Procon-LD orienta consumidores sobre compras na Black Friday
Órgão recomenda pesquisar a loja antes de pagar, desconfiar de links recebidos por mensagem e agir rápido em caso de fraude
Com a Black Friday marcada para 27 de novembro, o Núcleo Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-LD) orienta os londrinenses a redobrarem a atenção nas compras, principalmente pela internet. A data movimenta o comércio e, junto com as ofertas verdadeiras, cresce o número de sites clonados, perfis falsos em redes sociais e mensagens com links fraudulentos.

O cenário de crescimento das vendas on-line também é acompanhado pelo avanço das tentativas de fraude. Segundo estimativa da Confi Neotrust, em parceria com o E-Commerce Brasil, o comércio eletrônico nacional deve movimentar R$ 13,3 bilhões entre 26 e 29 de novembro, crescimento de 20,7% em relação a 2025. Já um levantamento da Serasa Experian apontou que, na semana da Black Friday do ano passado, foram identificados 604 anúncios falsos, número 147% superior à média das semanas anteriores. A criação de perfis que imitam marcas conhecidas também aumentou, com alta de 101%.
O diretor-executivo do Procon-LD, Kenedy de Brito, reforçou a importância de verificar as informações da loja antes de finalizar a compra. “A Black Friday é uma boa oportunidade para economizar, mas o golpista também se prepara para ela. A pressa é a maior aliada dele. Por isso, a nossa orientação principal é simples: antes de clicar e antes de pagar, pare e confira”, alertou.
Sites falsos imitam lojas conhecidas para aplicar golpes
Entre as fraudes mais recorrentes está a criação de lojas virtuais falsas, que reproduzem a identidade visual de empresas conhecidas para atrair consumidores. Os criminosos divulgam anúncios patrocinados ou compartilham links pelo WhatsApp, geralmente com preços muito abaixo dos praticados no mercado. Apesar da aparência de legitimidade, o endereço eletrônico apresenta pequenas alterações em relação ao site oficial. Em muitos casos, o pagamento é solicitado exclusivamente por Pix, mas a mercadoria não é entregue.

