Programa da Prefeitura transforma madeira de podas em espaços de brincar para crianças
Parques naturalizados serão instalados em praças do município com materiais provenientes da arborização urbana; projeto-piloto está previsto para o Jardim Maristela, na zona sul
Com o objetivo de ofertar às crianças de Londrina um espaço adequado para seu desenvolvimento e contato com a natureza, a Prefeitura está desenvolvendo o programa de Parques Infantis Naturalizados. A iniciativa, coordenada pela Secretaria Municipal do Ambiente (SEMA) em parceria com o Instituto de Pesquisa e Planejamento de Londrina (IPPUL), prevê a produção de elementos em madeira reaproveitada da poda urbana com instalação em praças públicas. As peças podem ser aplicadas na construção de brinquedos, cercas vivas, elementos paisagísticos e outros. E, no caso dos parques infantis, o foco principal será garantir a proximidade das crianças com a natureza.
O projeto dos parques infantis vem sendo desenvolvido pelo IPPUL, responsável pela pesquisa e idealização para a futura implantação, com base na parceria estabelecida com Secretaria Municipal do Ambiente (Sema). Essa atuação conjunta abrange a construção de uma diretriz municipal voltada ao planejamento de espaços brincantes, integrando urbanismo, infância, meio ambiente e participação social em uma política pública transversal e inovadora. Trata-se da Política Municipal Cidade, Criança e Natureza, em estudo desde fevereiro de 2026 e que resultará em um Sistema Integrado de Territórios Brincantes (SITB).
“A proposta dos parques naturalizados surgiu a partir da necessidade de ampliar o conceito de conservação e restauração das áreas verdes urbanas, superando uma lógica de conservação apenas passiva e avançando para a criação de territórios das infâncias – espaços vivos, acessíveis e pensados para o brincar, a convivência e a relação das crianças com a natureza”, disse o secretário municipal do Ambiente, Gilmar Domingues Pereira.
Um levantamento do IPPUL identificou que, atualmente, Londrina conta com mais de 150 parques infantis. “Os parques naturalizados são uma iniciativa maravilhosa. Todas as podas existentes na cidade de Londrina geram material que, até então, era descartado. E esse projeto inclui o reaproveitamento dos materiais naturais, resíduos da própria arborização de Londrina. Transformaremos esse material descartado em parques e brinquedos infantis, dentro da ideia de sustentabilidade e de Soluções Baseadas na Natureza. É uma demanda que abraçamos com muito entusiasmo e temos o empenho de várias secretarias para conseguirmos executar o mais rapidamente possível”, frisou o presidente do IPPUL, Claudio Bravim.

Aproveitar a madeira resultante de podas e remoções das árvores da área urbana é um dos grandes diferenciais desse programa. Afinal, trata-se de resíduo que pode ser transformado em diferentes produtos e soluções, em benefício do próprio município e da população. De acordo com a assessora de Gabinete da Sema, Bruna Yamashita, a expectativa é otimizar o reaproveitamento da madeira proveniente das podas realizadas pela própria Prefeitura, garantindo rastreabilidade e segurança técnica. “Proporciona, também, a adequação dos materiais que podem ser produzidos e executados pelos descritivos dos catálogos específicos de mobiliários e estruturas, elaborados pelo IPPUL dentro das normas técnicas e de segurança, para execução em madeira urbana”, afirmou.
Mais do que utilizar a madeira reaproveitada para produzir os mobiliários, os parques naturalizados têm como premissa promover explorações ativas, livres e criativas das crianças, estimulando experiências motoras, sensoriais, sociais e cognitivas por meio da interação direta com a natureza. Yamashita explicou que, diferentemente dos parques convencionais, eles são desenhados considerando as características do relevo, do solo e da paisagem do local, integrando-se à rede de áreas verdes urbanas e contribuindo para a regeneração ambiental da cidade. “Para além de se constituírem como equipamentos de brincar, esses espaços valorizam o brincar livre na natureza, fortalecem o vínculo entre famílias e espaços públicos e incentivam uma relação mais próxima das crianças com o meio ambiente. Além disso, promovem benefícios urbanos e ecológicos, como aumento da cobertura vegetal, conforto térmico, melhoria da drenagem e qualificação do habitat para fauna e flora”, acrescentou.
O programa inclui, ainda, a criação de uma Serraria Municipal, a ser implementada no Viveiro Municipal, com contratação de equipamentos e maquinário. A Serraria Municipal ficará responsável pelo beneficiamento e destinação da madeira residual, que pode ser a criação de peças prontas para os brinquedos e demais mobiliários dos parques, ou ainda trituração, para uso em cobertura de solo ou como material de compostagem.

Os ganhos que essa proposta traz para a comunidade londrinense incluem economicidade, responsabilidade pública, coerência ambiental e justiça social, por utilizar recursos e resíduos produzidos pelo próprio município. “Ao mesmo tempo, proporciona às crianças e à comunidade condições mais favoráveis de habitar, conviver e se apropriar das áreas verdes da cidade. A ausência de áreas verdes qualificadas, somada à precariedade da infraestrutura urbana, impacta diretamente o desenvolvimento cognitivo, motor, psicológico e social das crianças. Nesse sentido, os parques naturalizados surgem como uma estratégia concreta de adaptação climática, regeneração ambiental e promoção da infância”, enfatizou a assessora de Gabinete da Sema.
O primeiro parque infantil naturalizado deve ser implementado na praça localizada no Jardim Maravilha. Esse projeto-piloto integra uma proposta que já está em andamento e conta com recursos do Fundo Municipal do Meio Ambiente (FMMA) para sua execução. “A iniciativa está diretamente relacionada às ações de conservação de uma nascente na região do Jardim Cristal, na zona sul de Londrina. Estamos construindo um modelo que integra conservação ambiental, Soluções Baseadas na Natureza, recuperação ecológica e criação de espaços de pertencimento e convivência para a população. A ideia é que a nascente deixe de ser apenas uma área recuperada tecnicamente e passe a ser um território vivo, educativo e integrado à comunidade, fortalecendo a relação das pessoas com a água, com a natureza e com a cidade”, detalhou Yamashita.
Segundo o diretor de Projetos do IPPUL, Rogério Móvio, os cadernos técnicos orientativos, referentes aos Parques Infantis Naturalizados, já estão em finalização. “Numa primeira fase, os brinquedos idealizados no catálogo do IPPUL poderão ser licitados a empresas interessadas na confecção para essa implantação inicial. Em um segundo momento, espera-se o desenvolvimento de uma equipe de carpintaria na SEMA junto ao Viveiro e à Serraria Municipal, capaz de desenvolver, com nossa matéria-prima, nossos primeiros brinquedos”, citou.
Móvio destacou que o envolvimento e engajamento da comunidade é parte primordial desse programa, desde a etapa de elaboração do projeto até os cuidados e apropriação após a implantação. “O programa dos Parques Naturalizados prevê, ainda, ações pós-implantação de manutenções periódicas por parte do município e avaliação para melhorias constantes nos projetos e processos”, adiantou.
Além do IPPUL e da Sema, o programa envolve, ainda, as Secretarias Municipais de Educação, Cultura, Assistência Social e a Fundação de Esportes de Londrina (FEL).




