SAMU estreia projeto educativo em colégios estaduais de Londrina
Equipe montou um circuito de primeiros socorros no Colégio Estadual João Sampaio, região norte, nesta terça (20), para estudantes do 6º ao 9º ano
Uma situação de urgência pode causar nervosismo, agitação e até desespero em quem presencia. Conhecer os diferentes tipos de atendimento e saber como agir em cada caso pode fazer a diferença e salvar vidas, enquanto o socorro profissional não chega. Crianças e adolescentes também podem ajudar, tanto na escola quanto em casa.

Com a proposta de levar informações corretas sobre urgências e emergências a jovens do Ensino Fundamental II, a equipe do Núcleo de Educação em Urgência (NEU) do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) montou um circuito de atividades no Colégio Estadual João Sampaio, região norte, nesta terça-feira (20). Esta é a primeira vez que uma escola da rede estadual de Londrina recebe o projeto. Anteriormente, as experiências realizadas eram por meio do projeto Samuzinho, em escolas municipais, para crianças dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental I, ou em Instituições de Ensino Superior.
Para os adolescentes, foi elaborada uma dinâmica nova. Cinco profissionais do SAMU se dividiram em cinco estações diferentes, cada uma instalada em uma sala de aula, com temas e abordagens distintos, entre eles: Técnicas de desengasgo em bebês; técnicas de desengasgo em adultos; técnicas de reanimação cardiopulmonar; traumas, hemorragias e queimaduras; e diferença entre urgência e emergência: quando chamar SIATE ou SAMU. Os alunos fizeram um rodízio, de maneira que pudessem visitar todas elas.

De acordo com a coordenadora do Núcleo de Educação em Urgência, Kellen Mitie, é desafiador trabalhar com adolescentes do 6º ao 9º ano, pois eles já tem algumas vivências na comunidade, diferentes das crianças menores. “Adotamos um novo formato e tem sido gratificante. Eles trazem pra gente experiências vividas, questionam e nos dão a oportunidade de ensinar, corrigir ou parabenizar pelas atitudes”, relatou.
Mais de 80 alunos participaram e as perguntas são curiosas. Alguns questionam a diferença do trauma emocional com o trauma causado por uma queimadura ou fratura. Também houve dúvidas sobre como agir em caso de convulsões, quando é preciso apenas apoiar a cabeça da pessoa em crise com um travesseiro, uma blusa ou algo macio, que evite machucados, sem tentar imobilizar ou segurar a língua.
Preparação para a vida e humanização
Preparar para eventuais situações na escola e na vida é um dos objetivos do programa, pois situações de urgência podem acontecer a qualquer momento, em qualquer lugar. “É muito importante que eles saibam como chamar o serviço correto e tranquilizá-los sobre o que fazer enquanto o socorro não chega”, explicou Mitie.
O diretor do Colégio Estadual João Sampaio, Omar Garcia, elogiou a integração entre escola e a sociedade. “Esse curso que o Samu nos trouxe é um dos mais importantes, todas as pessoas devem fazer. Mais do que ensinar como socorrer alguém, as crianças precisam saber o que não devem fazer em situações de urgência e emergência. Nem sempre dá pra evitar um acidente, mas é possível evitar sequelas e salvar vidas. Pode ser aqui na escola, pode ser em casa com irmãos pais ou avós. Eu me sinto muito mais tranquilo sabendo que, se acontecer algo comigo, meus alunos saberão como agir”, concluiu.
Cada estação trouxe explicações e também atividades práticas, que ajudaram a prender a atenção e motivar os estudantes. Mas a principal mensagem que os socorristas quiseram deixar foi sobre humanização. “É preciso cuidar do outro, olhar para o colega com respeito. Nas situações difíceis, serem proativos, reconhecendo as situações e ajudando a salvar. Queremos preparar esses jovens para o mundo real, de modo que eles parem um pouco com as telas para olhar um para o outro, de maneira empática, partilhando vivências em comunidade”, ponderou a coordenadora do projeto.




