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Londrina inicia nova etapa de liberação do Método Wolbachia contra a dengue 

Soltura dos mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia ocorrerá ao longo de 26 semanas; objetivo é ampliar a cobertura com a tecnologia que reduz transmissão da doença 

Londrina deu início, nesta quinta-feira (22), a uma nova fase de liberação dos Wolbitos: mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia. A tecnologia será levada a 47 bairros do município, ampliando a atual cobertura de 60%; e será também implementada na vizinha Cambé. Para detalhar a iniciativa, foi realizada uma solenidade de lançamento da nova etapa de soltura dos mosquitos, em parceria com a Prefeitura de Cambé, no auditório da Prefeitura de Londrina, no Centro Cívico. Na sequência, houve uma visita técnica ao Núcleo de Produção instalado no prédio anexo da Vigilância Ambiental em Londrina, com capacidade para o desenvolvimento de mais de 1 milhão de mosquitos por semana.

Presente desde 2025 nas Diretrizes de Controle e Prevenção das Arboviroses, com a nova etapa o Método Wolbachia chegará a territórios onde vivem mais de 150 mil pessoas em Londrina, além de bairros habitados por 35 mil moradores no município de Cambé, ao longo dos próximos seis meses – ao final do texto, estão descritos os bairros que serão atendidos em Londrina.

Os Wolbitos não transmitem os vírus da dengue, zika e chikungunya, e auxiliam no combate às arboviroses. Quando liberados, passam a se reproduzir com os mosquitos locais. Assim, a bactéria é transmitida para as gerações seguintes e forma, ao longo do tempo, uma população de mosquitos com capacidade reduzida de transmitir essas doenças.

Em entrevista, a secretária municipal de Saúde de Londrina, Vivian Feijó, destacou que o combate à dengue é um trabalho contínuo, realizado em parceria com Cambé, especialmente pela proximidade entre os municípios e a importância do monitoramento conjunto. Ela também ressaltou a cobertura do monitoramento do mosquito por meio de armadilhas e a contribuição dessa estratégia para direcionar as ações de prevenção. “Londrina hoje tem praticamente 100% de monitoramento com as nossas armadilhas. Isso faz com que a gente direcione o nosso trabalho e realize ações educativas mais específicas para cada comunidade. Um fator preocupante é o que estamos vivendo na natureza: o El Niño está aí, as chuvas aumentaram, e muita chuva é um fator que exige atenção no controle e no monitoramento por parte de quem trabalha com endemias”, frisou.

Foto: Rakelly Calliari / NCom

Durante a solenidade, o secretário estadual de Saúde, César Neves, elogiou o trabalho das equipes de saúde de Londrina e Cambé e destacou a importância da ciência e da conscientização da população no combate à dengue. “É a ciência que faz a diferença na vida das pessoas. Nenhuma doença é erradicada por decreto, mas por ações, vacinas e pelo trabalho dos agentes comunitários, que vão de porta em porta para conscientizar a população. Tenho certeza de que esse é um método que veio para ficar”, afirmou.

A fase de liberação dos mosquitos tem início após a etapa de engajamento comunitário, período em que a população local recebeu, de forma transparente e responsável, informações sobre a tecnologia e seu funcionamento. A soltura gradual, prevista para ocorrer ao longo de 26 semanas, é realizada por agentes de campo treinados e capacitados, com liberações controladas feitas semanalmente por meio de veículos e equipamentos próprios. A expectativa é que, ao longo dos meses, a presença da Wolbachia aumente de forma autossustentável em Londrina.

O município conta com um núcleo de produção, estrutura própria para o desenvolvimento dos Wolbitos, da fase de ovo até a fase adulta, antes da liberação em campo. O núcleo recebe as cápsulas com ovos e ração vindas da biofábrica; em contato com a água, os ovos se desenvolvem até a formação dos mosquitos adultos, que são então distribuídos por veículos em rotas definidas, totalizando 3.890 pontos de soltura e protegendo 151.715 pessoas. 

A fase de liberação caminha junto com o monitoramento por meio de ovitrampas, que mede o estabelecimento da Wolbachia em campo. Pesquisas de eficácia demonstram que, quanto maior a presença de mosquitos com a bactéria em campo, menores são os números de casos de dengue, zika e chikungunya. Em Niterói, por exemplo, que tem todo o território coberto pela tecnologia, a redução dos casos de dengue foi de 89%. 

Sobre o Método

O Método Wolbachia é conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com o Ministério da Saúde, e operado pela Wolbito do Brasil. A estratégia é baseada em evidências científicas e integra o conjunto de ações nacionais de enfrentamento às arboviroses. 

