Oficina de Choro e Samba leva clássicos da música brasileira à Concha Acústica
Espetáculo gratuito celebra música brasileira com repertório especial, mostrando o trabalho que é desenvolvido no projeto patrocinado pelo Promic
Neste sábado (4), às 17h, a Concha Acústica (rua Piauí, 110, Centro) recebe mais uma apresentação da Oficina de Choro e Samba. O espetáculo é gratuito e reunirá alunos, professores e convidados especiais em um repertório preparado ao longo das aulas, celebrando dois dos mais influentes gêneros da música brasileira.
Apesar de ocorrer na metade do ano, a apresentação não representa o encerramento das atividades da oficina. De acordo com a produtora Beatriz Amaro, o evento faz parte da proposta de compartilhar com a comunidade o trabalho desenvolvido pelos participantes durante a formação. “Desde o ano passado, optamos por realizar duas grandes apresentações públicas, uma no meio do ano e outra ao final. Como nossas vagas são limitadas para garantir a qualidade pedagógica e não sobrecarregar os professores, essas apresentações na Concha Acústica são a forma que encontramos para que toda a comunidade londrinense possa usufruir dos resultados da oficina”, contou.
Segundo Beatriz, a iniciativa também busca democratizar o acesso ao choro e ao samba por meio da ocupação de espaços públicos e históricos da cidade, aproximando a população dessas manifestações culturais.

Idealizador e professor da oficina, Guilherme Araújo Villela conta que este é o segundo ano do projeto sob sua coordenação, embora sua trajetória com oficinas de choro em Londrina tenha começado em 2019. A partir de 2025, decidiu criar sua própria oficina e reunir uma equipe de professores com uma proposta pedagógica voltada à prática coletiva.
Para ele, acompanhar a evolução dos participantes tem sido uma das maiores recompensas do projeto. “Foi muito gratificante esse processo. Começamos com músicas mais simples e fomos aumentando gradualmente o nível de dificuldade. Fico muito feliz porque muitos alunos retornaram da edição passada e os que começaram este ano permaneceram. Isso mostra que a oficina realmente funciona e que essa metodologia prática traz resultados”, afirmou.
Como funciona – As aulas são organizadas em encontros de duas horas e meia. Na primeira parte, os participantes estudam em grupos divididos por instrumentos, como violão, cavaquinho, bandolim, percussão e sopros. Em seguida, todos se reúnem para ensaios em formato de roda, proporcionando a experiência da prática coletiva e da preparação para apresentações públicas.
Segundo Guilherme, um dos principais desafios do trabalho está justamente na construção do repertório. “É preciso muito cuidado para selecionar músicas didáticas e adequadas ao nível dos alunos. Normalmente iniciamos com choros de duas partes, que são mais acessíveis, antes de avançarmos para repertórios mais complexos. A escolha das músicas é fundamental para que o aprendizado aconteça de forma natural e consistente”, explicou.
O público poderá acompanhar um repertório que reúne obras de grandes nomes da música brasileira, como Cartola, Clara Nunes, Waldir Azevedo e Paulinho da Viola. Um dos destaques da apresentação são os arranjos desenvolvidos por Guilherme Villela, além da participação especial do cantor Paulo Vitor Poloni e de suas alunas.

Diversidade e identidade – O professor destacou que a seleção das músicas também buscou apresentar a diversidade presente dentro dos próprios gêneros. “No choro, trabalhamos diferentes estilos, como o maxixe, a valsa e o choro lento. No samba, também buscamos apresentar diferentes características, como o partido-alto. Dessa forma, além de respeitar a evolução técnica dos alunos, o repertório mostra a riqueza e a variedade que existem dentro do choro e do samba”, disse.
Mais do que desenvolver habilidades musicais, a oficina tem como proposta fortalecer a identidade cultural brasileira por meio da prática coletiva. Para a equipe organizadora, o projeto funciona como um espaço de aprendizado, convivência e troca de experiências entre diferentes gerações. “Oferecer esta oficina é ressaltar a importância desses gêneros como pilares da nossa identidade nacional. O projeto não conta somente com aprendizado técnico, mas também promove a transmissão de conhecimento entre gerações e fortalece vínculos comunitários por meio da prática coletiva”, indicou Beatriz.
Guilherme reforçou que preservar esses estilos musicais também significa valorizar a história da música brasileira. “O choro e o samba são a escola da música brasileira. Todo músico brasileiro reconhece a importância desses gêneros para a formação musical, porque eles ensinam elementos fundamentais de interpretação, ritmo, harmonia e linguagem musical; além disso, são expressões genuinamente brasileiras e fazem parte da nossa identidade cultural. Em Londrina, essa preservação também ganha um significado especial pela história do Clube do Choro, que há mais de 50 anos mantém viva essa cultura na cidade”, ressaltou.

Aprendizado – A apresentação também representa um marco importante para os participantes. “Para os alunos, essa experiência representa um momento de aprendizado, relaxamento, construção de autonomia e o prazer de se sentirem capazes de fazer música e se apresentar para um público real, o que eleva a autoestima e o senso de pertencimento cultural”, destacou Beatriz.
Para o professor, ver esse crescimento é uma das partes mais marcantes da oficina. “O que mais me surpreende é ver alunos que começaram com bastante dificuldade, mas que persistiram e conseguiram evoluir. Nesta edição, propus que vários deles fizessem pequenos solos. Ver essa confiança e esse crescimento ao longo da oficina tem sido uma das partes mais bonitas do projeto”, compartilhou Guilherme Vilela.
A apresentação contará ainda com o trabalho dos professores Nycolas Horn, Arthur Guimarães e Débora Almeida, responsáveis pela formação dos participantes em diferentes áreas musicais.
Segundo Vilela, quem comparecer à Concha Acústica poderá esperar uma verdadeira celebração da música brasileira. “O público pode esperar muita música boa e uma apresentação feita com muito carinho pelos alunos e professores. Vamos abrir a apresentação com os seis choros e encerrar com os quatro sambas. Será uma oportunidade para conhecer obras tradicionais, descobrir novas músicas e prestigiar o trabalho desenvolvido ao longo da oficina”, concluiu.
A entrada é gratuita e o convite é aberto a toda a comunidade para prestigiar o trabalho desenvolvido pela Oficina de Choro e Samba e celebrar a riqueza da música popular brasileira.
O projeto “Oficina de Choro e Samba” é realizado com fomento do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).
Texto: Laura Gonçalves, sob supervisão dos jornalistas do Núcleo de Comunicação (N.Com) da Prefeitura de Londrina




