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Londrina consegue aprovação histórica para reduzir déficit habitacional

Aprovação de PL vai promover investimento de quase R$700 milhões para tirar famílias de áreas insalubres e ocupações

A Prefeitura de Londrina conseguiu aprovação, por 15 votos a 4, de uma iniciativa histórica que vai mudar a realidade social da cidade. A Câmara de Vereadores autorizou a desafetação de 17 áreas públicas urbanas para construção de moradias populares. Serão investidos quase R$ 700 milhões na construção de unidades habitacionais para famílias em situação de vulnerabilidade social.

“Eu tenho uma filha autista e estou há 20 anos na fila da Cohab-Ld. Por ser mãe solo de uma pessoa atípica, nunca pude trabalhar regularmente. Dependo de benefícios e por não ter condições de pagar aluguel estou há dez anos na ocupação do Flores do Campo. Eu estou lá por não ter mais pra onde ir, se eu tivesse alguma condição, jamais estaria com minha filha em uma área sem a mínima estrutura”. A declaração da dona de casa Regiane Montiar Nascimento expressa o sentimento de centenas de mães que sobrevivem em ocupações irregulares na periferia de Londrina.

Mães solo de filhos atípicos comemoram a aprovação do projeto. Foto: Emerson Dias

Agora, o apelo se transforma em possibilidade real de viver com dignidade. A Prefeitura conseguiu aprovar o Projeto de Lei 192/2026, que libera 17 áreas públicas para a construção de moradias sociais com recursos do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), por meio do programa Minha Casa Minha Vida e da Caixa Econômica Federal. Apenas uma área prevista no projeto inicial foi excluída, em decorrência da aprovação de uma emenda proposta na Câmara Municipal. Desta vez, a iniciativa conta com uma vantagem em relação a programas anteriores realizados em Londrina. Os terrenos estão inseridos em regiões já urbanizadas, facilitando o acesso aos aparelhos públicos, tais como escolas e unidades básicas de saúde.

Atualmente, cerca de 3.500 famílias vivem em condição de vulnerabilidade social em Londrina, em habitações irregulares espalhadas pela periferia da cidade. Com a aprovação do PL, a previsão é tirar mais de 2 mil famílias dessa condição, aproximadamente 60% do total, com a oferta de moradia digna. Somando a esse número construções em áreas destinadas pela Cohab-Ld e outras 680 unidades que serão entregues até o fim do ano, a expectativa é mudar expressivamente a realidade social de Londrina.

O prefeito Tiago Amaral destacou que essa é uma das prioridades da gestão. “Eu conheço a realidade dessas pessoas e estou fazendo o possível para acabar com a situação de insalubridade e vulnerabilidade dessas famílias. A prioridade é dar a elas, em especial às crianças, a possibilidade de um futuro melhor, com moradia digna”, afirmou o prefeito.

Moradores de áreas vulneráveis acompanharam as votações. Foto: Emerson Dias

Os critérios para seleção dos possíveis beneficiados é do Ministério das Cidades e incluem famílias que vivem em áreas de risco ou insalubres, mulheres chefes de família e pessoas com deficiência. A Cohab tem 60 mil cadastros de munícipes em busca de habitação e, com a aprovação deste projeto, a fila voltará a fluir.

“É uma vitória histórica. Estamos retomando políticas que estavam abandonadas havia décadas. Estamos estabelecendo um marco, priorizando a vida e a dignidade humana por meio da garantia de um direito fundamental, que é a moradia. Agradecemos o apoio da população, por meio de seus representantes na Câmara e avançaremos, pois não há nada mais urgente do que isso”, reforçou o prefeito Tiago Amaral.

Dayane Gonçalves Albino, moradora do Flores do Campo. Foto: Emerson Dias / NCom

A freelancer em eventos Dayane Gonçalves Albino tem três filhos e também está esperançosa com a aprovação do projeto. “Somos moradores do Flores do Campo e estamos em busca de moradia digna, queremos sair da ocupação onde estamos. Quero dar um melhor acesso à escola para as crianças, transporte público, saneamento básico. Precisamos ter o mínimo pra viver e para criar nossos filhos”, explicou.

A aprovação do PL 192/2026 é resultado de uma grande articulação da Prefeitura de Londrina junto ao Governo Federal, Caixa Econômica e Poder Judiciário, em parceria com o Governo do Paraná, para que a cidade voltasse a receber moradias financiadas pelo Fundo de Arrendamento Residencial (FAR). O próximo passo, após a sanção da Lei pelo prefeito, é a fase de execução prática. As empresas responsáveis pela construção das moradias, que já passaram pelo processo licitatório, deverão apresentar toda a documentação à Caixa Econômica Federal (CEF) para dar início às obras.

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