Prevenção à violência intrafamiliar será levada a 88 escolas municipais de Londrina
Previsão é garantir a informação a 5.200 alunos do 4º ano da Rede Municipal de Educação ao longo do primeiro semestre de 2026
A Secretaria Municipal de Defesa Social, por meio da Guarda Municipal Escolar Comunitária (GMEC), levará ações de prevenção à violência intrafamiliar a cerca de 5.200 alunos do 4º ano, em 88 escolas da Rede Municipal de Ensino, ao longo do primeiro semestre de 2026. A iniciativa tem parceria da Secretaria Municipal de Educação e, neste ano, da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, para ampliar a divulgação dos serviços de proteção ao público feminino nas escolas. A inciativa prevê diversas palestras ministradas pela equipe da GMEC sobre a temática da violência intrafamiliar, além de ações de sensibilização e panfletagem na entrada das unidades escolares.
Nesse ano, a ação teve início ontem (2), na Escola Municipal Francisco Pereira de Almeida, na região sul, e prossegue nesta terça-feira (3), na Escola Municipal Eurides Cunha, região central. Na quinta-feira (5), às 7h30 e às 13h30, a atividade será realizada na Escola Municipal Salim Aboriham, localizada na rua Édson Ricardo de Lima, 225, no bairro Luiz de Sá, zona norte.

No ano passado, somente com palestras sobre essa temática, foram atendidas mais de 5.000 crianças. A GMEC conta com quatro equipes no grupamento, e cada uma é responsável por uma região do município para a realização das palestras, com os distritos distribuídos entre elas.
A supervisora do Grupamento Escolar, Kawanna Cristina de Lima, explicou que o objetivo das palestras é conscientizar as crianças sobre os tipos de violência que, muitas vezes, podem estar sofrendo e não conseguem identificar. “Também buscamos reforçar a importância de contar para alguém caso estejam passando por essa situação, além de orientar sobre os caminhos para pedir ajuda. A palestra é voltada à violência contra crianças, porém, durante a apresentação, também abordamos a Lei Maria da Penha, com o intuito de mostrar que, se alguma mulher da família estiver sofrendo violência, elas podem levar essa informação e reforçar que é possível buscar apoio. Com isso, temos percebido um aumento no número de relatos de crianças que não sofrem a violência diretamente, mas que muitas vezes a presenciam e se tornam testemunhas”, detalhou.

Durante a atividade, as crianças também recebem um material informativo (panfleto) que contém diversas informações sobre os tipos e sinais de violência e como pedir ajuda, com a divulgação do telefone 153, da Patrulha Maria da Penha, além dos contatos do Centro de Atendimento à Mulher (CAM) e da Delegacia da Mulher.
A secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Marisol Chiesa, destacou a importância da atuação conjunta entre as secretarias para ampliar a divulgação dos serviços de proteção às mulheres nas escolas, alcançando não apenas as crianças, mas toda a comunidade escolar. “O resultado dessa ação integrada, que está sendo fortalecida neste semestre, se reflete no atendimento às mulheres que chegam aos serviços especializados após receberem, das mãos de seus filhos e filhas, informações sobre os atendimentos ofertados pela Secretaria da Mulher às mulheres em situação de violência”, afirmou.
Nesse contexto, a gerente da Casa Abrigo Canto de Dália, Maria Lucimar Pereira, citou um caso recente em que uma mulher vivia uma grave situação de violência doméstica, sem perspectiva de superação. Ao receber o material informativo entregue na escola municipal ao filho de 11 anos, ela vislumbrou uma saída. “Essa mulher compareceu ao CAM, passou por atendimento e, ao ser constatado o elevado risco de morte decorrente da violência praticada pelo companheiro, foi encaminhada à Casa Abrigo, onde permaneceu segura e protegida junto a seus três filhos. O caso era tão grave que a família precisou ser incluída em um programa de proteção, ou seja, essa ação na escola pode ter prevenido até um feminicídio”, relatou.
O secretário municipal de Defesa Social, Felipe Juliani, ressaltou que o projeto impacta diretamente a vida das crianças e de suas famílias. “Estamos aqui para isso: fortalecer o atendimento às pessoas e contribuir com a formação cidadã de cada criança do nosso município. Quando levamos informação para dentro das escolas, estamos promovendo prevenção, proteção e consciência desde cedo. Esse trabalho integrado entre as secretarias permite que a Guarda Municipal atue não apenas na segurança, mas também na orientação e no cuidado com a comunidade escolar. Ao identificar situações de risco e ampliar o acesso aos canais de denúncia e acolhimento, conseguimos agir de forma mais rápida e eficaz, interrompendo ciclos de violência e salvando vidas”, afirmou.




