União entre Prefeitura, voluntários e empresas garante reconstrução de moradia em Londrina
Após ter sido afetada por temporal no início de 2025, família volta ao Jardim Jequitibá com casa regularizada, maior e mais segura
Uma iniciativa inédita de solidariedade e cuidado social, coordenada pela Prefeitura de Londrina, transformou em realidade o sonho de uma família londrinense. Um ano depois de ver o seu lar ser derrubado por um temporal ocorrido em 1º de janeiro de 2025, Graziele Barbosa de Sousa Nogueira e Wesley Nogueira Mendes comemoram a entrega da nova casa, construída graças à doação de materiais de construção e mão de obra. A ação teve participação voluntária de servidores municipais, juntamente com a Associação de Lojistas de Material de Construção (ACOMAC) Londrina e associados.

A família, formada pelo casal mais as três filhas, com 2, 7 e 11 anos, aguardou por 12 anos até ter uma casa para chamar de sua. Morando na ocupação do Aparecidinha, foram contemplados pela Companhia de Habitação de Londrina (COHAB-LD) com um dos lotes urbanizados e prontos para construir no Jardim Jequitibá, na rua Angelo Giroldo. Dentro do prazo máximo para erguer a moradia, Graziele e Wesley conseguiram edificar o muro de arrimo e, na sequência, uma pequena casa de quatro cômodos, com quarto, sala, cozinha e banheiro.

No primeiro dia do ano de 2025, a família aproveitou o feriado para fazer uma visita. Ao retornarem, depois de um forte vendaval, descobriram que a casa havia ruído e apenas o banheiro permanecia de pé. Sem condições de iniciar uma nova obra, já que haviam comprometido toda a renda com a construção recém-perdida, receberam a visita do prefeito Tiago Amaral. Acompanhado de vários secretários municipais, ele foi até o bairro conferir a condição dos moradores afetados pela chuva do dia anterior.
Após meses de mobilização e conversas, o prefeito e sua equipe conseguiram alocar Graziele, Wesley e as crianças em um imóvel da Cohab-Ld, situado também na zona norte. Até então, eles estavam de volta à ocupação do Aparecidinha, dividindo morada com a família de uma prima. Depois, por intermédio da Acomac Londrina, entidade que se solidarizou com a situação, foi possível obter os materiais necessários para construção de uma nova casa, dessa vez com um projeto arquitetônico adequado para o terreno e para o total de moradores.

A obra começou em setembro de 2025 e, quase quatro meses depois, a família Nogueira vai poder retornar ao seu endereço com uma casa muito mais ampla, confortável e segura, com área construída de 60m² distribuídos entre dois quartos, banheiro, sala, cozinha e corredor.
A expectativa, contou Wesley, que tem 29 anos e trabalha como ajudante de motorista, é fazer a mudança na próxima semana. “Só tenho a agradecer a cada um que nos ajudou a construir, de novo, nossa casa. Agora é só alegria, o sonho realizado e um ano de felicidades, graças a Deus, em nossa casa. No dia doeu muito; até queríamos desistir do terreno, mas o prefeito Tiago chegou e nos colocou lá em cima de novo”, lembrou.
Sua esposa, Graziele, que atua como auxiliar de limpeza, também lembrou o quão difícil foi ver todos os móveis, eletrodomésticos, roupas e demais pertences tomados pela chuva. “Hoje é só felicidade: no começo do outro ano vi tudo no chão e agora temos uma casa bem grande. Nem acredito, ainda não caiu a ficha. Essa casa superou nossos planos, a primeira caiu porque não foi feita como deveria, e agora ficou muito melhor. Já passamos três ventos aqui dentro e nem mexeu; ainda estamos traumatizados, as crianças principalmente, mas agora o vento pode vir que daqui nós não saímos”, comemorou.

