Sema divulga consulta pública sobre o Plano Municipal da Mata Atlântica de Londrina
Plano é instrumento inédito em fase de construção; além do questionário on-line aberto, haverá oficinas de mobilização nas áreas rural e urbana de Londrina
A Prefeitura de Londrina, por meio da Secretaria Municipal do Ambiente (Sema), reforça a divulgação da consulta pública aberta para receber percepções e opiniões da população sobre questões que envolvem o inédito Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica (PMMA), que está em fase de elaboração. Qualquer pessoa pode participar voluntariamente preenchendo um questionário on-line disponível aqui. O formulário ficará ativo até 3 de março.
A ação abre oportunidade para o público contribuir com o diagnóstico socioambiental que o Município terá e a construção de um instrumento norteador eficaz, justo, transparente e conectado com a realidade da cidade. As respostas são confidenciais, conforme a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

O objetivo desta etapa é ouvir os munícipes para entender como eles compreendem a Mata Atlântica, de que forma percebe sua presença na região e como o bioma influencia a qualidade de vida, sua conservação e manejo. Londrina ainda possui remanescentes importantes de Mata Atlântica, associados aos rios, às áreas rurais e a fragmentos florestais urbanos, fundamentais para o equilíbrio ambiental, proteção dos recursos hídricos e bem-estar da população. Por isso, os participantes da consulta poderão expressar suas preocupações, dar sugestões e ideias relacionadas à preservação ambiental e ao uso sustentável dos recursos naturais.
As colaborações coletadas nesta fase irão subsidiar o diagnóstico da situação atual da Mata Atlântica no município e orientar a definição de objetivos, áreas prioritárias e ações do Plano, cuja versão final está prevista para agosto de 2026. O PMMA visa garantir que as ações estejam alinhadas às necessidades e expectativas da população.
De forma concomitante, serão realizadas três oficinas públicas de mobilização social para debater o tema junto à comunidade. Em todos os dias as atividades começam às 19h. O primeiro encontro será em 25 de fevereiro, no distrito de Lerroville, na Escola Municipal Professor Bento Munhoz da Rocha Neto (rua Santos, 235), enquanto o segundo ocorrerá no distrito de São Luiz, no dia 4 de março, na Escola Municipal Francisco Aquino Toledo, rua General Osório, 431. Já a última etapa, no dia 11 de março, terá como local a Prefeitura de Londrina (avenida Duque de Caxias, 635, Centro Cívico).

Como instrumento democrático, representativo e efetivo, o PMMA de Londrina, conforme a Lei Federal nº 11.428/2006, será uma referência para políticas públicas, projetos ambientais e tomada de decisão sobre a utilização e proteção da vegetação do território da Mata Atlântica, garantindo que Londrina avance com responsabilidade e compromisso com a natureza.
As iniciativas em torno da construção do plano são apoiadas e acompanhadas por um Grupo de Trabalho nomeado pelo prefeito Tiago Amaral, composto por representantes da Sema, do Consemma, além de pesquisadores, professores e outros participantes convidados.
Além dos vários ganhos que trará à cidade, a elaboração do PMMA não traz custos para o Município, uma vez que este trabalho será todo financiado por meio de medida ambiental compensatória de um empreendimento, a partir de Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV). Uma empresa especializada foi contratada pelo empreendimento para fazer consultoria ambiental e conduzir o desenvolvimento do plano, que será apoiado e divulgado pela Prefeitura e pelo Consemma, que participarão dos encontros públicos de deliberações e definições do modelo de aplicação do plano.
O secretário municipal do Ambiente, Gilmar Domingues Pereira, enfatizou que o Plano Municipal da Mata Atlântica é extremamente relevante para Londrina, considerando as áreas remanescentes significativas desse bioma na cidade. “Temos espaços localizados ao longo dos rios, em áreas rurais, fragmentos florestais urbanos. São pontos essenciais para o equilíbrio ambiental, a proteção dos recursos hídricos e, em especial, para o bem-estar da nossa comunidade. É um plano que será fundamental para as políticas públicas desse segmento”, frisou.

Segundo a bióloga Juliana Carneiro Champi, que atua na assessoria de gabinete da Sema e integrante do Grupo de Trabalho do PMMA, ao contar pela primeira vez com um plano oficial exclusivamente voltado à conservação e recuperação da Mata Atlântica, Londrina dará um passo importante para avançar nas políticas públicas de preservação natural. “É um processo que coloca a cidade em sintonia com as diretrizes existentes sobre a Mata Atlântica, sendo uma necessidade urgente de planejamento ambiental estratégico acerca dos territórios inseridos nesse bioma. É uma evolução institucional para consolidar políticas públicas de planejamento, conservação e restauração de áreas”, considerou.
Além disso, Champi acrescentou que Londrina sai na frente como modelo de cidade, já que são poucos os municípios que já possuem um plano municipal desenvolvido ou consolidado com essa finalidade. “Isso ajudará a orientar as ações da Sema, seja no licenciamento ambiental de novos empreendimentos ou no próprio manejo, conservação e preservação de áreas verdes. Então, encaro com bastante entusiasmo toda essa construção e creio que renderá ótimos resultados”, avaliou.
As primeiras reuniões do cronograma do Plano ocorreram em agosto de 2025, período que incluiu a definição dos membros do Grupo de Trabalho, a formação do plano de trabalho e criação da identidade visual do projeto, bem como a primeira programação das oficinas de mobilização social. Posteriormente, serão realizados novos encontros participativos com a comunidade para debater o tema, apresentações de relatórios e outros momentos que culminarão na entrega da versão final do Plano.

Maior cobertura florestal – De acordo com dados fornecidos pela Sema, o município de Londrina possui 30.415,681 hectares de remanescentes de Mata Atlântica, o que corresponde a 18,42% do território municipal. Nas últimas décadas, houve evolução quanto ao percentual de cobertura florestal deste bioma: em 1985 o índice era de 14,47%; em 2015, 16,53%; e em 2024, 18,42%.
O total de Áreas de Preservação Permanente (APPs) em Londrina é de 14.190,50 hectares, dos quais mais da metade (7.405,40 hectares) está desprovida de cobertura florestal, necessitando de recuperação. Assim, essa é uma das prioridades do Plano em elaboração, entendendo a importância dos remanescentes e da preservação da vegetação nativa como crucial para a proteção dos recursos hídricos, áreas rurais e urbanas, o que traz mais qualidade de vida e segurança hídrica.
Unidades de Conservação (UCs) – Londrina conta com importantes áreas de natureza protegidas. O Parque Estadual Mata dos Godoy, localizado na área rural, entre os distritos de Espírito Santo e São Luiz, possui extensão superior a 690 hectares. Por sua vez, o Parque Municipal Arthur Thomas, na zona sul de Londrina, tem 85,47 hectares em plena área urbana próxima à região central. Outro local é o Parque Ecológico Dr. Daisaku Ikeda, com 120,96 hectares de área conservada, protegendo o Ribeirão Três Bocas, na zona sul da cidade.




