Prefeitura inicia estudo para definir novo modelo da coleta de lixo de Londrina
Trabalho vai analisar o sistema atual, propor novos modelos de gestão e avaliar a ampliação dos PEVs para melhorar a destinação de resíduos na cidade
A Prefeitura de Londrina iniciou um estudo para definir um novo modelo de coleta de lixo na cidade. Na manhã desta sexta-feira (6), foi realizada a primeira reunião técnica entre representantes do Executivo municipal e da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), contratada para elaborar um modelo de seleção e futura contratação dos serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos. O encontro foi realizado no auditório da Prefeitura.

Do executivo, participaram os secretários municipais de Governo, Leonardo Carneiro; de Gestão Pública, Sergio Willian Costa Becher; do Ambiente, Gilmar Pereira; o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Renan Salvador; e representando a secretaria de Fazenda, o assessor tributário Fabiano Nakanishi.
O estudo técnico, econômico e jurídico deve avaliar a viabilidade de integrar todo o sistema de coleta e destinação de resíduos, garantindo maior eficiência e sustentabilidade. A Fundação realizará o trabalho com base nas informações fornecidas pelo Município. O objetivo é analisar o sistema atual de coleta, tratamento e destinação de resíduos e elaborar cadernos técnicos com possíveis modelos de gestão, como concessões ou Parcerias Público-Privadas (PPP).
A intenção é implantar uma nova infraestrutura de manejo de resíduos sólidos, capaz de transformar o sistema atual, considerado ultrapassado e ineficiente, em um modelo moderno, sustentável e economicamente viável. A proposta também deverá incluir capacitação técnica permanente, garantindo regularidade, continuidade e qualidade dos serviços prestados. O documento deve ser concluído em até 12 meses e deverá apresentar uma proposta de gestão integrada e sustentável, com mecanismos gerenciais e econômicos que assegurem a recuperação dos custos dos serviços. Segundo a Prefeitura, o estudo também representa uma oportunidade de sanar demandas antigas relacionadas à gestão de resíduos no município. Durante as discussões iniciais, o Ministério Público também apresentou sugestões que poderão contribuir para o aprimoramento do trabalho.
A primeira reunião técnica serviu para definir os pontos que serão abordados no estudo e que farão parte do Plano de Trabalho. Entre eles estão a organização da equipe, o planejamento das atividades, o detalhamento das etapas do serviço, o cronograma de execução, com previsão de eventos, atividades e reuniões de alinhamento, além da definição de informações que deverão ser fornecidas pela contratante e do cronograma físico-financeiro do projeto.
O presidente da CMTU, Renan Salvador, ressaltou que Londrina é uma cidade grande e precisa de soluções à altura. “Não se trata de inventar a roda, mas de fazer a roda girar mais rápido. A proposta é que a fundação, em parceria com a Prefeitura, elabore um estudo completo para apontar caminhos definitivos para a gestão de resíduos na cidade. Esse trabalho reúne experiências e técnicas já utilizadas no Brasil e também no exterior, adaptadas à realidade local. A ideia é construir um diagnóstico e um planejamento que indiquem o melhor caminho para o tratamento dos resíduos orgânicos e não orgânicos, desde a destinação até os modelos de contratação e os processos envolvidos”, informou.
Na primeira reunião também foi discutida a realização de um estudo para avaliar uma solução regional para a Central de Tratamento de Resíduos (CTR), envolvendo municípios vizinhos de Londrina. “A ideia é que o plano de gestão de resíduos não contemple apenas Londrina, mas também possa envolver municípios da região. Muitas cidades menores não têm capacidade de investimento para realizar um estudo desse porte por conta própria. Como Londrina é o principal centro da região metropolitana, pode contribuir com esses municípios e ajudar a construir uma solução integrada. Assim, em vez de uma ação isolada, teríamos um planejamento coordenado para toda a região. Além de ajudar a resolver problemas dos municípios vizinhos, essa integração também pode gerar receitas para a cidade”, explicou Salvador.
