenagem ao ex-presidente do Londrina Esporte Clube (LEC) e grande entusiasta do esporte na cidade. A construção começou em agosto de 1974, em uma área localizada a quatro quilômetros do centro da cidade, na região norte. As obras foram aceleradas quando o LEC, que ganhava o apelido de Tubarão, recebeu o convite para participar, pela primeira vez, da divisão principal do Campeonato Brasileiro de 1976. Erguido na gestão do prefeito José Richa, com supervisão do secretário de Obras, Wilson Rodrigues Moreira, o Café foi projetado no conceito de estádio olímpico, com formato de ferradura e vista para a cidade.
Jogos históricos e conquistas marcantes
A estreia do futebol no Estádio do Café foi em 22 de Agosto de 1976, com o confronto memorável entre Londrina x Flamengo. Aproximadamente 42 mil torcedores acompanharam a partida. O primeiro gol do estádio foi marcado por Paraná, jogador do LEC, em cobrança de pênalti. O time carioca contava com grandes estrelas como Zico e Júnior, este último empatando a partida, que terminou 1 a 1. Antes do jogo, foi realizada uma apresentação da Banda dos Fuzileiros Navais do Rio de Janeiro.
A estreia do Londrina no Campeonato Brasileiro de 1976, jogando no Estádio do Café, foi outro empate, contra o Cruzeiro. O Londrina terminou em sexto lugar do seu grupo, porém não avançou para a próxima fase. Mas, no ano seguinte, o LEC fez uma campanha histórica, vencendo equipes como Flamengo e Corinthians dentro do estádio, durante a campanha até as semifinais, onde foi eliminado para o Atlético Mineiro, depois de perder em Belo Horizonte por 4×2, e empatar no Estádio do Café, em 2 a 2.
O maior público da história do estádio foi na vitória do Londrina por 1 a 0 contra o Corinthians, pelo Campeonato Brasileiro de 1977, que contou com 54.178 pagantes. Em 1980, o Tubarão conquistou a Taça de Prata, que se tornaria a segunda divisão nacional, quando goleou o CSA por 4 a 0, com um público de 36.489 torcedores. No ano seguinte, cerca de 45.182 torcedores estiveram presentes para presenciar a partida entre Londrina e Grêmio Maringá, válida pela final do estadual, vencida pelo LEC por 2×1.

Em 1992, 31.139 pessoas presenciaram o terceiro título estadual, quando a equipe londrinense derrotou o União Bandeirante por 1 a 0. Titular daquela campanha e autor do gol de cabeça que selou a conquista do Paranaense, o ex-jogador João Neves é um dos grandes nomes da história do clube. Com oito temporadas disputadas pelo Tubarão, ele relembra com emoção o momento em que testou para as redes do Café naquela decisão.
“O jogo estava muito parelho, até que veio o cruzamento forte da esquerda e eu pulei alto para cabecear no canto. Fizemos o gol e conseguimos segurar o resultado com muita raça. Naquele ano, o Londrina passava por um momento difícil e a gente sempre mostrou muito amor e dedicação dentro de campo. Vestir essa camisa era como colocar uma armadura, a gente se sentia forte”, recorda o ex-atleta.
João Neves guarda até hoje a camisa original utilizada no primeiro tempo daquela final histórica de 1992, com uma dedicatória especial para a esposa Ednea, com quem é casado há 34 anos. “Já recebi muitas ofertas por essa camisa, mas não me desfaço dela de jeito nenhum. Sempre que vejo o escudo do Londrina, fico emocionado e vêm as lembranças boas. Celebrar os 50 anos do Café é celebrar uma parte da minha vida. Meu pedido às autoridades é que continuem tratando o Estádio do Café com carinho e conservando esse espaço, para que ele seja sempre uma arena onde o Londrina continue forte”, completou.

