“Entalha Entinta” reúne xilogravuras na Vila Cultural Alma Brasil
Mostra apresenta trabalhos desenvolvidos por participantes das oficinas promovidas em parceria com o coletivo “Nós da Madeira”
De abril a agosto, a Vila Cultural Alma Brasil (rua Argentina, 693) recebe a exposição “Entalha Entinta”, mostra que reúne os resultados das oficinas de xilogravura realizadas em parceria com o coletivo “Nós da Madeira”. A exposição apresenta ao público uma seleção de obras produzidas ao longo dos processos formativos desenvolvidos pela instituição durante o projeto Oficinas da Alma – Ponto de Cultura, viabilizado por meio da política pública PNAB Estadual.
Integram a mostra produções criadas nos minicursos “Plantas” e “Carnaval”, além de trabalhos desenvolvidos pela turma regular do meio do ano. As obras revelam diferentes percursos de experimentação na gravura em relevo a partir da matriz de madeira, evidenciando a relação entre técnica, expressão artística e memória.

Segundo a organização, cada imagem exposta carrega investigações visuais e narrativas que dialogam com elementos da cultura popular brasileira, refletindo um processo coletivo marcado pela troca de saberes e pela construção compartilhada do conhecimento artístico.
Para Nana Souza, programadora cultural da Vila Cultural Alma Brasil, a proposta da exposição também nasce da forte adesão do público às oficinas. “Sempre é muito fácil e satisfatório conduzir essas oficinas, porque elas têm muita procura. Todos os editais tiveram lotação máxima e fila de espera. A gente recebe pessoas que nunca tinham pisado aqui na Alma e que chegam com muita vontade de aprender gravura popular”, destacou.
A diversidade de linguagens presentes na exposição destaca a potência criativa dos participantes, incluindo pessoas com e sem experiência prévia em xilogravura. A iniciativa também reafirma o compromisso da Vila Cultural Alma Brasil com a valorização das práticas artísticas, da formação continuada e da produção cultural colaborativa.
Segundo Nana, o processo das oficinas foi marcado pela pluralidade de vivências e perfis dos participantes. “Era um público muito diverso, com artistas, designers, pessoas da fotografia, mas também gente de áreas totalmente diferentes. Na turma temática de plantas, por exemplo, tínhamos até uma física nuclear fazendo pós-doutorado. Era um público muito curioso e atento”, relatou. A organizadora também participou de uma das oficinas como aluna. “Foi a primeira vez que manipulei uma goiva. Fiz uma begônia maculata e foi muito marcante descobrir os efeitos da tinta, da pressão e da relação com a matriz”, contou.

A parceria com o coletivo “Nós da Madeira” contribuiu para ampliar as possibilidades de experimentação artística durante as oficinas, aproximando os participantes da técnica tradicional da xilogravura e de suas conexões com a cultura popular brasileira.
Ao longo das diferentes turmas, os participantes puderam explorar temas variados, como azulejos, plantas, animais e carnaval. “A xilogravura no Brasil está muito ligada às expressões populares, principalmente às artes do Nordeste e à tradição do cordel. Quando pensamos as oficinas para o projeto Oficinas da Alma, queríamos mostrar justamente a diversidade da cultura tradicional e popular, presente nas artes gráficas, nos cantos, nos brinquedos e em diferentes manifestações culturais”, explicou Nana.
Além da exposição, a mostra também propõe um espaço de encontro entre artistas, participantes e público, estimulando o contato com processos coletivos de criação e com diferentes formas de narrativa visual.
A organizadora destacou ainda que a Galeria Corrimão, onde as obras estão instaladas, busca aproximar o público do espaço cultural. “É uma galeria popular, instalada ao longo da nossa escadaria. Queremos que as pessoas sintam vontade de participar das oficinas, mas também que imaginem seus próprios trabalhos expostos aqui”, afirmou.
A Vila Cultural Alma Brasil tem patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura de Londrina (SMC) pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).
Texto: Laura Gonçalves, sob supervisão dos jornalistas do Núcleo de Comunicação (N.Com) da Prefeitura de Londrina




