Destaques

Coleta seletiva trata 800 toneladas de recicláveis por mês em Londrina

Material encaminhado tem 70% de aproveitamento; índice pode aumentar com cuidados no momento da separação, em casas, condomínios e empresas

Cerca de 800 toneladas de resíduo seco gerado pelos mais de 250 mil imóveis no município de Londrina todos os meses ganham novo uso por meio da reciclagem do material. A destinação garante cuidado com o meio ambiente e é fonte de renda para as famílias de aproximadamente 260 trabalhadores, nas sete cooperativas responsáveis pela coleta seletiva no município sob a coordenação da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).

Foto: Rhayssa Fernandes / Estagiária NCom

A quantidade equivale a 70% de todo o material coletado, e indica a proporção daquilo que apresenta boas condições de reaproveitamento e encontra mercado para servir de base para a fabricação de novas embalagens e produtos à base de papel, plástico, vidro e metais.

De acordo com a gerente de vendas da Cooper Região, Priscila Alves, o principal desafio para aumentar esse percentual é a contaminação por restos de alimentos e por rejeitos colocados juntos com o material reciclável, como fraldas, papel higiênico, bombril e saquinhos plásticos com fezes de cães. Ela destacou que, além de impedir o reaproveitamento dos materiais, a sujeira prejudica o ambiente de trabalho das recicladoras e recicladores.

A coordenadora da Ecorecin, Raquel Pereira de Oliveira, também apontou a necessidade de um maior cuidado por parte da população, na hora da separação. “A questão de misturar alimentos atrapalha bastante. Tem lugares da coleta que vem tudo misturado. Tem fralda, resto de comida, e daí atrapalha nosso trabalho”, alertou.
O diretor de Operações da CMTU, Ricardo Ferreira, ressaltou a importância do trabalho das cooperativas em Londrina e destacou o projeto do município para ampliar o serviço na cidade.

“Temos trabalhado em conjunto com as cooperativas para melhorar sempre este trabalho que é fundamental para a cidade, para o meio ambiente e também para os cooperados. E, em parceria, com as cooperativas e o Ministério Público, formatamos um novo modelo de coleta seletiva para Londrina a partir do ano que vem, que vai ampliar os dias de coletas e levar a reciclagem para locais não atendidos atualmente, elevando a qualidade do serviço”, reforçou Ferreira.

Foto: Rhayssa Fernandes / estagiária NCom

Segurança

O preparo correto dos materiais para a destinação dos recicláveis também é importante para a segurança das equipes da coleta e triagem. Na destinação dos vidros, por exemplo, Alves comentou que tem observado um maior cuidado por parte dos moradores, ao colocar as garrafas em embalagem separada e sinalizada. Parte das garrafas que chegam inteiras podem ser vendidas de forma avulsa e têm maior valor de mercado, ela contou. Mas mesmo os vidros quebrados têm potencial de reaproveitamento, desde que cheguem embalados de forma a não colocar em risco quem irá manuseá-los.

Já o presidente da Ecorecin, Francisco Bitencourt Gomes da Silva, alerta para a presença de agulhas e “canetas emagrecedoras” no material coletados pela cooperativa, algo que também tem sido identificado na coleta do lixo comum. “Esse material não vai no reciclável, nem no lixo comum. Precisa ser levado para um posto de saúde ou farmácia, independente de onde foi comprado”, orientou.

Diversidade de materiais

A diversidade cada vez maior de materiais desenvolvidos pela indústria tem levado, por outro lado, à necessidade do desenvolvimento de novas tecnologias específicas para o reaproveitamento destes materiais após o descarte. A Cooper Região, por exemplo, atualmente trabalha com 16 compradores diferentes, para dar conta da destinação dos conteúdos mais variados. Já a Ecorecin atua como fornecedora para cinco empresas de reciclagem, todas de Londrina. De acordo com Silva, a fração de materiais que são tecnicamente recicláveis, mas não encontram mercado – como é o caso das embalagens metalizadas de salgadinhos industrializados – é pequena. “A mistura de orgânicos é o ponto mais crítico para o nosso trabalho. Aquilo que vem seco e embalado de forma segura não prejudica o diagnóstico, nem a venda”, explicou.

Além da Cooper Região e Ecorecin, a coleta seletiva é realizada em Londrina pela Coocepeve, Coopermudança, Copernorth, Cooperoeste e Cooper Refum.

Saiba os dias de coleta seletiva na sua região

Conheça seu lixo e saiba onde descartar:

  • Recicláveis para a coleta seletiva: metais, papéis, plásticos, vidros, embalagens tetrapak e isopor;
  • Orgânicos para adubo ou descarte no lixo comum: cascas de frutas, legumes e ovos, borra de café, folhagens;
  • Rejeito para o lixo comum: papel higiênico e guardanapos sujos, fraldas, absorventes, adesivos, esponja de aço, grampos;
  • Resíduos especiais para os Pontos de Entrega Voluntária (PEVs): entulho/resíduos da construção civil, madeiras e podas, gramas e resíduos verdes. Até 1m³ de resíduos sólidos por mês, por usuário (equivalente a oito carriolas);
  • Lixo classificado como perigoso, para logística reversa e tratamento especial: pilhas e baterias; lâmpadas fluorescentes; agulhas e outros materiais ambulatoriais e hospitalares; solventes e restos de tinta.

Texto: Rakelly Calliari e Lucio Flávio Cruz

Etiquetas
Mostrar mais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo
Compartilhamentos