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Descobrindo o Parque promove educação ambiental para todas as idades

Projeto já atendeu mais de 3 mil estudantes em 2026, reforçando a importância de uma reserva de mata na área urbana

O contato com a natureza e a educação para a preservação do meio ambiente fazem parte da rotina no Parque Arthur Thomas, um espaço de 85 hectares de mata atlântica em meio à área urbana de Londrina. Estudantes de todas as idades frequentam a área de conservação em visitas guiadas oferecidas pelo projeto Descobrindo o Parque, promovido pela Secretaria Municipal do Ambiente (Sema). Ao longo de 2026, a programação já atendeu 3 mil visitantes. 

Nesta sexta-feira (21), a aula de campo foi vivenciada pelas turmas de P4 do Centro Municipal de Educação Infantil Kalin Youssef, localizado no Conjunto Hilda Mandarino, zona norte. De acordo com a coordenadora pedagógica da unidade, Thatiane Tassone, a escolha da atividade externa esteve relacionada à campanha Agosto Cinza, que alerta para a prevenção de queimadas e a importância do cuidado com as áreas verdes.  

Coordenadora Thatiane Tassone acompanhou a visita. Foto: Rhayssa Fernandes / Estagiária NCom

“A escola inteira está trabalhando nesse projeto, com foco na preservação da natureza. Nosso CMEI tem uma área verde frequentada nas aulas, então desde pequenas as crianças já estão acostumadas com essa didática, com uma metodologia voltada para a natureza. Nosso principal objetivo é transformá-los em cidadãos que preservem, cuidem e respeitem”, contou a coordenadora. 

Ela relatou, ainda, que cada turma aproveita a saída a campo para colher informações para seus projetos em desenvolvimento que partem do interesse demonstrado pelas próprias crianças. “A turma do P4A está trabalhando sobre os insetos, por exemplo. Então, a gente já vem para o parque com essa intenção, de observar e aprender mais sobre o assunto”, explicou.  

Aprendizado contínuo

Na visita, as crianças conheceram as trilhas do Tatu e do Macaco. Ao longo do percurso, tomaram contato com árvores nativas, como o pau-brasil, a peroba rosa, o pau-jacaré e o pau-ferro. Guiados pela monitora Karen Silva, foram aprendendo a observar marcas da presença da fauna local, como as garras de quati no tronco das árvores, ou o buraco do tatu, que pode servir de abrigo para outros animais.   

Foto: Rhayssa Fernandes / Estagiária NCom

Estudante de Geografia, a monitora estagia na Educação Ambiental da Sema há poucos meses, e já observa que a experiência de interagir com as crianças e adolescentes na visita ao parque tem feito a diferença para sua formação. “Eu aprendo cada vez mais, com o próprio ambiente e com os alunos também; é uma forma de aprimorar os conhecimentos. E é muito gostoso poder saciar as dúvidas deles. Cada um vem com dúvidas muito diferentes”, avaliou.  

Ela apontou que, quando se trata da Educação Infantil, as perguntas e observações não tardam a aparecer. Logo depois de conhecerem as regras para a visitação a uma área de conservação, as turmas desta sexta quiseram saber sobre a história do engenheiro que dá nome ao parque, o que acontece se os animais forem alimentados pelos humanos, ou por que algumas árvores têm mais de uma cor em seu tronco.  

Para muitas crianças, esta foi a primeira oportunidade de fazer uma trilha em meio à mata. Foi o caso da estudante Nataly de Andrade, que contou nunca antes ter visto tantas árvores em um único local. “Eu vi uma floresta e ouvi um bichinho”, contou sobre a experiência de conhecer o canto dos pássaros na trilha. Para a colega Manuela Pereira Saturnino, a visita também foi uma oportunidade para ver de perto algo que já estava sendo construído nas atividades da sala de aula. Ela contou ter reparado nas diferenças entre as árvores e outras plantas. “A gente tem que ter cuidado para não machucar elas”, observou. O recado foi reforçado pela amiga Rafaela Espíndola: “A gente tem que tratar a natureza com respeito, para não estragar ela”, disse. 

Educação ambiental gera qualidade de vida 

Secretário Gilmar Domingues Pereira. Foto: Rhayssa Fernandes / Estagiária NCom

O Parque Arthur Thomas abriga a sede da Secretaria Municipal do Ambiente, pasta comandada por Gilmar Domingues Pereira. Ele afirmou ser uma honra receber um fluxo de 200 a 300 visitantes semanais, de escolas e de outros grupos, para a programação do Descobrindo o Parque. “Ele é fundamental para, de fato, levar conhecimento às pessoas. Infelizmente, vivemos um momento em que as telas estão roubando o tempo das pessoas, inclusive das crianças. Aqui temos uma oferta diferente: fazemos um convite para que as pessoas consigam dar uma diminuída nesse ritmo alucinado que a sociedade – não só a sociedade londrinense, mas a sociedade mundial – vive hoje”, comentou o secretário.  

O gestor lembrou que, além do Parque Arthur Thomas, o município atua com educação ambiental também no Jardim Botânico. E destacou que outra área verde no município, o Parque Daisaku Ikeda, tem uma grande reforma sendo licitada para poder voltar a receber os visitantes. 

De acordo com a engenheira ambiental e coordenadora de Educação Ambiental na Sema, Amanda Bitencourt, o objetivo principal do projeto Descobrindo o Parque é favorecer uma formação de vínculo com a natureza. “A criação de vínculo, esse contato com a natureza, abraçar a árvore, ver os pássaros, é um caminho para a gente conseguir desenvolver a valorização do meio ambiente, o cuidado”, afirmou. 

O projeto conta com uma equipe de educadoras ambientais. Criado nos anos 1990 com foco nas escolas, hoje ele também recepciona grupos de todas as idades, mediante agendamento prévio por um formulário online. O Parque Arthur Thomas funciona de terça a domingo, das 8h às 17h, com entrada pela Rua da Natureza, 155.  

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