Projeto Pró-REDE da Educação celebra primeiros frutos positivos no Dia Mundial do Autismo
Há menos de 60 dias em prática, trabalho vem ajudando a melhorar a rotina escolar de alunos que exigem atenção especial em sala; famílias compartilham os efeitos positivos gerados
Na data em que é comemorado o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, 2 de abril, a Prefeitura de Londrina, por meio da Secretaria Municipal de Educação, valoriza e presta reconhecimento à equipe condutora do projeto Pró-REDE, que atende alunos com deficiência ou neurodivergências na rede municipal de ensino, bem como às famílias atendidas. Recém-implantado e em funcionamento desde o começo do ano letivo de 2026, o programa já vem rendendo os primeiros e expressivos resultados, sendo ferramenta de apoio elogiada pelas mães dos estudantes que contam com suporte especializado em sala de aula.

Atualmente, o projeto inclui 90 profissionais especializados de suporte (PES) atuando nas unidades escolares da rede municipal de ensino, atendendo cerca de 250 estudantes em Londrina. A iniciativa é empreendida em parceria com a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico do Hospital da Universidade Estadual de Londrina (HUTEC). Os estudantes contemplados estão sendo acompanhados por Profissional Especializado de Suporte (PES), que não substituem o titular da turma e complementam a assistência educacional com atenção às necessidades individuais do aluno. Há profissionais de Pedagogia e também de áreas como Psicologia, Fisioterapia, Educação Física, além de supervisores, com experiência e formação em Psicologia.

Nesta quinta-feira (2), o prefeito Tiago Amaral esteve na Escola Municipal América Sabino Coimbra, no Residencial Vista Bela, zona norte, junto com mães de alunos que contam com acompanhamento pelo projeto. Ele conversou com as presentes e ainda participou de um podcast com as crianças dessa unidade.
O prefeito frisou que é papel do poder público dar atenção especial às famílias atípicas com a responsabilidade que essa missão exige dentro da educação municipal. “Tenho uma filha que fará nove anos e um filho com cinco, nenhum apresenta alguma dificuldade mais aparente ou acentuada no ensino. Independente de perfis individuais e desafios com cada filho, as mães e pais sabem que eles são nosso maior bem, o que preenche nossos corações, sendo uma grande preocupação saber como estão em sala de aula e na escola. É necessário e desafiador se colocar no lugar de famílias que têm seus filhos com especificidades que exigem uma atenção diferenciada para acompanhamento. O projeto Pró-REDE fala do que acreditamos para Londrina, um olhar cuidadoso para quem precisa. Quero que os pais acreditem e confiem em nosso trabalho como fundamental. Agradeço às famílias, às professoras e diretoras, todos os envolvidos. Conhecimento técnico e capacidade é essencial à função do educador, mas estamos recebendo relatos de muito acolhimento, amor, paciência e carinho nesse trabalho tão humano”, expressou.

Para Mariana Lima da Silva, mãe de Ísis Lima Michelan, 7 anos, autista nível 2 de suporte e aluna da Escola Municipal Carlos Kraemer, no 2º ano do Ensino Fundamental, o projeto vem sendo transformador na rotina escolar e vida familiar. A descoberta da condição veio aos dois anos e meio de idade, após a garota ter apresentado prejuízos em algumas habilidades, dentre as quais a fala e contato visual. “As principais melhorias já muito notáveis na Ísis são com relação ao período em sala; antes, tinha muita dificuldade de se manter engajada nas atividades e agora consegue ficar mais focada com os outros colegas. Também vem ajudando na questão de socialização, ela está totalmente diferente do ano passado, muito bem assistida, incluída e adaptada pelo projeto e professora de apoio, foi realmente abraçada. E nós estamos bastante satisfeitos nesse início com as mudanças percebidas tão rapidamente”, relatou.
A mãe ainda disse que deseja vida longa ao projeto, para que o alcance seja estendido a quem ainda não tem acesso. “Acredito muito na educação pública, nunca cogitei colocar minha filha em escola privada. O projeto praticamente inseriu minha filha em uma vida social, pois ela tem bastante dificuldade de socialização. Quando o projeto foi mostrado ficamos meio receosos e reticentes, mas agora ficamos seguros e está sendo muito positivo”, acrescentou ela.

