Saúde intensifica ações contra a dengue para evitar surto no verão
Município mantém cenário epidemiológico controlado, sem novos casos nas últimas semanas, mas excesso de chuva e calor preocupam
Londrina apresentou uma expressiva redução nos indicadores da dengue em 2026. Dados preliminares da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), atualizados nesta quarta-feira (4), mostram queda de 72,96% nos casos confirmados da doença em comparação ao mesmo período de 2025, refletindo o impacto das estratégias de monitoramento, controle vetorial e mobilização comunitária adotadas ao longo do ano.
Até a Semana Epidemiológica 44, foram registrados 12.756 casos notificados de dengue, dos quais 1.342 foram confirmados, 10.909 descartados e 505 seguem em análise. Embora a redução tenha sido importante, o município contabiliza dois óbitos confirmados pela doença em 2026.

Em 2025, Londrina havia registrado 25.509 notificações de dengue, com 4.965 casos confirmados e nove mortes. Em relação à chikungunya, o cenário permanece estável, com 19 notificações registradas, nenhum caso confirmado, 18 descartados e um caso em investigação.
Pico sazonal mais brando
A análise da curva epidemiológica demonstra que o período de maior risco da doença, compreendido entre as semanas 11 e 19, apresentou comportamento muito mais controlado em 2026. No ano passado, os picos semanais ultrapassaram a marca de 300 a 360 casos confirmados. Em 2026, o maior volume semanal ficou pouco acima de 100 casos, evidenciando uma desaceleração significativa da transmissão.
Outro destaque é o desempenho do segundo semestre. A partir da Semana Epidemiológica 23, houve retração consistente dos registros e, nas semanas 43 e 44, não foram contabilizados novos casos confirmados, indicando a manutenção do controle epidemiológico.
Vigilância mantém estado de alerta

Apesar dos resultados positivos, a Vigilância Ambiental reforça que o período que antecede o verão exige atenção permanente da população. Segundo o gerente de Vigilância Ambiental, Nino Ribas, a situação permanece estável, mas as condições climáticas favorecem a proliferação do mosquito transmissor.
“A curva epidemiológica da dengue em Londrina permanece estável, sem registros de surto ou picos de transmissão nas últimas semanas. Porém, embora a incidência da doença em humanos siga controlada, as oscilações de temperatura e precipitação elevam o risco de proliferação do mosquito transmissor. Por isso, precisamos manter rigorosamente o estado de alerta para conter a reprodução do Aedes aegypti e prevenir a circulação viral com a chegada do verão”, destacou.
Wolbachia e drones reforçam ações combate ao mosquito

Para manter os índices sob controle e evitar novos surtos, a SMS prepara uma série de ações para os próximos meses. Entre as principais medidas está a expansão da Fase 2 do Projeto Wolbachia, com a liberação programada de mosquitos Aedes aegypti contendo a bactéria Wolbachia em novas áreas urbanas. A estratégia será acompanhada por ações educativas em escolas municipais e estaduais, buscando ampliar o engajamento da comunidade.
Também estão previstas varreduras estratégicas e bloqueios vetoriais em bairros periféricos e distritos rurais, com mutirões de limpeza e inspeções focalizadas, seguindo modelo já aplicado no distrito de Paiquerê.
O município investirá ainda em tecnologia para ampliar a eficiência das operações, utilizando inseticida biológico BTI, aplicado por bombas costais em locais de grande circulação, como escolas e Unidades Básicas de Saúde, além do uso de drones para identificar e tratar criadouros em áreas de difícil acesso.
Monitoramento em tempo real
Outra frente considerada estratégica é o fortalecimento do monitoramento por ovitrampas, armadilhas utilizadas para identificar a presença e a densidade populacional do mosquito. Os dados coletados serão cruzados em tempo real com informações de um painel de Business Intelligence (BI), permitindo direcionar equipes para áreas com maior concentração de ovos antes mesmo do surgimento de casos humanos.

As ações também incluem fiscalizações quinzenais em pontos estratégicos, como cemitérios, ferros-velhos, recicladoras e depósitos de resíduos, além de intervenções conjuntas em imóveis considerados críticos e residências de acumuladores, com remoção de materiais que possam servir de criadouros.
Participação da população é essencial
Mesmo diante da queda expressiva dos indicadores, as autoridades de saúde reforçam que a eliminação de recipientes com água parada continua sendo a principal medida para impedir a reprodução do Aedes aegypti. A manutenção dos cuidados domésticos será decisiva para que Londrina preserve os resultados alcançados em 2026 e reduza ainda mais os riscos durante o período de maior circulação do mosquito.




