Letramento Digital reforça educação para tecnologias em 20 escolas
Projeto já atendeu 2.500 alunos da Rede Municipal de Ensino de Londrina, com iniciação a programação e robótica
A cultura da inovação para a resolução de problemas tem um espaço especial garantido em 20 escolas da rede municipal em Londrina: as oficinas do projeto Letramento Digital. Atualmente, 596 alunos de 4o e 5o anos frequentam a atividade no contraturno escolar, onde aprendem lógica de programação, além de princípios de eletroeletrônica e de robótica.
Na Escola Municipal Joaquim Vicente de Castro, no Conjunto Cafezal, três turmas se reúnem semanalmente para as aulas do projeto. No período matutino, o grupo é orientado pelo professor Josué Carlos Salvadego Junior. Ele explica que as primeiras aulas se baseiam em programação 2D, ou seja, na compreensão da programação de comandos que rodam dentro do computador. A partir desta experiência, a turma é convidada a construir aplicações que funcionem para coisas do dia a dia, como o acionamento de um semáforo ou o funcionamento de uma mão robótica, por exemplo.

“É como se fosse uma alfabetização nesse tipo de linguagem, que é específica. A gente ensina um uso positivo das tecnologias, para que no futuro elas tenham uma familiaridade com o assunto”, descreveu o professor, que integra o Grupo de Trabalho para Estudos em Tecnologia da Secretaria Municipal de Educação. Formado em Pedagogia, ele foi incentivado pela diretoria da escola a fazer a formação do projeto, que incluiu aulas presenciais e online. “Esse é meu hobby desde pequeno, meu pai sempre me inscrevia em cursos de Informática, faço edição de vídeo. Eu gosto pra caramba”, contou.
O entusiasmo do professor é compartilhado pelas crianças. Frequentadora da atividade de contraturno desde o ano passado, Yasmin Andrade conta com orgulho sobre o robô que construiu com a colega Valentina: “A gente pintou ele de roxo, fez olhos e colocou três microbits para controlar os movimentos: para frente, direita e esquerda”, lembrou. Mais recentemente, ela está aprendendo a criar combinações e fazer modificações sobre a criação aberta de outros programadores, um movimento chamado de “remixagem”, que ela usou para construir um jogo de labirinto com o personagem Pac-Man. Com opções abertas sobre que profissão escolher no futuro, ela já sabe que as habilidades adquiridas na escola irão acompanhá-la: “Vai ajudar bastante, porque eu já sei fazer um robô, já sei programar do básico, e vou aprendendo a fazer o avançado. De pouquinho em pouquinho”, explicou.
Quem vive a experiência de frequentar as atividades inspira outros colegas a também quererem participar. Assim foi com Elisa Catarina, que entrou este ano para a turma depois de ter a curiosidade aguçada por uma amiga da escola. “Eu via que ela fazia os postes, semáforos, aí achei que seria muito legal e entrei”, contou. A expectativa, segundo ela, foi confirmada: “O que mais gostei de fazer foi o semáforo”.
Por outro lado, o professor Junior conta que o contato com alunos que já partiram para o Ensino Fundamental II permanece. “Eles vêm aqui para tirar dúvidas, aí já trazem perguntas mais elaboradas, que eu mesmo preciso pesquisar para responder”, contou.
Ensino digital está presente em toda a escola
Além de conduzir as aulas do Letramento Digital, Junior trabalha com aulas de informática que atendem todas as 600 crianças no laboratório da escola, do P5 ao 5º ano; nestes momentos, o uso do computador e de tablets serve para acessar conteúdos trabalhados em outras disciplinas, como a alfabetização dos menores e os desafios de matemática e astronomia para os anos finais do Fundamental I. Ele ainda auxilia os demais professores da escola no uso de tecnologias no cotidiano das salas de aula, inclusive com kits móveis de informática.

De acordo com a diretora da Escola Municipal Joaquim Vicente de Castro, Flaviani Baraldi, a estrutura que a escola possui hoje é a realização de um sonho. “Ter um espaço apropriado para isso faz toda a diferença. Associado a professores capacitados, que entendem do assunto e que são apaixonados pelo que fazem, e com a vontade das crianças, é algo fantástico”, avaliou. Ela destacou que, além de dinamizar aprendizagem formal, o uso da tecnologia na prática tem estimulado as crianças que apresentam dificuldade de aprendizagem. “Usando essas ferramentas, jogos e aplicativos, temos crianças que se desenvolvem muito rápido”, disse Baraldi.
A gestora destaca, ainda, que a educação para o uso das tecnologias ultrapassa os muros da escola. “O tempo das crianças hoje acaba sendo ocupado pela tecnologia. E nesse processo, o professor consegue mediar com orientações. Elas conseguem ver que dá para usar a tecnologia para coisas bacanas que vão servir de aprendizado para elas, como alternativa aos vídeos dos influencers que eles gostam tanto. As crianças ficam encantadas, e a gente ouve das famílias que isso mudou comportamento e atitudes”, comentou.
Londrina foi pioneira no Letramento Digital
O município de Londrina foi o primeiro do Brasil a receber o Projeto Letramento Digital, com início em 2022, quando o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI) indicou a escolha do município, justificada pelo ecossistema de informação e o número de empresas e startups na área de Tecnologia da Informação e Comunicação (TICs), assim como pela integração do sistema educacional na cidade.
A ação integra o programa MCTI Futuro, com o objetivo de promover o desenvolvimento de competências relacionadas à Educação Digital, por meio de conteúdos como Pensamento Computacional, Fundamentos de Programação, Robótica e Prototipagem, alinhados às competências previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e às demandas da sociedade contemporânea. Além dos conhecimentos técnicos, busca fortalecer habilidades essenciais, como resolução de problemas, criatividade, inovação, raciocínio lógico, comunicação, colaboração e protagonismo estudantil.
O projeto já alcançou 2.500 estudantes de 4º e 5º anos do Ensino Fundamental em Londrina, além de promover a formação de professores e multiplicadores. Durante o curso, os alunos recebem gratuitamente material didático e um kit contendo placa programável para o desenvolvimento das atividades práticas.




