Biblioteca Pública de Londrina preserva livros raros com mais de 300 anos
Obras históricas podem ser consultadas pelo público mediante agendamento prévio e acompanhamento
Em seu amplo acervo com cerca de 70 mil obras, a Biblioteca Pública Municipal de Londrina mantém uma coleção de livros raros e especiais que preserva parte da memória histórica e cultural da cidade, do Paraná e representa diferentes períodos da história. O mais antigo deles, “Instructions générales en forme de catéchisme”, de François-Aimé Pouget, foi publicado em 1710. Há também exemplares de “Della natura de’ fiumi trattato fisico-matematico”, de Domenico Guglielmini, de 1739; e “Pensées sur l’interprétation de la nature”, de Diderot, de 1754.

A coleção reúne, ainda, publicações de valor histórico, como “Obras de Luís de Camões”, de Camões, de 1884, e “A Journey in Brazil”, de Louis Agassiz, de 1868. Localizada na Avenida Rio de Janeiro, 413, a Biblioteca Pública permite a consulta às obras raras mediante justificativa, agendamento e acompanhamento, mas os livros não podem ser retirados do local.
De acordo com o bibliotecário Marcos Moraes, da Biblioteca Pública de Londrina, o exemplar de 1710 é o que mais chama atenção entre as obras raras. E, além da idade das publicações, o interesse histórico também é um dos fatores que tornam determinadas obras especiais para a Biblioteca. Livros relacionados à história de Londrina e do Paraná despertam o interesse de leitores, estudantes e pesquisadores que buscam informações sobre a formação e o desenvolvimento do território. “As obras especiais e raras mais procuradas são as que abordam aspectos históricos da cidade de Londrina, da região e do estado do Paraná”, explicou Moraes.

Além de reunir obras de diferentes períodos, o acervo de livros raros da Biblioteca Pública também preserva parte da memória histórica e cultural da cidade.
Para o secretário municipal de Cultura de Londrina, Marcão Kareca, a conservação dessas publicações permite que estudantes, pesquisadores e a comunidade tenham acesso a documentos e conhecimentos que atravessaram gerações. “A preservação dos livros raros é fundamental porque essas obras fazem parte da história e da memória cultural e todos precisam ter acesso a este conhecimento. São documentos que permitem conhecer diferentes períodos, autores, além de contribuírem para a pesquisa de estudantes, pesquisadores e da comunidade. Manter esse acervo preservado é também garantir que as futuras gerações tenham acesso a esse patrimônio”, afirmou.
Como uma obra é considerada rara
A identificação dos livros raros e especiais começa no momento em que as obras chegam à Biblioteca Pública, principalmente por meio de doações. A equipe avalia diferentes características para verificar se uma publicação apresenta elementos que justifiquem sua inclusão na coleção especial.

Entre os critérios observados estão a data de publicação, a existência de primeiras edições, tiragens limitadas e o contexto histórico da obra. Também são consideradas marcas de proveniência, como autógrafos, dedicatórias, anotações manuscritas e carimbos, além de características físicas e editoriais, como encadernação, projeto gráfico e ilustrações.
Cuidados com os exemplares
Por serem publicações antigas e, em muitos casos, frágeis, os livros recebem cuidados específicos para evitar a deterioração. A coleção de obras raras e especiais passa por higienização periódica, realizada com equipamentos e materiais apropriados para a conservação de documentos.
Os exemplares são acondicionados individualmente em caixas produzidas com papel especial, livre de ácido e com reserva alcalina. Diferentemente de materiais como papel kraft e cartolina, esse tipo de acondicionamento evita a presença de substâncias que podem acelerar a degradação do papel. A reserva alcalina também funciona como uma barreira protetora para as obras.
O armazenamento é feito ainda em armários fechados, com portas de vidro, que ajudam a proteger os livros contra agentes biológicos e partículas provenientes da poluição. A medida é especialmente importante devido à localização da Biblioteca Pública, em uma área central de Londrina, com grande circulação de pessoas e veículos.
Consulta é aberta ao público, mas exige acompanhamento
Apesar de não poderem ser emprestados, os livros raros podem ser consultados por pessoas que tenham interesse ou necessidade de acessar as obras. Para isso, é necessário apresentar uma justificativa, realizar o agendamento e fazer a consulta com acompanhamento da equipe responsável.

Também são utilizados equipamentos para auxiliar na preservação dos exemplares durante o manuseio, como luvas e máscaras. Dessa forma, o acesso ao conteúdo é conciliado com os cuidados necessários para evitar danos às publicações.
A consulta às obras raras funciona de maneira diferente do empréstimo convencional da Biblioteca. No acervo geral, em regra, os usuários podem escolher até três livros e permanecer com eles por 15 dias, com possibilidade de duas renovações. Para realizar o cadastro, é necessário apresentar documento com CPF e foto, além de comprovante de residência em Londrina ou algum documento que comprove vínculo com o município, como matrícula em instituição de ensino ou holerite.
Nem todas as publicações do acervo geral, porém, estão disponíveis para empréstimo. Além dos livros raros e especiais, há obras de referência e outros exemplares considerados importantes para consulta no próprio espaço. Os livros destinados ao vestibular, por exemplo, não podem ser renovados e há casos em que o usuário pode retirar apenas um exemplar por vez.
Para consultar uma obra rara, o interessado deve procurar a Biblioteca Pública Municipal de Londrina, localizada na Avenida Rio de Janeiro, 413, e solicitar informações sobre o procedimento de acesso. Como as publicações permanecem na instituição, a consulta é realizada no próprio local e sempre sob supervisão da equipe.
Texto: Laura Gonçalves, sob supervisão dos jornalistas do Núcleo de Comunicação (N.Com) da Prefeitura de Londrina




