Proteção às mulheres e enfrentamento ao feminicídio é tema de encontro na Prefeitura
Profissionais que atuam no atendimento à mulheres em situação de violência se reúnem no evento, que terá palestra do Laboratório de Estudos de Feminicídios da UEL
Órgãos públicos e instituições da sociedade civil de Londrina participarão nesta sexta-feira (24) do evento “Diálogos pela vida: proteção às mulheres em situação de violência e enfrentamento ao feminicídio”, que será realizado das 14h às 16h, no auditório da Prefeitura. O destaque da programação é a palestra da socióloga Silvana Mariano, coordenadora do Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (LESFEM / UEL).O evento é aberto ao público e não há necessidade de inscrição prévia.
O objetivo é promover o alinhamento de ações e fortalecer a rede municipal de atendimento e proteção às mulheres para a identificação precoce das situações de risco e prevenção do agravamento das violências, contribuindo para evitar a consumação do feminicídio, que é a morte – tentada ou consumada – de uma mulher, motivada pela condição de gênero.

A agenda faz parte das ações alusivas ao Dia Estadual de Combate ao Feminicídio, celebrado na última quarta (22), instituído no Paraná pela Lei Estadual nº 19.873/2019, em memória à advogada Tatiane Spitzner, que foi vítima do crime nesta data, em 2018. Os direitos das mulheres são observados em âmbito estadual pelo Código Estadual da Mulher Paranaense. Instituído pela Lei 21.926/2024, ele reúne e organiza dezenas de leis estaduais de proteção, apoio e promoção dos direitos da mulher no Paraná.
Informe técnico traz dados sobre o feminicídio no Brasil
Recentemente, o Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (LESFEM/UEL) publicou um informe técnico inédito sobre feminicídios com emprego de fogo e combustível no Brasil, fruto de um estudo realizado em parceria com o Observatório de Feminicídios de Londrina (Néias). O levantamento analisou 512 casos consumados e tentados, identificados e verificados pelo Monitor de Feminicídios no Brasil (MFB), entre 2023 e 2025, nos 26 estados e no Distrito Federal.
O informe mostra que 83,6% dos crimes foram cometidos por parceiros, ex-parceiros ou familiares e que 70,1% ocorreram no ambiente doméstico, com indícios frequentes de planejamento e tentativas de simular acidentes para ocultar a autoria. A pesquisa destaca ainda que 14,8% dos casos atingiram outras pessoas além da vítima e identificou 244 filhos menores vinculados às mulheres atacadas.
Ao comparar os dados com o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (SINESP), os pesquisadores verificaram que 42,8% dos casos monitorados não foram localizados na base oficial, apontando possíveis falhas de classificação e registro. O documento também analisa dois processos julgados em Londrina: em ambos, os acusados apresentaram versões acidentais para explicar os incêndios. As teses foram afastadas, na fase de pronúncia, por um conjunto de provas técnicas, testemunhais e contextuais.

A secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Marisol Chiesa, destacou que o encontro, além de disseminar dados sobre os casos de feminicídio e o perfil das vítimas em Londrina, no Paraná e no Brasil, também será uma oportunidade para reflexão e construção de estratégias voltadas ao fortalecimento da atuação dos serviços na prevenção do feminicídio.




