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Oficinas preparam equipes das UBSs para apoiar mães durante a amamentação 

Formações práticas atualizam os profissionais da Atenção Primária para orientar mães, identificar dificuldades e prevenir o desmame precoce 

Amamentar, em muitos casos, pode envolver dúvidas e desafios, especialmente nos primeiros dias após o parto. E para fortalecer o acolhimento e a orientação oferecidos às mães nesse período tão importante, a Prefeitura de Londrina iniciou, na semana passada, cursos práticos voltados às equipes das Unidades Básicas de Saúde (UBSs). A capacitação prepara e atualiza os conhecimentos dos profissionais da Atenção Primária para que orientem corretamente as famílias sobre a importância do aleitamento materno, além de esclarecer dúvidas e identificar possíveis dificuldades que possam interferir e prejudicar a amamentação. 

Foto: Emerson Dias/ NCom

Doze dias após sua cesariana, a dona de casa Rayssa Gomes foi até a Unidade Básica de Saúde (UBS) do Ernani levar o filho Ravi Lucca para avaliação médica. Grávida do primeiro filho, ela passou por uma cesariana agendada no Hospital Universitário da UEL, indicada pelo quadro materno de hipertensão arterial. Agora, quase duas semanas depois, segue com os cuidados para que o pequeno Ravi cresça com bastante saúde.  

E uma das principais medidas que vão fortalecer Ravi é receber o leite materno, pelo menos nos seus primeiros seis meses de vida. Raissa Gobbs contou que recebeu orientações durante o acompanhamento pré-natal realizado na UBS do Ernani, e logo após a cirurgia já conseguiu amamentar. “Só no primeiro momento que foi um pouquinho difícil para ele pegar o seio, mas logo consegui amamentar. E ele mama bem, até demais. Às vezes, pede de duas em duas horas, mas na maior parte do tempo é de três em três horas. Isso o dia inteiro, de noite, até na madrugada”, contou. 

A mãe de primeira viagem confessou que amamentar é cansativo e, por vezes, dolorido, mas vê de forma positiva a experiência. “Sei da importância do leite para o bebê, e tem sido legal. Geralmente ele mama por uns 20 minutos, e se tirar antes de estar satisfeito ele pede de novo. Para outras mães, digo que vale a pena insistir, porque para eles é uma coisa boa, então não desistam”, afirmou.  

Foto: Emerson Dias/ NCom

Na primeira consulta de mãe e filho em ambulatório clínico, conduzida na UBS do Ernani pela médica de Família e Comunidade da SMS, Jéssica Ananda de Araújo, participaram também os médicos Raquel Teixeira Suave e Amaro Gilberto Wakusanga, este último residente em Medicina da Família e Comunidade (MFC). O bebê Ravi Lucca está com boa saúde, mas foi identificada anquiloglossia, uma anomalia congênita que restringe a movimentação da língua e pode dificultar a amamentação e o desenvolvimento craniofacial. Por isso, foi encaminhado para a Bebê Clínica da UEL, onde será avaliado novamente pelo serviço de Odontologia.  

Wakusanga, que é intercambista de Angola, disse que essa foi sua primeira capacitação dentro das formações promovidas pela Secretaria Municipal de Saúde pela campanha Agosto Dourado. “Almejo participar de novas oportunidades ao longo da ação, visto que essa vivência integra as competências essenciais a serem desenvolvidas na minha formação em Medicina de Família e Comunidade. Como a MFC se consolida na prática territorial, a inserção ativa nessas atividades fortalece a bagagem prática e amplia a visão comunitária, tornando imensurável o valor do aprendizado adquirido”, explicou.  

Nessa primeira oficina prática, na UBS do Ernani, o médico residente diz ter aprendido bastante e indicou, como exemplo, a forma de estruturação da consulta do binômio, isto é, da mãe e bebê em conjunto, na qual o primeiro atendimento é realizado pela equipe de enfermagem e depois, ocorre a consulta médica. “Embora o tema seja bem abordado no ambiente de aprendizagem, a prática no campo de estágio é essencial para complementar a teoria. Essa vivência permite solidificar o conhecimento sobre o assunto, considerando que se trata de uma demanda frequente na Atenção Primária. Considero oportuna a promoção de uma capacitação prática em aleitamento materno, com o intuito de atualizar e qualificar a atuação da equipe. Assim, busca-se aperfeiçoar a prática diária dos profissionais e oferecer uma assistência de excelência aos nossos usuários”, acrescentou. 

