Produção londrinense conquista prêmio de Melhor Filme no Olhar de Cinema
Premiado em Curitiba, “Tornar-se Ciborgue no Interior” aborda tecnologia, futuro e comunidade a partir de um olhar do interior do Paraná
O curta-metragem Tornar-se Ciborgue no Interior, dirigido por Louisa Savignon e produzido pela UABI Filmes, conquistou o Prêmio AVEC-PR de Melhor Filme da Mostra Mirada Paranaense Sanepar durante a 15ª edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba. A obra, filmada em Ibiporã e realizada por uma equipe majoritariamente feminina, foi reconhecida pelo júri da Associação de Cinema e Vídeo do Paraná (AVEC-PR) entre oito produções paranaenses participantes da mostra competitiva.

Na justificativa da premiação, o júri destacou a construção de um universo próprio por meio da assimilação de aspectos culturais de um território, além da capacidade de transformar conflitos cotidianos em uma experiência estética singular. Para a diretora e roteirista Louisa Savignon, o reconhecimento foi uma surpresa.
“Foi inesperado para mim. Tinha a leitura de que o júri iria por uma decisão mais conservadora, um filme mais redondo. O Ciborgue é um filme ousado. Ao final da premiação, percebi que o Olhar de Cinema é um festival que reconhece e aposta bastante na ousadia. Me deixou muito feliz ter feito a estreia lá”, afirmou.
A proposta do curta surgiu a partir de reflexões sobre artificialidade, tecnologia e futuro, temas recorrentes nas pesquisas da realizadora. Inspirada especialmente pela obra da filósofa Donna Haraway, Louisa buscou construir uma narrativa que aproximasse essas discussões do cotidiano do interior do Paraná.
“Ainda quero acreditar em um futuro possível. Gosto de pensar como a tecnologia pode servir de aliada do futuro, mas sem engolir a gente totalmente. Fazer o filme me trouxe a hipótese de que talvez o ‘natural’ que a gente deva buscar esteja justamente no nosso contato com o tempo, e aí vem o interior, esse desacelerar, voltar a viver no tempo natural”, explicou.

Segundo a diretora, a construção estética e a narrativa da obra também nasceram da liberdade criativa durante o processo de realização. Sem seguir modelos rígidos de escrita e filmagem, a equipe desenvolveu um universo que ganhou novas camadas ao longo da produção.
“Talvez por ser uma produção do interior e também por eu gostar mais daquilo que escapa um pouco dos padrões, acabamos encontrando um caminho próprio. Nessa mescla de ingenuidade e profissionalismo, as escolhas deram certo. E isso também tem muito a ver com a generosidade e o companheirismo dos colegas de trabalho, porque cinema é uma arte coletiva”, destacou.
Além do reconhecimento artístico, o projeto também se tornou um espaço de fortalecimento para mulheres e pessoas LGBTQIAPN+ no audiovisual. A equipe foi formada majoritariamente por mulheres, uma escolha que, segundo Louisa, dialogava diretamente com os temas abordados pelo filme.
“Como o filme era queer e queria discutir e cutucar um pouco a masculinidade, essa foi uma ideia que fez sentido desde o início. Trabalhar com mulheres e pessoas queer traz muito à construção de redes seguras. Fica menor aquele sentimento de competição tão enraizado em determinados espaços”, avaliou.

Para quem participou da realização, a conquista foi recebida com entusiasmo. Camila Sampaio, responsável pela produção de objetos, contrarregragem e confecção de elementos de cena, celebrou o reconhecimento do trabalho coletivo.
“Foi muito extasiante para a equipe toda. Particularmente, senti um ‘valeu a pena’ intenso”, resumiu.
Viabilizado pela Lei Paulo Gustavo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura de Londrina, o curta representa mais um passo para a consolidação da produção audiovisual da região em circuitos nacionais. Para Louisa, o prêmio vai além do reconhecimento individual e simboliza uma conquista compartilhada pelo setor cultural local.
“Colocar Londrina e o cinema do interior na área, para a produção local, é um prêmio coletivo. É um pouco de todo mundo da cidade que tem se esforçado para encontrar novos caminhos de realização no cinema estando no interior. Uma verdadeira colocação de gasolina na galera”, concluiu.
Após a estreia premiada em Curitiba, a equipe agora planeja os próximos passos da circulação da obra. A diretora conta que pretende selecionar com cuidado os festivais nacionais e internacionais que receberão o filme, enquanto segue desenvolvendo novos projetos, incluindo a expansão de Tornar-se Ciborgue no Interior para um longa-metragem e a finalização do documentário híbrido Histórias Roubadas, codirigido com Raquel Liberador.
Os filmes participantes da Mostra Mirada Paranaense Sanepar, incluindo o vencedor, permanecem disponíveis gratuitamente até o dia 28 de junho na plataforma Itaú Cultural Play.
Serviço
Filme: Tornar-se Ciborgue no Interior
Direção: Louisa Savignon
Produção: UABI Filmes
Coprodução: Metafixa Produções e Cinea Filmes
Elenco: Edilson Silva, Talita Feuser, Noá Bonoba, Anire Niara e Luan Valero
Prêmio: Melhor Filme da Mostra Mirada Paranaense Sanepar (júri AVEC-PR)
Festival: 15ª edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba
Exibição online: Gratuita até 28 de junho na plataforma Itaú Cultural Play.
Texto: Laura Gonçalves, sob supervisão dos jornalistas do Núcleo de Comunicação (N.Com) da Prefeitura de Londrina




