Simpósio reúne 185 pessoas para debater temáticas afro-brasileiras e indígenas nas escolas
Evento reuniu professores, gestores e pesquisadores em dois dias de debates, palestras e atividades culturais sobre a valorização das culturas negra e indígena no currículo escolar
Na última segunda (26) e na terça-feira (27), a Secretaria Municipal de Educação (SME) promoveu o Simpósio Interculturalidades na Educação Básica, com o tema “A presença negra e indígena no currículo”. A iniciativa, realizada na Universidade Estadual de Londrina (UEL), reuniu 185 participantes, incluindo gestores e professores da rede municipal de ensino, alunos e professores da UEL.
O simpósio aproximou o conhecimento acadêmico da realidade das escolas. A proposta teve o objetivo de oferecer aos professores e gestores ferramentas e reflexões que contribuam para a construção de um currículo que valorize as culturas negra e indígena, combata o racismo e respeite a diversidade. A inciativa também visou articular a reflexão prática e teórica da Política Nacional de Educação das Relações Étnico-Raciais (PNEERQ) e das diretrizes da Educação das Relações Étnico-Raciais (ERER), integrando a UEL, a Rede Municipal de Ensino da Prefeitura, o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiro (NEAB) e a Comissão Universidade para Indígenas (Cuia) da UEL.

O simpósio contou com diversas autoridades da área e com a participação de seis palestrantes. Estiveram presentes os professores doutores Allan Rodrigues, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Adriana de Jesus e Marleide Perrude, ambas da UEL, os professores Bruno Ferreira Kaingang, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Joaquim Adiala Hara Guarani e Damaris K. F. M. Kaingang, também da UEL.
Durante os dois dias, as mesas de discussão abordaram a importância da inclusão das temáticas afro-brasileiras e indígenas no currículo escolar, promovendo reflexões sobre a Educação para as Relações Étnico-Raciais nas escolas. Após as exposições dos convidados, os participantes tiveram a oportunidade de fazer perguntas e dialogar com os palestrantes. As contribuições ajudaram a ampliar o repertório cultural dos educadores e a oferecer subsídios para o desenvolvimento de práticas pedagógicas em sala de aula.

O encontro também reuniu uma exposição de livros com a temática afro-brasileira e indígena, a Exposição de Arte Étnico-Racial local, além de jogos pedagógicos. O público presente acompanhou ainda uma apresentação cultural kaingang da Articulação dos Estudantes Indígenas (ARTEIN) da UEL e contação de história, feita pela professora Almerita de Paula. Houve, também, o lançamento do livro “Quando as flores murcham ao desabrochar” de Reginaldo Alves, cacique da Terra Indígena Pinhalzinho, escritor e cineasta guarani.
Reflexões para a prática pedagógica

Para a professora Eliane Aparecida Candoti, do Apoio Pedagógico de História e Educação para as Relações Étnico-Raciais da SME, o simpósio foi importante por promover discussões não apenas sobre a presença indígena e negra no currículo escolar, mas também sobre as ausências e os motivos que levam a elas, relacionando essas questões ao cotidiano das escolas. “O papel da escola vai além do ensino da leitura, da escrita e da matemática, envolvendo também a formação de cidadãos capazes de compreender o mundo e contribuir para uma sociedade mais humanizada e equânime”, disse.
Segundo a professora, as reflexões do encontro serão importantes para orientar a elaboração de documentos da rede municipal, construídos em conjunto com os professores. “Nós estamos redigindo o Plano Municipal de Educação, revendo e reescrevendo as diretrizes curriculares do município. Também entregamos, recentemente, o Plano Municipal pela Primeira Infância, que ainda tramita dentro da Prefeitura e deve, em breve, ir para a Câmara dos Vereadores”, contou.
Candoti também ressaltou a importância da participação dos palestrantes, destacando a contribuição do professor Bruno Ferreira, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), indígena da etnia Kaingang, cuja trajetória é marcada pela atuação na educação nacional e pelas discussões sobre currículo escolar. “Todas as contribuições chegam ao chão da sala de aula, à prática docente. Foram dois dias intensos de formação, com a constituição das comissões de diversidade e a participação de dezenas de professores. Tudo isso nos leva a refletir sobre a prática e sobre o fazer na educação”, enfatizou.

Na mesa de honra, estiveram presentes a coordenadora do NEAB da UEL, Ana Cristina de Albuquerque; a secretária municipal de Educação, Thatiane Verni Lopes de Araújo (ao centro, na foto); o vice-reitor da UEL, Miguel Belinati Piccirillo; a gestora de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Juliana Bueno Grizos de Carvalho; a representante do Apoio Pedagógico de Educação das Relações Étnico-Raciais (ERER) da SME, Eliane Candoti; e a estudante indígena, representante da ARTEIN e da Cuia, Ivone Piraí.
Foram parceiros do evento a UEL, por meio do NEAB, Cuia, Artein e o curso de Secretariado Executivo; o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (CMPIR) e a Gestão de Políticas de Igualdade Racial (GPPIR), da Prefeitura; e o Ministério de Justiça Pública do Paraná.




