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Prefeitura e UEL definem projeto de enfrentamento à superpopulação de pombos

Proposta passará por deliberação no Consemma e prevê caixas de captura em áreas afastadas, manejo e abate humanizado; operações visam participação de cooperativas e empresas cadastradas

Para viabilizar a redução da superpopulação de pombas-amargosas (Zenaida auriculata) no centro da cidade, com proposta factível e compatível com a realidade municipal, a Prefeitura de Londrina desenhou uma estratégia. Trata-se de um projeto entre a Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) e a Universidade Estadual de Londrina (UEL) que prevê o abate humanizado dessa espécie com uso de caixas de contenção para captura instaladas em cooperativas agrícolas da região — locais onde as aves se concentram para se alimentar dos grãos armazenados. O projeto está em pauta para votação no Conselho Municipal do Meio Ambiente (Consemma) na próxima segunda-feira (25), com deliberação em sessão ordinária do órgão.

foto: Emerson Dias / NCom

A ação integra um projeto com duração prevista de 12 meses coordenado pelo Professor Dr. Mário Luís Orsi, do Laboratório de Ecologia Aquática e Conservação de Espécies Nativas (LEACEN) da UEL. Os quatro primeiros meses devem ser dedicados ao levantamento populacional, e os oito meses seguintes focados na captura e abate. Foram aproximadamente três meses de elaboração do projeto, a partir de reuniões entre as instituições iniciadas em agosto de 2025.

O formato de abate sugerido, caso a proposta seja validada, será conduzido por empresas devidamente cadastradas e autorizadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em locais afastados da área urbana, com destinação correta das carcaças.

Se o projeto for aprovado, o modelo de captação de recursos será estudado entre o Município e o Consemma, não havendo ainda uma previsão de início efetivo das operações. A intenção é trazer soluções práticas para resolver um problema crônico, ambiental e urbano, de várias décadas em Londrina, dado o potencial risco de transmissão de doenças, efeitos nocivos das fezes das aves, degradação urbana e outros prejuízos à biodiversidade.

O uso de caixas de contenção que se pretende utilizar nas cooperativas é apenas para a captura dos pombos, o que ocorreria em conjunto com a UEL. Posteriormente, o denominado abate humanizado compreende procedimentos técnicos e científicos para que o animal receba tratamento cuidadoso e adequado, garantindo seu bem-estar, eliminando a dor, o medo e minimizando o estresse.

foto: Emerson Dias / NCom

Inicialmente, a Prefeitura listou mais de 40 empresas (cooperativas e áreas de transbordo de grãos) para elaborarem planos de manejo dos pombos. O projeto prevê o uso de 25 caixas de contenção e armadilhas, sendo a função capturar os indivíduos na etapa de manejo e controle populacional. Um censo para levantar a população estimada de pombas será feito antes das etapas operacionais (saiba mais ao final).

Para o secretário municipal do Ambiente, Gilmar Domingues Pereira, a questão antiga envolvendo as pombas vai além do incômodo urbano e envolve riscos diretos à saúde pública e ao meio ambiente. “O que está sendo discutido é o controle populacional de uma espécie que se encontra em desequilíbrio ecológico. A diminuição dos seus predadores naturais e a facilidade com que água, comida e abrigo são oferecidos de forma generosa no ambiente urbano propiciam a proliferação exacerbada desses animais sinantrópicos, que trazem riscos consideráveis à saúde humana — em especial a histoplasmose e a criptococose. A população precisa ser controlada com a finalidade não apenas de reduzir os riscos à população londrinense, mas, sobretudo, de diminuir a possibilidade de contaminação dos nossos córregos, rios e lagos, considerando a necessidade de limpeza e lavagem das calçadas e passeios diariamente”, afirmou.

O biólogo Samuel Ávila Lorenço, integrante da equipe técnica do projeto e mestrando do programa de pós-graduação em Ciências Biológicas da UEL, informou que a escolha pelas cooperativas é estratégica. “O abate humanizado será feito com caixa de contenção em locais distantes da cidade, como na parte industrial, onde as pombas saem para se alimentar”, disse.

Segundo ele, a medida é necessária para que o controle seja efetivo e abranja um raio maior do que o das iniciativas anteriores. Londrina, por ser grande produtora de grãos e possuir amplas áreas verdes urbanas, reúne condições consideradas ideais para a proliferação da espécie. “É necessário um controle regular para redução dos indivíduos, melhorando as condições fitossanitárias e reduzindo os prejuízos nas cooperativas”, reforçou Samuel.

Novo censo apontará panorama – Antes do início do abate, a equipe da UEL realizará um censo populacional em quatro praças da região central — entre as quais o entorno do Bosque Municipal Marechal Cândido Rondon, principal dormitório das aves na cidade —, para dimensionar a população atual e orientar a escala das ações de manejo. “É visível que temos uma superpopulação, entretanto precisamos realizar um novo censo para então passar para a etapa de manejo e instalação das caixas de contenção onde essas pombas se alimentam”, explicou o pesquisador da UEL.

Iniciativas anteriores de controle, incluindo propostas de manejo autorizadas pelo Ibama, não apresentaram resultados satisfatórios. Em 2004, um censo estimou cerca de 170 mil pombas somente no período noturno na região central. Com a possibilidade de aprovação do Consemma, o novo projeto poderá avançar para a fase de execução, oferecendo uma resposta mais contundente ao problema, com monitoramento contínuo e relatórios técnicos mensais entregues à Prefeitura.

Embora o projeto inicial seja aprovado, em nível municipal, pelo Consemma, a etapa dos abates precisa passar pela validação de outros órgãos como o Ibama e IAT.

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