Mirian Ruas contou que, quando recebeu o chamado da Escola Municipal Moacyr Teixeira, não sabia muito sobre o assunto do projeto e pensou que não daria certo, já que sua menina, de 10 anos, estava totalmente desmotivada e sentindo-se desassistida. Letícia Ruas é aluna do 5º ano e convive com transtornos do Espectro Autista (TEA); Opositor Desafiador (TOD); e do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Foi notado pela mãe, após o acompanhamento no Pró-REDE, diferença na leitura, maior interesse em ir à escola hoje, maior compreensão das matérias e mais motivação nas tarefas em casa.
“Minha menina é um pouco resistente ao suporte especial, mas surpreendeu muito quando, após apenas uma semana depois do começo das atividades do Pró-REDE, me disse ‘ainda bem que você deixou essa professora de apoio comigo’. A dedicação das professoras e profissionais na escola é incrível, a iniciativa é excelente. Fui na escola elogiar o trabalho e desejo que o máximo de famílias tenham esse apoio garantido. Parabenizo o prefeito e a Prefeitura pelo empenho. Só sinto gratidão e felicidade, sei que esse sucesso inicial pode ser um passo para um crescimento e fortalecimento constante. Precisávamos desse apoio”, destacou.
Outra mãe a compartilhar suas percepções quanto ao trabalho foi Ana Cláudia Pereira, mãe de Cláudia Vitória Pereira, cursando o 5º ano da Escola Municipal Miguel Bespalhok. Ela tem 14 anos e é portadora de paralisia cerebral, mais epilepsia de difícil controle e dificuldade intelectual. Desde o começo do ano letivo 2026, conta com apoio de uma profissional da área de enfermagem. “A evolução dela é excelente no conteúdo pedagógico, está aprendendo mais e acompanhando melhor, mais calma e feliz. Gosta de ir para a escola, adora as atividades de casa passadas pela professora, e relata que ela a trata com grande carinho e paciência, dando liberdade para que faça suas necessidades fisiológicas da melhor forma, e diz que ‘a tia não tem nojo dela e tem paciência para ajudar na higiene’. Fala do cuidado, das risadas e histórias contadas por ela, e que se sente igual aos outros amiguinhos de sala, pois neste ano leva os cadernos para casa e faz a tarefa igual todo mundo. Estou feliz e sinto-me agraciada por ter essa pessoa em nossas vidas, que o projeto siga em frente, pois não pode acabar”, contou.
A ideia de evolução também marcou a fala de Vanessa de Carvalho Soncela, que já enxerga conquistas importantes para o filho Davi Miguel Soncela, com TEA, no 4º ano da Escola Joaquim Pereira Mendes. “Fomos abençoados com uma ótima profissional da área de educação (pedagogia). Ele já teve professor de apoio nos outros anos e faz terapia particular, mas o trabalho realizado pelo novo projeto tem sido excelente com um acompanhamento de qualidade em conjunto com a escola, é bem completo. Davi tinha fama de estar sempre fora da sala e hoje sua permanência e maior desenvolvimento chama atenção, para nós é uma grade conquista, o auxílio individual faz a diferença. Fico emocionada quando falo do meu filho, estou muito satisfeita. A iniciativa deu certo, parabenizo a organização, obrigado por acatarem essa ideia e terem esse olhar diferenciado”, enalteceu.