Durante o encontro, também foi debatida a análise de soluções tecnológicas inovadoras que possam gerar receitas para o município, como o aproveitamento de biogás e biometano para a produção de energia limpa, o que contribui para reduzir os impactos ambientais. A intenção é que Londrina dê um salto e se torne capaz de gerar biometano para abastecer o transporte coletivo e a indústria local.
PEVs – O estudo também vai considerar os Pontos de Entrega Voluntária (PEVs). Eles serão analisados no diagnóstico do sistema atual, previsto para a etapa 2, quando será feita uma avaliação dos serviços de limpeza urbana e do tratamento de resíduos sólidos em Londrina. Na última quinta-feira (5), a equipe da Fipe visitou a CTR e o PEV do Nova Conquista (Califórnia). Nesta sexta-feira (6), após a reunião, os técnicos também foram até o PEV do Vista Bela, onde houve um incêndio na noite anterior.
“A questão dos PEVs também será analisada no estudo, para identificar a forma mais adequada de implantá-los em Londrina. Até hoje, os projetos não acompanharam o tamanho da cidade. Atualmente existem apenas dois Pontos de Entrega Voluntária, o que tem gerado problemas recorrentes e situações em que precisamos agir de forma emergencial. A proposta é trazer experiências de outras cidades e avaliar a implantação de novos pontos, melhor distribuídos pelo município, para que o sistema funcione de forma mais adequada e evite crises frequentes na gestão de resíduos”, ressaltou o presidente da CMTU.
O economista e professor da USP, Denisard Cneio de Oliveira Alves, membro do Conselho Curador da Fipe, participou da reunião. Ele explicou que a ideia é fazer um planejamento mais amplo, com a distribuição de um número maior de PEVs pela cidade. “Hoje Londrina, que tem cerca de 600 mil habitantes, conta com apenas dois locais para descarte de resíduos que não são recolhidos pela coleta regular. Vamos elaborar, junto com a Prefeitura, um plano para ampliar e distribuir melhor esses pontos em diferentes regiões, facilitando o acesso da população. Assim evitamos a concentração de resíduos em um único lugar e situações como as que têm ocorrido atualmente, com sobrecarga e deterioração das áreas onde esses PEVs estão instalados”, disse.

Com relação ao CTR, Alves disse que se impressionou com a forma como a estrutura está implantada. “É um local bastante apropriado e bem estruturado. Além disso, tem capacidade para atender não apenas Londrina, mas também outros municípios da região. A área é grande, o que permite ampliar o atendimento e, com isso, reduzir custos caso mais cidades passem a utilizar o aterro sanitário”, afirmou.
Sobre o incêndio no PEV do Vista Bela, a CMTU mobilizou equipes logo após o registro dos focos de fogo. Por volta das 23h de quinta-feira (5), a Companhia deslocou maquinários, incluindo pás carregadeiras, para o manejo e separação dos resíduos, a fim de evitar a propagação das chamas. Também foram utilizados três caminhões-pipa para resfriamento do solo e contenção da área. A ação contou com apoio da Secretaria Municipal de Agricultura e da Guarda Municipal. O incêndio foi controlado ainda durante a madrugada e, na manhã desta sexta-feira (6), não havia mais focos ativos, apenas resquícios de fumaça.
Educação ambiental – A inclusão de ações de educação ambiental também foi discutida durante a reunião. Denisard Alves acrescentou que a proposta foi apresentada pela CMTU. “A ideia é que a CTR também funcione como um espaço de aprendizado para estudantes da rede pública de Londrina, para que eles entendam melhor como funciona o tratamento do lixo. Acreditamos que, ao educar as crianças, também alcançamos as famílias, já que muitas vezes elas levam esse conhecimento para dentro de casa. Por isso, pretendemos destinar uma parcela significativa de recursos para fortalecer ações de educação ambiental no município”, pontuou.




