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Sacolas Camponesas ampliam acesso a alimentos e fortalecem geração de renda no campo

Iniciativa conecta produtoras rurais e consumidores por meio da Economia Solidária, promovendo alimentação saudável e valorização da agricultura familiar

A Associação Sacolas Camponesas do Eli Vive realiza todos os sábados, das 10h30 às 13h30, a entrega de alimentos agroecológicos no Espaço Araucária – Inclusão e Arte, localizado na rua Guararapes, 331, em Londrina. A iniciativa reúne mulheres agricultoras do Assentamento Eli Vive, no distrito de Lerroville, com o objetivo de fortalecer a geração de renda no campo e ampliar o acesso da população urbana a alimentos saudáveis, produzidos sem agrotóxicos e por meio da agricultura familiar.

Foto: Divulgação

A ação é acompanhada pela equipe do Programa de Economia Solidária da Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS), vinculada ao eixo de Inclusão Produtiva. Além da comercialização dos alimentos, este trabalho promove os princípios da Economia Solidária, como cooperação, autogestão, trabalho coletivo, fortalecimento da agricultura familiar, consumo consciente e geração de renda para mulheres do campo.

O processo de produção agroecológica exige dedicação diária e técnicas específicas de cultivo. A produtora e integrante das Sacolas Camponesas do Assentamento Eli Vive, Ivonete Oliveira, explicou que o manejo sem agrotóxicos demanda mais trabalho, mas gera benefícios importantes para produtores e consumidores. “Como não utilizamos agrotóxicos, todo o manejo é feito manualmente, com enxada e retirada de mato à mão. A produção orgânica traz benefícios importantes para a qualidade de vida, porque podemos consumir os alimentos sem preocupação, sabendo que não contêm venenos. Além disso, há um impacto positivo na renda familiar, já que os produtos orgânicos possuem um valor agregado maior”, afirmou.

Foto: Divulgação

A logística de transporte representa um dos principais desafios enfrentados pelas agricultoras. Segundo Oliveira, a distância entre o assentamento e Londrina exige organização para garantir que os alimentos cheguem em boas condições aos consumidores. “A situação melhorou bastante depois que recebemos o caminhão. Antes utilizávamos uma Kombi própria, mas o espaço era limitado e, em alguns casos, os produtos acabavam sendo amassados durante o trajeto. Com o caminhão, conseguimos transportar tudo com mais segurança e preservar melhor a qualidade dos alimentos”, relatou.

O trabalho coletivo é fundamental para o funcionamento da iniciativa. De acordo com Oliveira, cada produtora contribui com os alimentos cultivados em sua propriedade para compor os pedidos realizados pelos consumidores. “As companheiras responsáveis pelos pedidos recebem as encomendas feitas pelo site e distribuem a demanda entre as produtoras. No sábado pela manhã, nos reunimos no centro da comunidade para montar as sacolas de acordo com o pedido individual de cada consumidor. Depois disso, seguimos para Londrina para realizar as entregas”, contou.

Foto: Divulgação

Um dos fatores acentuados é a valorização da produção, apontada como uma das maiores conquistas do projeto. Para a produtora, a iniciativa permite que as agricultoras gerem renda sem abrir mão dos princípios da produção agroecológica. “É muito gratificante saber que recebemos apoio e, ao mesmo tempo, conseguimos fortalecer outros grupos e famílias agricultoras. Mais do que isso, temos a satisfação de oferecer alimentos saudáveis para crianças, idosos e para toda a população. São produtos cultivados sem agrotóxicos, sem adubos químicos e produzidos diretamente pelas famílias”, destacou.

Atrativos – A qualidade dos alimentos e a praticidade do sistema de encomendas são fatores que atraem os consumidores. A consumidora Brunielly Rodrigues contou que a iniciativa passou a fazer parte de sua rotina por oferecer produtos frescos e produzidos de forma responsável. “Consumir respeitando a sazonalidade nos reconecta com o ritmo da terra, trazendo mais saúde, sabor e a certeza de estar oferecendo o melhor para a minha família”, afirmou.

A consolidação do projeto ocorreu a partir da organização coletiva das produtoras do assentamento. A gerente de Inclusão Produtiva da Secretaria Municipal de Assistência Social, Carolina Bungart, enfatizou que a proposta surgiu para fortalecer uma atividade que já era desenvolvida pelas mulheres do Eli Vive. “As Sacolas Camponesas iniciaram em 2016 por meio de um projeto de extensão da UEL. O objetivo principal era reunir as mulheres que já produziam no Assentamento Eli Vive para realizarem a produção coletiva de hortifrúti e as vendas em Londrina. Inicialmente, a comercialização ocorria na própria universidade”, pontuou.

Foto: Divulgação

A integração ao Programa de Economia Solidária ampliou as possibilidades de desenvolvimento do grupo. Segundo Bungart, a associação já trabalhava com princípios alinhados à proposta da política pública municipal. “Quatro anos depois, em 2020, elas passaram a integrar o programa municipal de Economia Solidária, pois já atuavam com base nos princípios de trabalho coletivo, autogestão e cooperação. Posteriormente, formaram a Associação das Mulheres do Assentamento Eli Vive. Atualmente, a produção segue integralmente no assentamento, com produtos livres de agrotóxicos”, afirmou.

Criada em 2016 como projeto de extensão da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a iniciativa passou a integrar o Programa Municipal de Economia Solidária em 2020. Atualmente, o grupo é formado por oito mulheres residentes no assentamento e conta com apoio da Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS), responsável administrativamente pelo programa, além da parceria histórica com a UEL. A comercialização ocorre por meio de encomendas realizadas via formulário eletrônico, encaminhado aos consumidores por WhatsApp, facilitando a conexão entre produtores e consumidores. Mais informações aqui ou na página do projeto no Instagram.

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