Segurança viária é debatida em Londrina com especialista em trânsito Mauro Gil Meger
Ação trazida pelo programa Missão Paraná, do governo estadual, reuniu plateia com agentes de trânsito e forças de segurança em torno do tema
Na esteira da programação de encerramento da campanha Maio Amarelo, o auditório da Prefeitura de Londrina recebeu nesta sexta-feira (29) um bate-papo com Mauro Gil Meger, gestor em Trânsito e Mobilidade e fundador e membro do Conselho Deliberativo do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV). Especialista de renome no assunto, ele explorou um panorama com questões atuais sobre o comportamento do trânsito e da mobilidade urbana, apresentando números sobre diferentes situações e estimulando a reflexão acerca do tema. A iniciativa foi viabilizada em parceria com a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná (SESP), que esteve representada no evento pelo secretário Saulo de Tarso Sanson e sua equipe.
Como anfitriã, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) levou agentes e servidores para assistirem à palestra, que também foi prestigiada por integrantes de forças de segurança, servidores e representantes da sociedade civil, com foco na prevenção de acidentes e na promoção da segurança viária. O encontro integrou as ações da 8ª edição do programa estadual Missão Paraná, com passagem pela região de Londrina nesta semana.
Mauro Gil Meger abriu a conversa mostrando o trabalho desempenhado pelo Observatório Nacional de Segurança Viária, Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) existente há 15 anos e maior instituição da América Latina no segmento. Com equipe profissional multidisciplinar, a entidade sem fins lucrativos atua integrando estratégias de pesquisa, desenvolvimento, inovação, impacto social e engajamento junto ao poder público, focadas em ações voltadas à redução dos índices elevados de vítimas no trânsito.
Destacado na atividade, o Movimento Maio Amarelo, surgido há 13 anos no Brasil, via ONSV, teve seu modelo exportado e possui alcance expandido hoje para mais de 30 países. Já se consolidou como uma das principais campanhas de conscientização sobre segurança viária no mundo.

O especialista apontou dados expressivos sobre a realidade do trânsito brasileiro. Conforme o Observatório Nacional, em 2024 foram 37.150 mortes, sendo mais de 100 por dia, representando 17 mortes para cada 100 mil habitantes e três mortes por 10 mil veículos. Esse cenário traz impactos humanos, sociais e econômicos, gerando custos financeiros e também invisíveis, conforme informações do Banco Mundial. Por ano, são 61,3 bilhões em dólares (3,8% do PIB brasileiro), e o levantamento converte isso em 2.340.976 anos de vida saudável perdidos, com indicador de soma de anos perdidos por morte e de anos vividos com incapacidade.
Outro recorte trazido com base em estudo da ONSV indica os motociclistas no centro da tragédia: foram 15.459 mortes em 2024, 14,7% a mais em relação a 2023. A maior parte das vítimas fatais em 2024 (61% do total) era de usuários vulneráveis, entre motociclistas, ciclistas e pedestres, principalmente homens jovens de 20 a 29 anos.
Para Meger, contextualizar e abordar o tema trânsito e segurança viária é necessário para incentivar uma mudança de cultura, gerando enfrentamento efetivo ao problema. “Expor essa realidade séria com números, embasamento e levando conhecimento técnico às pessoas ajuda a sociedade a entender melhor a situação de um trânsito que tira vidas e custa caro ao poder público e à comunidade. Levar essa mensagem é incentivar um olhar mais atento para que haja mudança real de comportamento dos condutores e redução dos índices de mortes e vítimas de trânsito. E, claro, trazer isso ao poder público ajuda as gestões a pensarem novas políticas e aprimorarem medidas para alcance de melhor desempenho em mobilidade”, sublinhou.

O diretor de Trânsito da CMTU, Renan Neves, acredita que a realização do evento em Londrina fortalece o impacto das ações do Maio Amarelo, alinhadas às necessidades do município. “Os temas trazidos pela campanha, e na palestra de hoje, são de grande relevância e refletem na vida da população, tanto dos condutores quanto dos pedestres. Temos que construir conjuntamente soluções que garantam mais mobilidade e segurança no trânsito. Pela CMTU, recebemos bem ideias positivas como essa ação educativa e precisamos estar presentes, absorvendo mais conhecimento, trocando informações e aprimorando os trabalhos. Essa integração com outras forças, com o Estado, o Observatório Nacional, ajuda em um diálogo produtivo, e a CMTU vem buscando aproveitar o máximo possível as experiências ligadas ao sistema de trânsito, pensando em otimizar a segurança urbana”, avaliou.