Efeitos práticos notáveis na rede – Sob a ótica da secretária municipal de Educação, Thatiane Lopes Araújo, os resultados iniciais do projeto são expressivos no fortalecimento das práticas inclusivas no cotidiano escolar. Para ela, a avaliação é muito positiva, observando melhorias no acompanhamento dos estudantes, maior organização de rotinas. “Isso traz ambientes mais acolhedores e favoráveis à aprendizagem. Para as equipes escolares, a iniciativa tem apoiado a qualificação do trabalho pedagógico, enquanto para as famílias, representa um suporte especializado. Com a ampliação dos profissionais de apoio em sala, temos uma estrutura melhor de apoio e maior segurança às equipes para atendimento a alunos com autismo e outras necessidades, garantindo direito à aprendizagem com mais equidade”, avaliou.
Por sua vez, os profissionais atuantes no apoio especial têm relatado experiências bastante significativas, conforme citou a titular da Educação. “Eles costumam destacar a importância do seu papel no apoio direto aos estudantes e no fortalecimento do trabalho pedagógico junto aos professores. Também apontam avanços no vínculo com os alunos e reconhecimento das equipes escolares, além da necessidade contínua de formação e alinhamento, que já está sendo considerada pela Secretaria”, acentuou.
Considerando o curto período de implementação do Pró-REDE, de menos 60 dias, a gerente de Educação Especial da SME, Denise Lonni, frisou o respeito às demandas das escolas e prioridade aos casos com maior necessidade de suporte. “O projeto demonstra aderência aos objetivos propostos e já resultam em maior permanência em sala de aula, redução de problemas comportamentais, melhoria no apoio direto ao processo ensino-aprendizagem e maior segurança e tranquilidade às famílias, que passam a perceber o suporte efetivo ao estudante e confiar mais nas escolas. As intervenções ficam mais qualificadas e contínuas, a rotina mais regulada, comunicação mais efetiva e boa receptividade das equipes gestoras e dos professores regentes nas escolas”, observou.

Projeções e aprimoramento – A gerência de Educação Especial informou que foram iniciados estudos técnicos para ampliar o atendimento do Pró-REDE para outras unidades escolares, considerando o mapeamento de demandas realizado pela Secretaria. “A ideia vem sendo planejada de forma gradual e responsável, observando critérios como a complexidade dos casos atendidos, a disponibilidade contratual e a garantia da qualidade do serviço prestado. A perspectiva é de continuidade da expansão ao longo de 2026 e também no próximo ano letivo, conforme viabilidade técnica e orçamentária”, indicou Denise Lonni.
Além disso, ainda estão caminhando ações importantes que qualificam ainda mais a educação especial. Em andamento, há a avaliação complementar dos estudantes no Polo Multidisciplinar Maria Clara Dias Dutra, com o objetivo de aprofundar o diagnóstico e subsidiar intervenções pedagógicas e estratégias de acompanhamento ainda mais eficazes. “Essas iniciativas demonstram o compromisso da gestão em qualificar o atendimento, fortalecer a inclusão e ampliar o alcance das políticas públicas educacionais, para além da expansão quantitativa do programa”, finalizou a gerente de Educação Especial.
Experiência enriquecedora – Na Escola Municipal América Sabino Coimbra, da zona norte, são 25 alunos atendidos pelo Pró-REDE, a maioria da Educação de Jovens e Adultos (EJA), dentre os mais de 100 incluídos pela Educação Especial. Ao todo, a unidade possui 1.270 estudantes, do P4, P5 até o 5º ano, mais a EJA. São dez profissionais trabalhando no suporte do projeto na escola, dos quais oito permanecem no período da tarde e dois atuam também em outras unidades.
Segundo a diretora Patrícia Cavalcanti Ramos Shinaide, um dos fatores que melhoram o acompanhamento é a assessoria por profissional de psicologia no trato pedagógico, aperfeiçoando as estratégias. “Temos visto crianças que antes tinham muitas crises e não ficavam em sala, agora permanecendo, por conta da abordagem feita com elas. Nossa psicóloga, Fernanda, além de assessorar os PES, também faz o intercâmbio com esses profissionais para melhor entendimento dos casos, sempre com estudo do comportamento das crianças para intervenções mais certeiras e efetivas. O projeto também possibilitou aumento de recursos humanos para atender essas demandas, já que antes era o próprio professor de sala responsável por isso. É um grande avanço, precisamos de outros ainda, mas é um caminho muito bom sendo construído e tem tudo para dar certo”, concluiu.