A popularização da inteligência artificial tornou esse tipo de fraude ainda mais difícil de identificar. As páginas e os anúncios conseguem reproduzir com maior precisão a aparência das lojas verdadeiras, enquanto vídeos manipulados com imagens e vozes de pessoas famosas são utilizados para divulgar promoções inexistentes.
“Hoje o site falso tem a mesma cara do verdadeiro. Então o consumidor precisa olhar para o que o golpista não consegue copiar: o endereço exato do site, o CNPJ, a reputação da empresa e, na hora do Pix, o nome de quem vai receber. Se o recebedor for uma pessoa física ou uma empresa com outro nome, pare na hora”, alertou Brito.
O diretor-executivo do Procon-LD reforçou ainda que oferta boa não some em cinco minutos. “Quando a mensagem diz que o estoque está acabando e que você precisa pagar agora, desconfie. É exatamente essa pressa que o golpista quer criar”, enfatizou.
Outros golpes frequentes no período:
Cupons e brindes falsos: mensagens anunciam descontos exclusivos ou prêmios e solicitam dados pessoais, informações do cartão ou o pagamento de uma suposta taxa de entrega por Pix.
Golpe da falsa entrega: mensagens por SMS ou WhatsApp informam que uma encomenda está retida e cobram uma taxa para supostamente liberar o produto.
Boletos adulterados: documentos enviados por e-mail ou aplicativos de mensagens apresentam dados bancários alterados, fazendo com que o pagamento seja direcionado aos golpistas.
Fraudes com maquininhas e cartões: em estabelecimentos comerciais ou vendas na rua, o consumidor pode ser cobrado por um valor diferente do combinado ou ter o cartão trocado durante a devolução.
Como evitar golpes nas compras
Para reduzir os riscos, o Procon-LD orienta os consumidores a adotarem alguns cuidados:
Compare os preços antes de comprar e desconfie de ofertas com descontos muito acima dos valores praticados no mercado, especialmente em produtos eletrônicos.
Acesse os canais oficiais das lojas, digitando o endereço diretamente no navegador ou utilizando o aplicativo da empresa. Evite links recebidos por mensagens, e-mails ou anúncios.
Verifique a identificação do vendedor, conferindo se o CNPJ está ativo, além do endereço físico, telefone e reputação em plataformas de reclamação. O Procon-SP também disponibiliza a lista “Evite esses sites”, que reúne lojas virtuais com registros de reclamações não respondidas.
Dê preferência ao cartão de crédito virtual nas compras pela internet, recurso que facilita o bloqueio e a contestação de transações.
Confira os dados do beneficiário antes de confirmar pagamentos por Pix ou boleto, verificando se o nome e o CNPJ correspondem à empresa responsável pela venda.
Mantenha os comprovantes da compra, como capturas de tela dos anúncios, número do pedido, mensagens, e-mails de confirmação e comprovantes de pagamento.
Caiu em um golpe? Procure o banco imediatamente
Ao identificar uma fraude envolvendo pagamento por Pix, o consumidor deve entrar em contato com o banco o mais rápido possível para solicitar a contestação da transferência. Desde fevereiro, os aplicativos das instituições financeiras que oferecem o serviço são obrigados a disponibilizar uma opção para esse procedimento, vinculado ao Mecanismo Especial de Devolução (MED), do Banco Central. O prazo para fazer a solicitação é de até 80 dias após a transação. A versão atualizada do mecanismo também permite rastrear os valores mesmo quando o dinheiro já foi transferido para outras contas.
“O prazo é de 80 dias, mas ninguém deve esperar. Quanto mais cedo o banco bloqueia, maior a chance de ainda haver dinheiro na conta do golpista. Depois de falar com o banco, registre o boletim de ocorrência e guarde todas as provas”, orientou Brito.
O diretor ressaltou, porém, que o procedimento não assegura a recuperação integral do valor e não se aplica a transferências feitas por engano para a pessoa errada nem a desentendimentos comerciais com estabelecimentos legítimos.
Já nos casos de fraude envolvendo cartão, a recomendação é entrar em contato com a administradora para solicitar o bloqueio e contestar a transação. O registro do boletim de ocorrência também pode ser feito on-line, por meio da Delegacia Eletrônica da Polícia Civil do Paraná.
“Quando o problema é com uma loja que existe, que tem CNPJ, o Procon pode notificar, mediar e, se for o caso, autuar. Quando é golpe, é crime de estelionato, e o caminho é o banco e a polícia. Nos dois casos, quem guardou as provas sai na frente”, explicou o diretor.
Direitos do consumidor também valem durante as promoções

O Procon-LD reforça que as ofertas da Black Friday devem respeitar as mesmas regras estabelecidas pelo Código de Defesa do Consumidor. Entre os principais direitos estão:
Cumprimento da oferta: os preços e as condições anunciados pela loja devem ser respeitados. Caso isso não ocorra, o consumidor pode exigir o cumprimento da oferta, aceitar outro produto equivalente ou cancelar a compra, com direito à restituição do valor pago.
Descontos verdadeiros: elevar o preço de um produto antes da campanha para simular uma redução maior pode caracterizar publicidade enganosa.
Direito de arrependimento: nas compras realizadas pela internet ou por telefone, o consumidor pode desistir da aquisição em até sete dias, contados a partir da assinatura do contrato ou do recebimento do produto, sem precisar apresentar justificativa. Nesse caso, tem direito à devolução integral dos valores pagos, inclusive do frete.
Identificação da loja: os estabelecimentos que vendem pela internet devem disponibilizar, em local de fácil visualização, informações como razão social, CNPJ e endereços físico e eletrônico.
Prazo de entrega: a data informada no momento da compra deve ser cumprida. Em caso de atraso, o consumidor pode exigir o cumprimento da oferta, aceitar outro produto equivalente ou cancelar a compra, com restituição do valor pago.

Atendimento ao consumidor
Quem precisar de orientações ou tiver problemas relacionados às compras pode entrar em contato com o Procon-LD pelos telefones 151 e (43) 3372-4824 ou pelo e-mail procon@londrina.pr.gov.br.
O atendimento presencial é realizado na Rua Piauí, 1.117, Centro, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. O serviço funciona por ordem de chegada ou mediante agendamento prévio.
Também é possível registrar reclamações contra empresas cadastradas na plataforma consumidor.gov.br.




