Saúde faz ação educativa sobre hanseníase na região oeste
Atividade integra a Campanha “Janeiro Roxo”, que busca passar conhecimentos sobre as formas de transmissão, diagnóstico e tratamento
Atividade integra a Campanha “Janeiro Roxo”, que busca passar conhecimentos sobre as formas de transmissão, diagnóstico e tratamento
Nesta sexta-feira (19), os profissionais do Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (NASF-AB) vão fazer uma ação educativa com os participantes do grupo de atividade física da Unidade Básica de Saúde (UBS) do Parque Alvorada, no salão paroquial da Igreja Nossa Senhora Rainha do Universo, localizada na Rua Ibirá, 99. O bate-papo educativo sobre hanseníase terá início logo após as atividades físicas, que começam às 8h15.
Cerca de 20 pessoas participam dos exercícios e devem estar presente durante as orientações repassadas pelo educador físico do NASF-AB 5, Geder Harami, e da farmacêutica do NASF-AB 5, Ana Paula Morgado. A hanseníase ainda é endêmica no Brasil. Em Londrina, durante o ano de 2017, foram registrados 36 novos casos. “Realizamos semanalmente atividades físicas com a comunidade e como janeiro é o mês de conscientização da hanseníase, decidimos destinar alguns minutos do grupo para falarmos sobre esse assunto e esclarecermos as dúvidas”, disse o educador físico.
Para isso, na segunda-feira (22), a partir das 8 horas, os integrantes do grupo da UBS do Parque Alvorada se reunirão com os participantes na quadra ao lado da unidade de saúde, na Avenida Poços de Caldas, 85. Os agentes comunitários de saúde (ACS) também estarão presentes.
As ações fazem parte da Campanha “Janeiro Roxo”, estimulada pelo Ministério da Saúde. A intenção é abordar diversas questões referentes à doença para desmistificar algumas crenças. Uma delas é com relação ao contágio, visto que muitas ainda acreditam que a doença é transmitida pelo toque na pele, ou seja, através de abraços, apertos de mão ou carinho, o que está errado.
Sobre a doença – A hanseníase é uma doença crônica e infectocontagiosa, causada pela bactéria Mycobacterium leprae. Ela é transmitida por via respiratória, através da tosse, espirro ou pelas gotículas de saliva, assim como acontece com a gripe. Além disso, só transmitem a doença as pessoas sem tratamento e que se encontram em um nível mais avançado da endemia. Isso porque, é necessário ter uma grande quantidade do bacilo para expeli-los no ar.
Os profissionais do NASF-AB também falarão sobre as formas para identificar a doença e os locais onde a população poderá encontrar ajuda e tratamento. A dermatologista e responsável pela referência de hanseníase na Policlínica de Londrina e na 17ª Regional de Saúde, Cristina Aranda, explicou que os cidadãos que suspeitarem da doença devem procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima de sua residência.
Após o exame clínico, se constatada a suspeita, o paciente deve ser encaminhado aos exames específicos e para a biópsia. O tratamento é totalmente gratuito e oferecido pela rede pública de saúde. As crianças menores de 15 anos são acompanhadas e tratadas no Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar). Já os adultos recebem atendimento na Policlínica de Londrina. O tratamento é por meio de medicamento via oral e acompanhamento médico. Em estágios iniciais, ele dura seis meses para ser finalizado; em graus mais avançados, levam-se 12 meses para concluí-lo.
Hanseníase em números – Segundo a dermatologista de referência em hanseníase, cerca de 90% da população já conta com uma proteção genética que impede o contágio, mas 10% ainda é suscetível a doença. Em Londrina, dos 36 casos constatados no ano passado, dois eram de jovens com 15 a 19 anos de idade, três de 20 a 29 anos, outros três de 30 a 39 anos, sete casos em pessoas de 40 a 49 anos, 11 casos em cidadãos de 50 a 59 anos, oito em 60 a 69 anos, um caso na faixa dos 70 a 79 anos e outro caso no segmento de 80 anos ou mais.
De acordo com os dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan Net), do Ministério da Saúde, no município, a média dos últimos 10 anos foi de 34,4 casos novos registrados anualmente, sendo que a faixa etária com o maior número de registros foi dos 50 a 59 anos, com 74 pessoas em tratamento na última década. Em seguida, a população dos 40 a 49 anos foi a segunda com maior número de casos confirmados, representando 69 constatações e, em terceiro lugar, ficaram os indivíduos com 60 a 69 anos, visto que 63 casos positivos foram registrados. De 2008 a 2017, o ano que mais teve casos registrados foi em 2008.