O secretário de Segurança Pública do Paraná, Saulo de Tarso Sanson, frisou que o governo estadual tem tido o compromisso de discutir e difundir os temas ligados ao trânsito, pensando em uma mudança de direção que traga o principal resultado buscado: reduzir o número de mortes e vítimas. “Temos que unir instituições e poderes para atenuar os impactos violentos dessa realidade, com planejamentos e trabalhos concretos, o que passa pela educação. Encarar o problema de frente é necessário, pois muitas vidas são perdidas. Temos o Mauro aqui, um dos grandes especialistas e profundo conhecedor do assunto, compartilhando números importantes. A palestra é um laboratório que queremos ampliar para incrementar o programa Missão Paraná nesse eixo da segurança viária”, considerou.
Quem também esteve presente foi o secretário municipal de Governo de Londrina, Leonardo Carneiro, reforçando a relevância da troca de informações enquanto ferramenta de construção coletiva para mudar realidades. “Parece repetitivo falar que o trânsito rouba vidas, mas é uma repetição mais do que necessária. Muitas pessoas não pensam amplamente a respeito e só se dão conta quando são alvo ou perdem pessoas próximas e queridas. Ninguém sai de casa pensando em tirar uma vida no trânsito, então acredito que as ações educativas e as políticas públicas integradas contribuem imensamente para reduzirmos os índices e incutirmos uma mudança comportamental na sociedade pela sensibilização e fiscalização. O Paraná vem mostrando seu protagonismo nessa matéria, sempre com ações pioneiras e concretas para poupar vidas. Londrina está inserida nisso e a gestão do prefeito Tiago Amaral busca evoluir e participar mais ativamente de cada processo estadual e nacional voltado ao assunto”, comentou.

Olhar atento – Um dos espectadores da atividade foi o gerente de Fiscalização de Trânsito da CMTU, Jonas Rico. Ele elogiou a iniciativa e ressaltou que aprofundar os entendimentos é valioso para quem atua neste segmento, tanto quanto para o público em geral. “A questão do trânsito é antiga por seu histórico, mas também muito atual, levando em conta a transformação pela qual as cidades passam sempre, e isso foi colocado aqui. Entendo que o tema precisa ser mais abordado e estudado, já que todos os dias no Brasil perdemos tantas vidas por acidentes e ocorrências de trânsito. Precisamos que os motoristas olhem mais para si próprios e para o lado, se preocupem com o próximo e ajudem a cuidar do bem maior que é a vida. Enquanto agentes públicos, sabemos da necessidade de aumentar a fiscalização e também a conscientização, é importante que todos nós estejamos atualizados e unindo forças para que os sinistros de trânsito reduzam”, afirmou.

Números no Paraná – Conforme explanado na palestra, em 2025 foram 2.660 mortes no trânsito no estado – 7,3 por dia – com 82% das vítimas fatais homens, de acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde (SESA). Deste total, 1.065 falecimentos foram de pessoas entre 20 e 39 anos. Mortes em motocicletas e triciclos somaram 904.
A estimativa proporcional baseada no Banco Mundial aponta custo anual aproximado de 4,71 bilhões de dólares anuais, sendo 57% deste custo considerado intangível. O Paraná respondeu por 7,68% nas mortes totais no Brasil em 2024. Já segundo a SESA a pressão sobre a saúde pública é outro fator sensível quanto aos impactos de trânsito. Em 2025, o Paraná teve 67.610 atendimentos do Samu por conta de acidentes e 12.697 internações no SUS, somando R$23,5 milhões em gastos hospitalares. Também houve 20.707 colisões entre automóvel e motocicleta, além de 11.666 quedas de moto registradas.
Paraná pioneiro – Números apresentados hoje (29) salientam a representatividade do Paraná como vanguarda no enfrentamento à violência. O estado é pioneiro e referência em educação no trânsito, mantendo 5 escolas com estrutura própria e atuando em todo o seu território. A Escola Prática Educativa de Trânsito (EPET-PR), de março a dezembro de 2025, realizou mais de 550 atividades, atendendo 24.873 pessoas. O alcance foi de 455 escolas públicas e 20.525 alunos da rede, além de 72 escolas particulares (2.612 estudantes), e mais 1.736 pessoas em ações extraplanos.
Londrina atuante por um trânsito mais seguro – Durante o encontro, o especialista Mauro Gil Meger citou Londrina como município ativo e partícipe das atividades estaduais e nacionais voltadas à segurança viária. “Além das várias ações de rotina, programas e da campanha Maio Amarelo, é perceptível a preocupação e interesse desta cidade sobre o assunto. O Paraná tem grande força nessa área, desde o pioneirismo na adesão e participação no PNATRANS (programa nacional), programas estaduais de redução de mortes no trânsito, o Programa Vida no Trânsito (PVT Paraná), dos quais Londrina faz parte com atuação eficiente. A cidade é relevante para nós, está inserida nesse contexto e vem participando conosco das ações que implementamos, incentivando um grupo unido do estado”, destacou.