Foto: Divulgação/ Saúde

E as capacitações não se restringem ao espaço das unidades de saúde. Maria Fernanda Sanches Dias de Oliveira, que reside no Assentamento Aparecidinha, recebeu em sua casa a equipe de Enfermagem da UBS do Chefe Newton para uma primeira avaliação após a alta da Maternidade Municipal Lucilla Ballalai, onde teve sua filha Isis Manuela.  

Residindo em Londrina há três anos, a mãe agradeceu o carinho das profissionais, e comentou que ainda se impressiona ao receber as equipes de saúde. “Acho bem melhor vocês virem aqui para ver como a neném está e conferir ao mesmo tempo a saúde da mãe e do bebê. Nunca fui de receber visita e acho isso bem legal, é muito bacana. Minhas portas estarão sempre abertas para vocês”, disse.  

Sobre o parto da filha caçula, Oliveira comemorou que foi muito rápido. Após passar o dia com contrações, ela foi até a UBS para uma consulta do pré-natal e recebeu o encaminhamento imediato para a Maternidade. Teve tempo somente de voltar para casa com o filho mais velho, Davi Miguel, buscar a bolsa da bebê e deixar um recado para o esposo, ainda no trabalho. “Chamei um carro de aplicativo e cheguei na maternidade com 9cm de dilatação. Só fizeram a minha ficha e fui direto para a sala de parto, ela nasceu muito rápido. Foi tudo incrível. Nasceu bem gordinha, com 50cm e 3,174kg. Eu estava muito nervosa, pensando que ia ser igual a anterior, e tinha medo porque na primeira vez sofri muito. Orei a Deus, pedi a ele e deu tudo certo, ela nasceu perfeita”, relembrou. 

Foto: Divulgação/ Saúde

A mãe, que amamentou o primogênito até os oito meses, contou que o aleitamento deu certo desde o início, embora tenha percebido que, em alguns momentos, a filha demonstra desconforto. “A mamada tem ido bem, noto que às vezes ela se irrita e solta, mas logo pega novamente. Não sei se é pelo refluxo ou outra coisa. Mas não dou nenhum outro líquido, nem água ou chá. É uma maravilha amamentar, esse contato pele a pele da mãe com o bebê é tão gostoso. Mesmo ainda sendo muito novinha, vejo ela me encarando enquanto estamos nesse momento e me sinto muito importante. Pretendo amamentar pelo tempo que for necessário, talvez até mais do que os seis meses”, comentou.  

Em seguida, a pequena Isis Manuela passou por uma avaliação física completa, para conferir como está sua saúde nesses primeiros dias de vida. A equipe, formada pelas enfermeiras Gabriela Curan e Melissa Reche, a auxiliar de enfermagem Lucilene Soares Miranda e o Agente Comunitário de Saúde (ACS) Dalson Luis Hidalgo, identificou uma criança bem hidratada, saudável, esperta e com bastante apetite.  

Cuidado para mãe e bebê – A médica de Família e Comunidade, Jéssica Ananda Damasceno de Araújo, que atua na UBS do distrito de São Luiz, aderiu ao convite da SMS para compor a equipe de instrutores por se identificar com o tema. Ela detalhou que, nas consultas em que mãe e bebê são atendidos juntos, a abordagem é integral para ambos. “Avaliamos fatores de risco, tratando o que for necessário e, principalmente, ofertando acolhimento e orientações sobre o puerpério e o período neonatal, individualizado para cada paciente. A consulta na primeira semana é extremamente importante para o aleitamento materno, pois as dúvidas e dificuldades que surgem podem ser sanadas para que a amamentação prossiga de maneira adequada, trazendo benefícios para mãe e bebê. A diferença entre as duas abordagens é a equipe que realiza e a possibilidade de avaliação no contexto domiciliar, onde se dá o cuidado. E geralmente, por questões de agenda, a primeira consulta é realizada com a equipe de enfermagem”, apontou. 

