Forças de segurança de Londrina discutem violência psicológica contra a mulher em evento
Encontro reuniu instituições para discutir a violência psicológica, ainda subnotificada, e fortalecer o atendimento às mulheres vítimas no município
Na manhã desta terça-feira (7), o Centro de Formação da Guarda Municipal de Londrina (CFGM) foi palco de um importante encontro voltado à conscientização e ao enfrentamento da violência doméstica e familiar. Com o tema “Quem cuida de quem cuida?”, o evento reuniu agentes da Guarda Municipal, além de representantes das polícias Militar e Civil, promovendo um espaço de diálogo e fortalecimento das servidoras que lidam diariamente com esse tipo de ocorrência.

A iniciativa foi promovida pela juíza Cláudia Andrea Bertolla Alves, titular do 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar, e pela agente da Guarda Municipal Aline Salles Pedrazani, doutoranda em Sociologia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). O objetivo foi ampliar a reflexão sobre a violência de gênero, especialmente aquelas formas que ainda passam despercebidas no cotidiano.
Durante sua participação, a juíza destacou a necessidade de capacitação contínua das instituições. “Essas capacitações são fundamentais para que possamos refletir sobre o que podemos melhorar enquanto instituições no enfrentamento à violência contra a mulher. Infelizmente, os números só crescem, e essa violência está muito mais próxima do que se imagina, muitas vezes dentro dos próprios lares”, pontuou Alves.
Ela também enfatizou a gravidade da violência psicológica, tipificada como crime em 2021, mas ainda pouco identificada. “A violência psicológica ainda é invisibilizada. Muitas vezes, ela antecede agressões físicas, mas não é identificada nem pelas vítimas nem pelas instituições. Hoje, temos apenas 13 ações penais em andamento relacionadas a esse crime em Londrina, o que mostra o quanto ainda precisamos avançar”, pontuou.

Segundo dados apresentados, desde 2021 foram instaurados apenas 17 inquéritos com base no artigo 147-B do Código Penal, que trata da violência psicológica contra a mulher — um número considerado baixo diante da realidade.
A agente da Guarda Municipal Aline Salles Pedrazani também reforçou a importância de dar visibilidade a comportamentos muitas vezes naturalizados. “Infelizmente a violência contra a mulher é uma constante em nossas vidas. Muitas vezes a mulher vivencia formas de violência que não consegue nomear. Nossa roda de conversa foi justamente para debatermos frases que ouvimos na nossa rotina que são violentas, mas muitas vezes normalizadas”, informou.
Ela destacou ainda o papel das servidoras tanto no cuidado com si mesmas quanto no atendimento à população. “Queremos, com isso, que nossas agentes consigam refletir sobre essas situações, adquirir consciência, buscar ajuda quando necessário, e também apoiar as mulheres ao seu redor e aquelas que atendemos nas ocorrências. Nenhuma mulher será abandonada”, concluiu.

Atuação da Patrulha Maria da Penha – A Patrulha Maria da Penha da Guarda Municipal de Londrina atua 24 horas em todas as regiões da cidade, seja por meio dos chamados via telefone 153 ou através do acionamento do botão de emergência. A instituição conta ainda com um setor responsável por acompanhar mulheres vítimas de violência doméstica que possuem medida protetiva expedida pela Justiça.
Até o final de março, 2.396 mulheres estavam cadastradas na base da Guarda Municipal e tinham acesso ao botão de emergência, disponibilizado por meio do aplicativo 153 Cidadão. A ferramenta permite o acionamento rápido das equipes em situações de risco, fortalecendo a rede de proteção às vítimas.
O encontro reforçou a importância da integração entre as forças de segurança e da capacitação contínua dos agentes públicos, especialmente diante de uma violência que, muitas vezes silenciosa, ainda representa um grande desafio para toda a sociedade.




