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Exposição “Encompridar um Instante” transforma memórias e afetos em arte na Biblioteca

Mostra gratuita reúne artistas de Londrina e convida o público a refletir sobre o tempo, memória e cotidiano por meio de diferentes linguagens artísticas

A Biblioteca Pública Municipal de Londrina recebe até o dia 31 de julho a exposição “Encompridar um Instante”, mostra gratuita que reúne obras de artistas locais em uma reflexão sobre o tempo, a memória e as diferentes formas de preservar experiências. A visitação já está aberta, desde ontem (13), na sede da biblioteca, localizada na avenida Rio de Janeiro, 413.

A exposição nasceu a partir de uma proposta desenvolvida na disciplina Espaços Relacionais III, do curso de Artes Visuais da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Inspirado no poema “Como encompridar um instante”, da escritora Sônia Barros, o projeto convida o público a desacelerar e observar como pequenos gestos, lembranças e objetos podem prolongar simbolicamente os momentos vividos.

Com curadoria coletiva de Ana Júlia Bertoncini, Giovanna Gamero, Giovanna Tomaz, Ingrid Midori, Julia Morais, Júlia Pereira, Luiza Bolzani e Mariane Trentini, a mostra reúne trabalhos de Anderson Monteiro, Danillo Villa, Elke Coelho, Fábio Jesus, Gabriela Caetano, Júlia Pereira, Karina Rampazzo, Lucas Silva e Rafa Tolújì. Fotografias, desenhos, esculturas e instalações dialogam sobre diferentes maneiras de registrar o tempo e transformar memórias em experiências sensíveis.

Foto: Giovanna Gamero

Além de integrar a equipe curatorial, Júlia Pereira também participa da exposição como artista. Estudante do segundo ano de Artes Visuais da UEL, ela apresenta duas obras construídas a partir de coleções familiares carregadas de significado afetivo.

“Twozies, 2016 (2025)” reúne miniaturas que começou a colecionar na infância durante passeios com os pais. Segundo a artista, a obra materializa lembranças construídas em família e preserva uma conexão com o pai, falecido no ano passado, por meio de um interesse que ambos compartilhavam.

Já a obra “Cartões Telefônicos, 2025” apresenta uma coleção iniciada pelo avô de seu companheiro e passada entre gerações até chegar às suas mãos para um trabalho acadêmico. Para Júlia, os objetos revelam como pequenas coleções também carregam histórias, afetos e heranças familiares. “Acredito que grande parte do público acha interessante coleções, mesmo aqueles que não colecionam. Ao entrar em contato com esses objetos, imagino que desperte um fascínio semelhante ao que senti quando conheci as coleções dos meus familiares. Talvez até incentive outras pessoas a criarem suas próprias coleções”, comentou.

A artista também destacou a importância da exposição em sua trajetória. “Foi e está sendo uma experiência muito boa. É uma honra dividir esse espaço com artistas que admiro e também apresentar meu trabalho para pessoas que ainda não conheciam minha produção”, disse.

Foto: Divulgação

Entre os participantes está também Lucas Silva, graduando em Artes Visuais pela UEL, que apresenta desenhos produzidos sobre calendários. Para ele, a escolha do suporte dialoga diretamente com a proposta da exposição. “Utilizo o calendário, um objeto criado para organizar o tempo, mas retiro sua função prática por meio do desenho. Os números, as letras e as imagens passam a formar uma única composição; o desenho registra um gesto, uma marca do que passou, e me faz aceitar que o tempo está sempre seguindo em frente”, explicou.

Segundo o artista, expor esses trabalhos representa um momento simbólico. “O desenho sempre esteve presente na minha trajetória. Ver essas obras saindo da gaveta e acontecendo no mundo é muito significativo”, contou.

Para Lucas, a principal mensagem da exposição está justamente na relação entre presença e passagem do tempo. “Encompridar o instante é aceitar que o tempo é volátil. O agora importa tanto quanto o passado e o futuro. A exposição nos lembra da importância de viver cada momento enquanto ele acontece”, completou.

Com entrada gratuita, “Encompridar um Instante” permanece aberta à visitação até 31 de julho, oferecendo ao público um convite para desacelerar, observar o cotidiano com mais atenção e descobrir como a arte pode transformar lembranças em permanência.

Texto: Laura Gonçalves, sob supervisão dos jornalistas do Núcleo de Comunicação (N.Com) da Prefeitura de Londrina

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