Foto: Emerson Dias/ NCom

Cientes de que a amamentação, além de essencial para o desenvolvimento da criança e prevenção de doenças, fortalece o vínculo e resulta em muitos outros benefícios desde os primeiros dias de vida, muitas gestantes pretendem amamentar. No entanto, com a chegada do bebê, essa mulher precisa ter o tempo e as condições necessárias para se dedicar a essa tarefa. “Muitas vezes há desmame precoce por dificuldades que podem surgir, não por falta de desejo de amamentar, por isso é extremamente importante que toda a equipe atuante na Atenção Primária esteja atualizada sobre o tema. Somos porta de acesso e primeiro contato ao sistema de saúde, o que permite a procura por auxílio sem demora, para que o aleitamento permaneça sempre que possível e desejado”, enfatizou a médica. 

Ela reforça que as mães que estejam passando por dores, incômodos, ou até mesmo que tenham dúvidas sobre o leite, procurem sua UBS de referência. “Temos profissionais capacitados para realizar acolhimento, prestar informações, auxiliar na solução de problemas ou, de acordo com a necessidade, encaminhar o paciente para atendimento em outros pontos da rede”, frisou. 

Foto: Emerson Dias/ NCom

Com duas décadas de trabalho na UBS Ernani, a enfermeira Marisa Bicalho Figueiredo Machado, coordenadora da unidade, reforçou a importância da consulta e avaliação puerperal. Segundo a enfermeira, é feito um acompanhamento das mulheres que fazem o pré-natal e a UBS também recebe um e-mail avisando sobre o parto, quando ocorre na Maternidade Municipal. “Além das orientações que passamos no pré-natal, também realizamos essa visita no pós-parto, sempre que possível no domicílio. É o momento que verificamos se o bebê tem uma boa pega, como está a higiene dele e da mãe, e se ela tem tido alguma dificuldade para amamentar, pois tem sido comum o desmame precoce”, citou. 

De acordo com a coordenadora da UBS do Ernani, a demora em procurar ajuda ou apoio profissional provoca o desmame precoce, que é quando o bebê deixa de ser amamentado antes dos seis meses. “Por isso que é importante a gente acompanhar a data provável do parto, para poder ir lá, ver o que essa mulher precisa, se realmente é uma dificuldade que ela tem, às vezes na mama, como o mamilo invertido, ou o que também ocorre nos primeiros dias, de ter um pouquinho de leite. Então damos todas as orientações para aumentar essa produção do leite, de ter a forma correta para o bebê pegar o bico, e todo o apoio que a mãe precisa nesses dias. Algumas mães apresentam alguma dificuldade e já não tentam mais, introduzem o leite artificial. Já até teve caso de usarem o leite de vaca mesmo. O quanto antes a gente conversar com essa puérpera e ver quais as dificuldades que ela está enfrentando, melhor”, destacou. 

Além das UBSs do Chefe Newton e do Ernani, também recebem as oficinas práticas em amamentação as unidades do Vivi Xavier, Novo Amparo, Ouro Branco, Santa Rita, Jardim do Sol, Milton Gavetti, União da Vitória e Carnascialli. Com 17 instrutores no total, as formações tiveram início em 27 de julho e prosseguem até o final de agosto. 

Agosto Dourado – O lançamento oficial da campanha municipal de incentivo à amamentação será nesta sexta-feira (7), às 9h, no auditório da Prefeitura (Avenida Duque de Caxias, 635, 2º andar).  

Além das capacitações presenciais e práticas para profissionais de saúde, a programação desse ano inclui atualização da Nota Técnica do Comitê de Estímulo ao Aleitamento Materno de Londrina (CALMA) sobre a complementação de recém-nascidos a termo e saudáveis e, também, da Nota Técnica sobre indicação da frenotomia, além do fortalecimento do acompanhamento em saúde bucal dos lactentes nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). 

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