O Método Wolbachia utiliza mosquitos Aedes aegypti que carregam a Wolbachia, uma bactéria naturalmente presente em mais da metade dos insetos da natureza e que impede o desenvolvimento dos vírus das arboviroses no organismo do mosquito. Ao se reproduzirem, os mosquitos locais transmitem a bactéria para as próximas gerações, ampliando de forma progressiva e sustentável a presença da Wolbachia no ambiente. Com isso, os mosquitos têm capacidade reduzida de transmitir dengue, Zika e chikungunya. 

A metodologia é duradoura: estudos de comprovação científica demonstram que, mesmo após oito anos das primeiras liberações, os mosquitos mantêm a bactéria Wolbachia de forma estável na população. 

A apresentação técnica na solenidade foi feita pela coordenadora de implementação da Wolbito do Brasil, Tamila Klein, e pelo gerente da Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde de Londrina, Nino Ribas, ao lado dos representantes da Fiocruz, Diogo Chalegre e Daniel Daipert. O secretário municipal de Governo, Leonardo Carneiro, também esteve presente, representando o prefeito de Londrina Tiago Amaral.

Foto: Rakelly Callari / NCom

O gerente da Vigilância Ambiental, Nino Ribas, destacou que o monitoramento apontou a manutenção da bactéria Wolbachia em 85% dos bairros contemplados na primeira fase. Segundo ele, a tecnologia contribui para a redução dos casos de dengue, mas deve atuar em conjunto com as demais estratégias de combate à doença. “É mais uma tecnologia que vem para agregar, não para eliminar as outras. A primeira fase foi realizada em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde, a Regional de Saúde e a Universidade Estadual de Londrina. Agora, começa a segunda etapa, com a união entre Londrina e Cambé, uma escolha que foi cuidadosamente estudada”, afirmou.

Atualmente, o Método está presente em 16 cidades no Brasil, protegendo mais de 8 milhões de pessoas. A expansão da tecnologia já compreende dezenas de outros municípios indicados pelo Ministério da Saúde, dentre eles: Ribeirão Preto, Araraquara e São José do Rio Preto (SP), Contagem (MG), Foz do Iguaçu e Cascavel (PR) e Anápolis, Aparecida de Goiânia e Trindade (GO), Olinda (PE) e Rio Branco (AC). 

Dengue em números

Durante a solenidade, também foi apresentado o novo Boletim Epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde, com um comparativo dos dados de 2026 e do mesmo período de 2025. Os números apontam queda nos casos confirmados, nas notificações e nos óbitos por dengue em Londrina.

Neste ano, foram confirmados 1.320 casos da doença, contra 4.881 no mesmo período de 2025, uma redução de 73%. As notificações passaram de 24.315 para 12.135, queda de 50%. Já os óbitos diminuíram 78%.

Sobre a Wolbito do Brasil

A Wolbito do Brasil nasceu a partir de um desdobramento estratégico do Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), junto ao World Mosquito Program (WMP), organização pioneira na implementação do Método Wolbachia no Brasil. Com a missão de ajudar a proteger a população contra dengue, Zika e Chikungunya, promove a consolidação e expansão da estratégia no país, reproduzindo a qualidade e os resultados de eficácia conquistados desde 2014 pelo trabalho desenvolvido pelo WMP junto a FIOCRUZ, garantindo sustentabilidade, ampliando o acesso e promovendo impacto em larga escala. 

Abaixo, os bairros que terão soltura dos mosquitos pelo método Wolbachia em Londrina:

Imagem: Divulgação

Sul

  • Residencial Cristal
  • Saltinho
  • Atlanta
  • Cafezal I
  • Alto Cafezal
  • Conjunto Cafezal II
  • Conjunto Cafezal
  • Monte Belo
  • Roseira
  • Neman Sayhun
  • Vale Azul
  • Adriana
  • Jardim Guanabara
  • Gleba Palhano
  • Jardim do Lago
  • Jardim Maravilha

Centro

  • Jardim Europa
  • Vila Rodrigues
  • Centro IV
  • Centro III

Leste

  • Jardim Monte Carlo
  • Conjunto Ernani Moura Lima
  • Conjunto Vitória Régia
  • Brasília
  • Oriente
  • Antares
  • Conjunto Eucalipto
  • Conjunto Novo Amparo
  • Vila Siam
  • Vila Romana II

Norte

  • Conjunto Milton Gavetti
  • Jardim São Paulo
  • Planalto
  • Flores do Campo
  • Conjunto Bem Viver

Oeste

  • Nossa Senhora Aparecida
  • Jardim São Francisco
  • Jardim Sabará
  • Jardim Orion
  • Industrial
  • Jardim Tóquio
  • Tóquio II
  • Jardim Colúmbia
  • Jardim Colúmbia II
  • Sabará III
  • Colúmbia D
  • Jardim Parque Universidade

Texto: Dayane Albuquerque e Rakelly Calliari / NCom

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