Programe sua visita: Museu de Arte reabre com novas exposições em Londrina
Espaço é o primeiro a receber peças do Museu Paranaense no interior do Estado, com acervo doado pelo pesquisador Vladmir Kozák
A noite desta quarta-feira (1) será marcada pela reabertura ao público de um prédio icônico da paisagem na área central da cidade de Londrina: após quase sete anos fechado, o Museu de Arte volta a receber os visitantes regularmente. Uma programação artística especial foi preparada para a ocasião, que celebra a conclusão do restauro e adequações estruturais do edifício projetado pelos renomados arquitetos Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi e cujo valor histórico e cultural foi reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2021.
O evento de abertura, marcado para as 19h, terá a exibição de um documentário que investiga as conexões do arquiteto Artigas com Londrina, além de apresentações musicais de violão solo, orquestra de câmara e canto coral. O evento marca a abertura de duas novas exposições: uma delas, intitulada “Cidade Londrina”, é formada por obras do acervo do Museu de Arte, celebrando os 33 anos do espaço. A outra traz de forma inédita à cidade um segmento do acervo do Museu Paranaense, o mais antigo do Estado. “A Riqueza de um patrimônio em movimento: por dentro da vida e da coleção Vladmir Kozák” expõe peças doadas pelo pesquisador tcheco radicado no Brasil e falecido em 1979, que deixou seu acervo de pinturas, desenhos, aquarelas, fotografias, filmes e documentos para o Museu Paranaense.

Em coletiva à imprensa na manhã de hoje (1), o secretário municipal de Cultura de Londrina, Marcão Kareca, explicou que o prédio foi mantido na sua originalidade, mas hoje está adaptado à modernidade, à segurança e ao conforto. Foram investidos R$2,1 milhões no restauro. Sobre a exposição do acervo próprio, preparada para receber os visitantes neste primeiro período de reabertura, ele destacou que foram selecionadas doações recebidas na época de formação do museu. “Esta coleção provavelmente vai ficar exposta durante 90 dias. O museu tem cerca de 700 obras ao todo, então sempre teremos novidades”, adiantou. O horário de funcionamento será de terça a sexta-feira, das 11h às 17h, além de dois sábados ao mês, das 9h às 13h, com entrada gratuita para o público em geral e grupos escolares agendados. “Londrina é uma cidade acolhedora e precisa deste museu, como uma porta de entrada da cultura e do lazer”, afirmou.
Museus satélites – A programação de reabertura do Museu de Arte de Londrina também inaugura uma experiência de circulação dos acervos dos principais museus gerenciados pelo governo estadual, na capital do Paraná. A secretária de Cultura do Estado, Luciana Casagrande, participou da coletiva e comentou sobre a iniciativa: “Hoje, aqui em Londrina, a gente inaugura o principal projeto que materializa essa descentralização que nós temos trabalhado desde 2019. A ideia é que a gente possa transitar com esse acervo das reservas técnicas dos museus pelo Paraná como um todo. Nesta primeira fase, a gente terá oito satélites de museus, filiais dos nossos museus em todas as macrorregiões do Estado onde esse acervo irá circular. É o acervo dos paranaenses”, declarou.
Além do MUPA Londrina, será implantado outro satélite do Museu Paranaense em Pato Branco. Cascavel e Maringá receberão satélites do Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC Paraná), enquanto Ponta Grossa e Paranaguá terão satélites do Museu Casa Alfredo Andersen (MCAA). Já Guarapuava e Tunas do Paraná contarão com satélites do Museu da Imagem e do Som do Paraná (MIS-PR).
Arquiteta de formação, a secretária avaliou a reabertura do Museu de Arte como “um presente”. “É emocionante, a gente está aqui embaixo de algo concebido pelo Vila Nova Artigas, que é valorizado pelo Brasil todo, é um privilégio de Londrina poder ter um ícone desse da arquitetura nacional. E não adianta nada a gente ter um edifício tombado sem uso, fica um prédio sem alma. Então, fiquei muito contente quando o secretário Marcão sugeriu o museu satélite estar no Museu de Arte de Londrina, foi um presente que o Estado ganhou, ao poder estar num ícone brasileiro, agora tão pulsante. Você põe vida neste espaço e ele reverbera em todo o entorno”, disse.

Guardião da história – O edifício que abriga o Museu de Arte de Londrina foi construído entre os anos de 1948 e 1952. Até 1988, ele abrigou o Terminal Rodoviário, servindo como ponto de conexão entre a cidade e outros lugares do Brasil.
Quem conhece bem a história do lugar é o assessor de gabinete da Secretaria Municipal de Cultura, Marcos Parisotto. A tia dele trabalhava na Viação Garcia e, quando garoto, ele frequentava o local como passageiro e visitante. Desde 1998, ele acompanha a manutenção de infraestrutura da Secretaria, e foi ele quem acompanhou as reformas prediais necessárias para possibilitar a reabertura do Museu de Arte, nesta quarta. Perguntado sobre qual foi a parte mais desafiadora do restauro, ele respondeu, sem margem para dúvidas, que foi a recomposição das pastilhas que revestem as colunas e outras superfícies do edifício.
Onde havia falta das pastilhas, foi realizada uma verdadeira transfusão: as equipes retiraram peças que estavam ocultas abaixo do calçamento e, recuperadas, elas foram recolocadas. “As pastilhas originais vieram do estado de São Paulo, vieram de trem para Londrina. Ela tem tonalidades de cores diferentes, porque naquela época você tem argila diferente e variações no tempo de queima. E aí na hora de montar as placas, vem a mescla, o que eu acho muito bonito. Hoje, você compra uma pastilha, ela é homogênea, com cores iguais”, detalhou.
Sobre o que mais gosta no prédio, ele relatou que gosta de sua forma completa: “Gosto da forma construtiva com a qual ela foi feita, as abóbadas, o traçado delas é o mais imponente, então ele chama muita atenção da maioria das pessoas. Mas eu gosto do traçado do prédio inteiro”, disse.
O edifício do Museu de Arte é o primeiro bem do Norte do Paraná a ser tombado nacionalmente, e um dos poucos entre cidades jovens, com menos de 100 anos de história. Em 1974, o ponto já havia sido reconhecido como Patrimônio Estadual do Paraná. Funcionou como rodoviária até 1988, se tornando efetivamente Museu de Arte em 1993. A instituição guarda ainda uma biblioteca com cerca de 700 volumes.