O prefeito Tiago Amaral voltou até o endereço de Wesley e Graziele para conferir a obra finalizada, e contou que a condição do casal após tanto esforço para ter a casa própria chamou sua atenção. “No primeiro dia do meu mandato, quando soubemos que o bairro tinha passado por um forte vendaval, chamei minha equipe para ver de perto a situação. Percorri várias casas, que hoje estão com telhas novas mas na época tinham perdido todo o telhado, até que me falaram dessa casa, a última da rua, que havia caído. Quando eu cheguei aqui, me deu um desespero, uma angústia muito grande, pensando em como a gente poderia resolver. Nisso falei, ‘vamos fazer um teste, se dermos o material e eles conseguirem construir, pode dar certo’. E começamos a ir atrás, fazendo diferente para que fosse uma solução definitiva”, lembrou.
Amaral comentou que a decisão de alocar a família Nogueira em uma residência de propriedade da Cohab-LD foi possível mediante adequações na legislação, aproveitando um imóvel ocioso. “Mudamos a legislação, ajustamos o decreto, para possibilitar que eles pudessem ficar lá. E o meu primeiro agradecimento é para a Cohab, que comprou essa briga conosco para fazer essa reconstrução. Em seguida, fomos atrás dos parceiros. Cidade Nova, Seranca, outras empresas também nos ajudaram. Se tem um momento que a gente tem que entrar e dar suporte, é nessas horas. Nós estávamos diante de uma família trabalhadora, com filhas pequenas, bem estruturada. Que tem tudo para educar muito bem seus filhos e ter uma vida digna. Mas que, se deixar desamparado num momento como esse, você não sabe o que vai acontecer. E a gente conseguiu o pessoal pra vir aqui e construir; todo mundo ajudou, o nosso pessoal ajudou, muita gente contribuindo, tivemos os voluntários, porque a ideia era a gente conseguir chegar nesse momento. E isso não é algo que se conquista sozinho”, complementou.
O prefeito adiantou que, com o sucesso da parceria entre a Prefeitura, representando o poder público, e as empresas da iniciativa privada, pretende implementar um programa de voluntariado para contribuir com a recuperação de outras moradias na cidade, de uma forma rápida e simplificada. “A ideia é essa, reconstruir sonhos. Mas a primeira coisa que eu queria falar era gratidão a vocês, nossos parceiros e voluntários. Não por mim, mas por essa família, que agora tem um espaço digno e um coração muito grande. No meu primeiro dia de mandato, vimos de perto uma Londrina que muita gente nem sabe que existe, de uma realidade muito triste. São 3.500 famílias hoje em área de invasão. A gente está resolvendo uma coisa atrás da outra, meu compromisso em relação à habitação é um dos maiores. Mas a sociedade se unir para abraçar esse tipo de causa é muito importante, porque faz a diferença exatamente para quem valoriza o que conquista”, ressaltou.

Parceiros solidários – Também conferindo a entrega da nova casa, o presidente da Acomac Londrina, Adriano Montanari, contou que a associação repassou aos seus parceiros, fornecedores das lojas de materiais de construção, o pedido do prefeito Tiago Amaral. “Quando ele veio falar com a gente, nós procuramos esses parceiros para que a gente pudesse fazer essa ação, vendo a situação da família, que era uma questão social importante. Falamos com os nossos fornecedores, eles acataram e doaram a mercadoria para que pudesse fazer a construção. Material como tijolos, concreto, cimento, areia, telhas, madeira, enfim, o que fosse necessário para toda a construção. Vendo a casa pronta, a gente fica muito feliz de poder ser uma entidade classe que não se preocupa só com a questão comercial, e também com a questão social”, afirmou.
Um dos apoiadores que contribuiu diretamente para a obra foi a Cerâmica Cidade Nova, que cedeu blocos cerâmicos. O vendedor Gustavo Bigati explicou que a empresa é uma antiga parceira da ACOMAC Londrina, e apoiou a ação social assim que recebeu o pedido da entidade. “Foram cerca de 4 mil tijolos doados. Ver o resultado é muito bom, a gente fica muito contente de ver uma pessoa ter sua casa, e poder ajudar quem precisa é ainda melhor. Na nossa rotina de vendas, sabemos que não é fácil para muitas pessoas construir uma casa, então nesse caso, que a gente ajudou e vê a satisfação de todos, é bem gostoso”, disse.