O ex-jogador e ídolo do LEC, Carlos Alberto Garcia, relembrou aquele 22 de agosto de 1976, o dia da inauguração do estádio. “Eu vivenciei profissionalmente o futebol por mais de 20 anos e aquele dia foi um momento muito importante, único e que ficou pra história. Aqui foram os melhores momentos da minha vida profissional e o local ainda é pra mim de muita emoção. Se eu estou aqui hoje é por causa do Estádio do Café também”, exaltou.
Garcia falou também da importância do estádio para a cidade de Londrina. “Eu desconheço outro local melhor que aqui para encontrar e agregar pessoas, para trazer os filhos e netos; eu tenho certeza que é um local que todo mundo faz questão de ir e muita gente ama esse lugar. A nossa paixão (como população londrinense) pro Estádio do Café é muito grande, sem contar que o estádio representa muito para a economia da cidade, em um jogo importante a cidade inteira se movimenta”, opinou.
Palco do Pré-Olímpico e das grandes decisões
No ano 2000, a cidade de Londrina recebeu a Seleção Brasileira, que contava com jogadores como Alex e Ronaldinho Gaúcho e com o técnico Vanderlei Luxemburgo, para a disputa do Pré-Olímpico. O Brasil disputou todos os seus sete jogos no Estádio do Café, com médias de público superiores a 30 mil pessoas, e acabou campeão e classificado para as olimpíadas de Sydney, na Austrália, no mesmo ano.
Já em 2013, o Londrina enfrentou o Coritiba em partida que ficou marcada pelo retorno do time alviceleste à elite paranaense, com 30.098 pessoas no Estádio do Café.

O jovem torcedor Caio Brene, de 19 anos, descreveu como a relação entre ele e seu pai passa pelo estádio. “Meu pai que trouxe essa paixão minha pelo Londrina, eu lembro que os melhores momentos que eu tive com ele foram aqui no Estádio do Café. Infelizmente em 2014 ele teve um câncer, conseguimos comemorar o título paranaense mas ele veio a falecer ainda naquele ano. Depois disso, eu tinha certeza que eu tinha que levar essa paixão em dobro”, contou.
Caio também destacou os momentos marcantes que teve no estádio. “Estive presente no título da Primeira Liga, mas a volta depois de uma pandemia, foi algo totalmente diferente. Alguém como eu que cresceu no estádio, que passou 14 anos indo aos jogos, passar esse tempo todo longe do Café foi muito triste. Eu lembro até hoje do sentimento de retornar ao estádio, foi realmente a sensação de voltar pra casa. Hoje eu tenho uma conta nas redes sociais onde mostro minha paixão pelo Londrina e é sempre um privilégio estar no estádio”, ressaltou.
Trabalhando no estádio há quase sete anos na FEL, Dirceu da Silva disse que a praça esportiva representa um símbolo fundamental para o município. “No meu dia a dia, fico responsável por cuidar da estrutura, auxiliar o pessoal da Federação em dias de jogos e garantir a irrigação e limpeza do campo. O Estádio do Café é um patrimônio da nossa cidade, um espaço importante que acolhe grandes equipes do futebol brasileiro”, relatou.

Ao longo dos seus sete anos de trabalho no local, o servidor presenciou capítulos marcantes da história recente do estádio, desde acessos do Tubarão até grandes eventos culturais. “Acompanhei de perto momentos muito emocionantes, como o retorno do Londrina à Série B do Campeonato Brasileiro, com aquele gol decisivo do Zé Rafael. Também vi partidas com casa cheia contra times como Palmeiras, Corinthians e Santos, além de grandes shows culturais, como a apresentação dos Titãs, que lotou as arquibancadas”, completou.
O Estádio do Café passa por melhorias ao longo deste ano de 2026, com a manutenção do gramado, a troca do sistema de irrigação, a pintura de escadarias e muros, e a implementação de obstáculo visual fixo entre a torcida de casa e visitante; como algumas das melhorias já feitas.
O presidente da Fundação de Esportes de Londrina (FEL), Felipe Prochet, comentou a respeito das novidades para o Estádio do Café. “A prefeitura está trazendo de planejamento para o futuro, até um edital que está em aberto da possível concessão e projeto do estádio. Vem aí também uma verba de 1,4 milhão que é para modernizar, colocar quase que na integralidade iluminação de LED no estádio, e isso vai deixar o estádio nos padrões de Série A, na questão da iluminação”, afirmou.
Atualmente, o estádio integra um complexo esportivo ao lado do Autódromo Internacional Ayrton Senna e do Kartódromo Luigi Bologhesi, sob a gestão da Fundação de Esportes de Londrina (FEL).
Texto: Eduardo Frezarin, Heloisa Carneiro e Samuel Paiva, sob supervisão dos jornalistas do Núcleo de Comunicação da Prefeitura de Londrina




