Galeria de arte interativa visita Feira da Saul Elkind neste domingo (26)
Com estrutura itinerante, projeto "TRANSmuteAR" inverte a lógica tradicional do público ir a museus e leva projeções videográficas, poesia e som diretamente ao cotidiano dos moradores
Em um mundo cada vez mais acelerado e dominado pelas interações virtuais, uma nova intervenção artística propõe uma pausa poética no cotidiano de Londrina. O projeto TRANSmuteAR – Uma Exposição em Trânsito convida o público a parar e explorar um cubo expositivo que oferece imagens visuais, poesia e paisagem sonora. Neste domingo (26), a atração estará na Feira Livre dos Cinco Conjuntos, das 9h30 às 12h30.
Idealizado pelo ator Paulo Barcellos e financiado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), da Secretaria de Cultura de Londrina, o projeto já passou pela Feira da Lua próxima ao Moringão, Aterro do Lago Igapó e o Calçadão, em frente ao Teatro Ouro Verde. A próxima estação prevista é o espaço de lazer Zerão, no dia 2 de agosto, no período da tarde. O cronograma completo das intervenções prevista até dezembro pode ser acompanhado no perfil do projeto no Instagram: @trans.mute_ar.
O artista contou que a iniciativa nasceu originalmente em 2019, como uma performance digital de longa duração. Agora, ela ganha as ruas, invertendo a lógica convencional de que o público deve ir ao museu, pois neste caso a arte é quem vai ao encontro do cidadão. “O TRANSmuteAR começou como um exercício de transformação no encontro com a matéria que se apresenta. Diante do avanço do conservadorismo, o prefixo ‘trans’ surge como um gesto de movimento contra o que é estanque. Queremos provocar um reencantamento do espaço urbano, chamando a atenção de quem aprecia para o que está em torno, fora do mundo virtual e de si mesmo”, afirmou Barcellos.
O cubo que serve de suporte para a exposição foi concebido por ele e pelo cenógrafo Gelson Amaral. Nele, há frestas e orifícios posicionados em alturas variadas – planejados estrategicamente para incluir adultos, crianças e cadeirantes – por onde se pode ver a projeção de 250 fotografias produzidas por ele e por parceiros internacionais, criadas a partir da ressignificação de objetos banais e elementos da natureza. “A concepção do Cubo foi pensada justamente para inverter a lógica tradicional da contemplação artística. Em vez de exigir que as pessoas se desloquem até um equipamento cultural formal, nós levamos a estrutura para onde a vida acontece. O contraste do exterior rústico com o interior poético e imersivo gera um impacto visual e sensorial imediato”, comentou o idealizador.
Interação entre artistas e público
O projeto reuniu artistas locais que são referência em diferentes linguagens. A curadoria das imagens, a partir de um acervo de mais de 600 obras, foi feita pela artista Fernanda Magalhães, enquanto a experiência visual das projeções foi costurada pelo jornalista e cineasta Luciano Pascoal. Já a ambientação sonora é obra de Rayra Costa, com textos poéticos da escritora Karen Debértolis.
Ao utilizar o espaço público como suporte, o projeto procura reafirmar o poder da arte como uma ferramenta essencial de comunicação e reflexão social. “Ele não apenas embeleza a rotina urbana, mas provoca o cidadão a se desconectar das telas virtuais por um instante para se reconectar consigo mesmo, com o outro e com a própria poesia que habita o cotidiano da cidade”, completou Paulo Barcellos.
*Com informações da assessoria de imprensa do projeto.




