Londrina é selecionada pelo Governo do Japão em programa voltado a cidades carbono zero
Município vai desenvolver iniciativas sustentáveis em parceria com a cidade irmã Nago e empresas japonesas
Graças à coirmandade entre Londrina e Nago, a cidade brasileira foi o único município do país selecionado, em 2026, pelo Ministério do Meio Ambiente do Japão dentro do programa City-to-City Collaboration, voltado a sociedades carbono zero. Com isso, as cidades-irmãs iniciam as tratativas para elaborar e executar, de forma conjunta e em parceria com a Oriental Consultants, iniciativas voltadas ao desenvolvimento carbono zero. O projeto aprovado contempla as áreas de economia de energia, energia renovável, gestão de resíduos, transporte, apoio à construção institucional e desenvolvimento de cidades inteligentes (Smart Cities).
Nesta sexta-feira (15), o prefeito Tiago Amaral recebeu a visita do gerente-assistente Fuji Masanori, da Divisão de Projetos Internacionais da Oriental Consultants, e do diretor-geral adjunto da Kyowa Kako, Kiyonori Nakamura. Antes, os executivos participaram de uma reunião técnica com representantes das secretarias municipais de Governo, do Ambiente (SEMA) e da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).

Na ocasião, Tiago reforçou que Londrina está de portas abertas para receber grandes projetos e parceiros internacionais. Ele também destacou que a Prefeitura permanece à disposição para contribuir com as iniciativas propostas.
O projeto carbono zero, envolvendo Londrina, Nago e a Oriental Consultants, terá intensa troca de informações e tecnologias, além de incluir parceiros da sociedade civil e da iniciativa privada. O objetivo é estruturar um modelo sustentável de infraestrutura ambiental, por meio da assinatura de um Memorando de Cooperação entre as duas cidades, considerando inclusive a utilização do Mecanismo Conjunto de Créditos (JCM), sistema do Governo do Japão voltado ao financiamento de projetos, além de outros instrumentos.

O anúncio da seleção do projeto envolvendo as duas cidades ocorreu em abril. Essa foi a primeira reunião para apresentação do projeto e, em agosto, está prevista a visita do prefeito de Nago a Londrina, ocasião em que deverá ser formalizada a colaboração entre as cidades-irmãs, explicou a diretora de Governança e Relações Internacionais da Secretaria Municipal de Governo (SMG), Cláudia Prazeres. “Agora, vamos alinhar os próximos passos. Trabalharemos em conjunto com outras secretarias para a implementação de iniciativas já adotadas em Nago. Posteriormente, será enviada uma equipe técnica para a realização de um diagnóstico, com previsão para o mês de outubro”, detalhou.
Prazeres afirmou que a participação no projeto representa mais um avanço significativo no fortalecimento da cooperação internacional, reafirmando o compromisso de ambas as cidades com a sustentabilidade e com a construção de soluções concretas para os desafios climáticos globais. “Ao nos aproximarmos de 2028, quando celebraremos 30 anos de relação entre nossas cidades, este projeto ganha ainda mais relevância, consolidando Londrina como protagonista no cenário internacional e reforçando seu compromisso contínuo com o desenvolvimento sustentável”, ressaltou.

Atualmente, a Oriental Consultants já atua em países como Vietnã, Indonésia, Chile, Índia e Tailândia. O projeto com Londrina e Nago será o primeiro da instituição em território brasileiro, destacou Fuji Masanori. “Como existe essa cooperação entre Nago e Londrina há mais de 30 anos, com este projeto queremos intermediar a introdução de atividades que Nago já desenvolve no Japão e que podem ser realizadas em conjunto aqui em Londrina, relacionadas ao carbono zero”, explicou.
Uma das etapas do projeto, cuja duração deve ser de três anos, envolve a elaboração de um estudo de viabilidade, previsto para ocorrer ainda neste ano, além de discussões entre as duas cidades sobre políticas climáticas e descarbonização. “O entendimento é que empresas japonesas, a partir dos resultados desse estudo, possam introduzir suas tecnologias em Londrina para implementar políticas de carbono zero. Mas, para que isso se concretize, é necessária a cooperação tanto dos órgãos governamentais quanto da iniciativa privada, para que essas empresas encontrem parceiros locais para implantação dessas tecnologias. Também é necessário apoio governamental em relação a regulamentações, legislações, políticas públicas e planejamento estratégico municipal”, destacou.
O tratamento de lodo orgânico está entre as propostas cogitadas para implementação em Londrina. Trata-se de uma alternativa segura para utilização do resíduo do sistema de tratamento de esgoto na substituição de combustível. Considerando o perfil e o potencial de Londrina, a expectativa é analisar o que já vem sendo desenvolvido e aplicado pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) em conjunto com a Kyowa Kako. Também estão previstas a aplicação de tecnologias já comprovadas de conversão de resíduos em combustível e aproveitamento térmico, bem como soluções de cidade inteligente e mobilidade com uso de tecnologias japonesas.
A reunião técnica desta sexta-feira (15) contou ainda com a participação da representante do Departamento de Negócios Internacionais da Kyowa Kako, Harumi Odawara, e do fundador da empresa Mão Colorida, Marcos Vargas.




