Lerroville recebe 1ª oficina de mobilização sobre o Plano Municipal da Mata Atlântica
Participação social é um dos pilares da fase de construção do Plano que norteará as políticas públicas, projetos ambientais e decisões sobre uso e proteção da Mata Atlântica
O diálogo com a comunidade é parte do processo de construção do inédito Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica de Londrina (PMMA), em fase de elaboração e que terá o primeiro encontro público do projeto nesta quarta-feira (25), às 19h, no distrito de Lerroville. A Prefeitura de Londrina, por meio da Secretaria Municipal do Ambiente (Sema), participa da atividade que consiste em uma oficina de mobilização social para receber as opiniões, visões e considerações da população da zona rural acerca das áreas de natureza remanescentes desse bioma. O local do evento é a Escola Municipal Professor Bento Munhoz da Rocha Neto (Rua Santos, 235). Não há necessidade de fazer inscrição para participar.
Além da Sema, foram convidados para participar os integrantes do Conselho Municipal do Meio Ambiente (Consemma), produtores e lideranças rurais, representantes de várias instituições locais, entre universidades, escolas, ONGs, órgãos públicos e outras esferas. Por parte da Sema, estarão presentes servidores técnicos e da Gerência de Parques e Biodiversidade.
Esta oficina inicial abre a agenda de conversas com os moradores dos distritos e patrimônios de Londrina, bem como da área urbana. Outros dois encontros também já têm data marcada: no dia 4 de março em São Luiz, e no dia 11 de março na sede da Prefeitura de Londrina. Novas ações similares serão programadas no decorrer do ano.
A oficina tem previsão de duração de duas horas. Haverá uma apresentação do tema e, posteriormente, abertura para debate e contribuições dos participantes. “Entendendo a importância de escutar as pessoas que não residem no centro urbano, o encontro visa ouvir produtores rurais e moradores locais para entender como o bioma afeta sua qualidade de vida, apresentar sugestões de conservação e uso sustentável e definir metas, áreas prioritárias e ações de proteção ambiental”, definiu a bióloga Juliana Carneiro Champi, que atua na assessoria de gabinete da Sema e é integrante do Grupo de Trabalho do PMMA.
Champi acrescentou que a Mata Atlântica é o bioma predominante no estado do Paraná, o que abrange áreas em Londrina, incluindo fragmentos em Lerroville e entorno. “Uma parte importante próxima a essa região, por exemplo, é a área do Salto do Apucaraninha que, além da beleza natural e da presença de povos originais, mantém um relevo diferenciado do restante do município, mais acidentado, particularidade que permitiu a permanência de uma grande porcentagem de fragmentos de mata conservada”, citou.
Para a professora da Gerência de Parques e Biodiversidade da Sema, Daniele da Costa, preservar a vegetação remanescente da Mata Atlântica é essencial, já que esse bioma foi o mais explorado ao longo da ocupação do país, compreendendo grande parte do litoral. “No Paraná esse bioma se estende por todo o estado, incluindo os planaltos de interior, como é o caso de Londrina. São locais de mata densa, variação biológica riquíssima capaz não só de abrigar a vida e regular o clima, questões bastante relevantes, mas que provavelmente ainda possa guardar espécies desconhecidas de fauna e flora. Para cuidarmos adequadamente de um bem precisamos conhecê-lo, e aí está a importância de um Plano Municipal eficiente. Este estudo representa um grande avanço para cuidarmos do que já temos e também para recuperarmos o que for necessário, até mesmo reconstituindo ambientes de floresta”, apontou.
Gerente de Comunicação e Educação da Master Ambiental, consultoria contratada para elaborar o PMMA de Londrina, por meio de contrapartida ambiental de um empreendimento da cidade, Laila Pacheco Menechino também estará presente no encontro público. “O distrito de Lerroville é um dos extremos no sul de Londrina e pertence à Bacia Hidrográfica do Ribeirão Taquara, a bacia que mais possui florestas remanescentes da Mata Atlântica na região de Londrina. Nesse quesito, em segundo lugar está o distrito de São Luiz, pertencente à bacia do Ribeirão dos Apertados, a mesma do Parque Estadual Mata dos Godoy. Os dois locais estão sendo contemplados com as oficinas de mobilização social do PMMA. O território do município é muito vasto e precisamos valorizar a zona rural quando se trata de Mata Atlântica, captando as percepções dos moradores para produzir um planejamento consistente”, frisou.
Consulta Pública – A iniciativa da oficina ocorre paralelamente à consulta pública do Plano Municipal da Mata Atlântica, aberta neste mês e que receberá as percepções dos interessados em colaborar até o dia 3 de março (clique aqui). As contribuições registradas serão compiladas para subsidiar o diagnóstico da situação da Mata Atlântica no município, orientar a definição de objetivos, áreas prioritárias e ações do PMMA, cuja versão final está prevista para agosto de 2026.
Mais sobre o Plano – O Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica é um instrumento previsto na legislação que orienta como proteger, recuperar e usar de forma sustentável seus remanescentes de Mata Atlântica. A Lei da Mata Atlântica (Lei Federal nº 11.428/2006) prevê a elaboração do PMMA, que está sendo criado em Londrina pela primeira vez. Dentre os objetivos principais estão mapear e diagnosticar as áreas existentes no município, identificar desafios e oportunidades para conservação da biodiversidade, bem como definir ações prioritárias para recuperar áreas degradadas. Ainda integram o rol a promoção do uso sustentável dos recursos naturais, alinhado ao desenvolvimento local, e o fortalecimento da participação social, ouvindo a população quanto a percepções, demandas e expectativas.
Londrina possui remanescentes importantes de Mata Atlântica, associados aos rios, às áreas rurais e a fragmentos florestais urbanos, fundamentais para o equilíbrio ambiental, proteção dos recursos hídricos e bem-estar da população. Por isso, é necessário existir um instrumento eficaz, transparente, justo, aplicável e conectado com a realidade da cidade.
Este mecanismo será uma referência para políticas públicas, projetos ambientais e tomada de decisão sobre a utilização e proteção da vegetação do território da Mata Atlântica, garantindo que Londrina avance com responsabilidade e compromisso com a natureza.



