Cidadão

Projeto “Um Brasil que Canta e Encanta” faz últimas apresentações nas feiras livres de Londrina

Apresentações gratuitas ocorrem neste domingo (30), nas feiras da Saul Elkind e da Avenida São Paulo

O projeto “Um Brasil que Canta e Encanta” encerra neste domingo (30) o ciclo de apresentações nas feiras livres de Londrina. Realizado pelo Coro Voz Viva, o espetáculo gratuito será apresentado às 8h30, na Feira da Saul Elkind, e, a partir das 10h, na Feira da Avenida São Paulo. As apresentações têm classificação livre e contam com intérprete de Libras.

Nas feiras, o coro apresentará um repertório dedicado à diversidade da música brasileira. O espetáculo reúne dez canções, sendo duas representantes de cada região do país, escolhidas a partir da combinação entre a identidade cultural de cada local e músicas capazes de criar uma aproximação afetiva com o público. “O processo foi pegar músicas que fossem marcantes para aquelas regiões, mas que, ao mesmo tempo, fossem conhecidas”, explicou a maestrina do Coro Voz Viva, Rose Andréia Castanho.

Entre as músicas apresentadas está “Tamba-Tajá”, inspirada em uma lenda amazônica, e “Bicho do Paraná”, composição que valoriza a identidade paranaense. Segundo Rose, a escolha também considerou a capacidade das canções de despertar identificação no público. “O nosso objetivo é transmitir que o bem-estar que a música pode fazer para a gente também pode ser compartilhado”, afirmou.

Apresentações de domingo (30) serão nas feiras da av. Saul Elkind e av. São Paulo. Foto: Divulgação

Ao longo da circulação, foram realizadas dez apresentações, em diferentes espaços públicos de Londrina, que aproximaram o canto coral de pessoas que nem sempre frequentam teatros ou equipamentos culturais. Para Rose, a experiência permite que o público conheça uma manifestação artística que, muitas vezes, permanece distante do cotidiano. “Muitas vezes, um público que está nos vendo na rua não vai até o teatro ou algum lugar formal, mas, estando na rua, ele tem acesso à cultura”, contou.

A resposta dos espectadores também marcou o coro durante a circulação. Entre as lembranças da maestrina está a participação de um homem que acompanhou uma das apresentações do início ao fim. “Ele participou de todas as músicas dançando, gritando e torcendo. Aquilo me deixou muito marcada, porque mostra o papel da cultura de chegar até a comunidade”, relatou.

Além da música, o projeto incorpora outras linguagens artísticas ao espetáculo, como escrita, dança, atuação e ilustração. A proposta, segundo a produtora artística e corista Mônica Genez, é ampliar a experiência proporcionada pelo coro e valorizar também as habilidades dos próprios integrantes. “Nossa proposta quer agregar diferentes vertentes artísticas ao espetáculo musical”, explicou.

A realização de apresentações em espaços abertos, no entanto, exige adaptações constantes da equipe de produção. Questões como chuva, sol e vento podem interferir diretamente na programação. “Cada apresentação é uma surpresa que nos traz a possibilidade de usar com afinco a criatividade para nos adaptar e entregar o nosso melhor ao público”, contou Mônica.

A circulação também alcançou públicos de diferentes idades e perfis sociais. Crianças, idosos e pessoas que não costumam frequentar apresentações artísticas estiveram entre os espectadores. De acordo com Mônica, algumas pessoas que acompanharam as apresentações demonstraram interesse em integrar o próprio coro. “Em todas as apresentações fomos nós que nos encantamos com a diversidade do público que interage conosco”, disse.

Para Rose, a aproximação com diferentes comunidades também pode contribuir para mudar a percepção sobre o canto coral. A expectativa é que quem teve contato com o projeto passe a enxergar a atividade de outra maneira e se interesse por conhecer mais sobre essa forma de expressão musical. “A cada apresentação, espero que aquelas pessoas passem a apreciar o canto coral e tenham um olhar diferenciado”, afirmou.

Próximas apresentações serão na Biblioteca Municipal e no Museu de Arte. Foto: Divulgação

A circulação nas feiras, porém, marca apenas o encerramento de uma etapa do projeto. Em setembro, o “Um Brasil que Canta e Encanta” segue para dois equipamentos culturais de Londrina. No dia 2 de setembro, às 19h, o espetáculo será apresentado na Biblioteca Pública Municipal. Depois, em 12 de setembro, às 11h, será a vez do Museu de Arte de Londrina.

A mudança de cenário amplia a presença do projeto em espaços dedicados à difusão cultural, mas mantém a proposta de democratizar o acesso à arte. “O artista vai onde o povo está. Queremos levar essa experiência de viagem musical pelas regiões do Brasil a todos e quantos espaços pudermos”, destacou Mônica.

Segundo a produtora, ocupar tanto espaços informais quanto equipamentos culturais é parte da proposta de romper com a ideia de que a arte seria destinada apenas a determinados públicos. “Pretendemos manter a mesma essência dos espetáculos de rua, quebrando a conotação de que a arte só é acessível e válida a determinadas camadas sociais”, afirmou.

Todas as apresentações do projeto são gratuitas, têm classificação livre e contam com intérprete de Libras. A iniciativa é patrocinada pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), da Prefeitura de Londrina, por meio da Secretaria Municipal de Cultura.

Texto: Laura Gonçalves, sob supervisão dos jornalistas do Núcleo de Comunicação (N.Com) da Prefeitura de Londrina

 

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