Oficina gratuita transforma memórias afetivas em criação de figurinos em Londrina
Atividade será realizada em outubro e tem 12 vagas para pessoas a partir de 14 anos; inscrições seguem até 28 de setembro
Estão abertas as inscrições para a oficina gratuita “Figurino e Memória”, que será realizada nos dias 1, 2 e 3 de outubro, em Londrina. Durante os três encontros, os participantes vão transformar lembranças pessoais em referências para a criação coletiva de figurinos, utilizando técnicas como croquis, costura manual, pintura, colagem de tecidos e modelagens alternativas.
A atividade oferece 12 vagas para pessoas a partir de 14 anos, não exige experiência prévia e integra o projeto “Retalhos de Memória”. As inscrições devem ser realizadas até 28 de setembro, por meio deste link. A seleção considera a ordem de inscrição, o interesse pela atividade, a disponibilidade integral para os três encontros e as políticas de ações afirmativas. Os selecionados serão contatados por WhatsApp.
A oficina será conduzida por Deivid Quadros, proponente do projeto, diretor e figurinista do espetáculo “Retalhos de Memória”, que também atua como oficineiro, e por Bianca Baggio, oficineira técnica criativa. A proposta nasceu de uma pesquisa desenvolvida por Prado durante o curso de Artes Cênicas, quando passou a investigar a relação entre o figurino, a criação cênica e as memórias associadas às roupas utilizadas no cotidiano.

Segundo o diretor e figurinista, a ideia surgiu a partir da percepção de que as vestimentas podem carregar significados para além da função de vestir. “A proposta de trabalhar as memórias afetivas por meio do figurino surgiu enquanto pesquisava sobre o uso da vestimenta no cotidiano. Percebi que ela também é uma forma de se comunicar e que a maioria das pessoas guarda peças de roupa por memórias afetivas”, contou.
A partir dessa pesquisa, a oficina também foi pensada como uma oportunidade de aproximar o público da criação de figurinos. Quadros explicou que, durante sua formação, observou que atividades voltadas especificamente à área não eram tão frequentes. “Por isso, quando pensamos no projeto, propusemos a oficina, pensando que seria uma possibilidade de investigar o figurino em conjunto”, disse.
Os encontros começam com uma conversa sobre a relação entre memória, personalidade e experiências pessoais. Depois, os participantes serão convidados a escolher uma lembrança significativa e transformá-la em referências visuais e materiais para a criação. A oficineira Bianca Baggio explicou que o processo parte das experiências individuais antes de chegar à construção coletiva. “A oficina vai funcionar, a princípio, com uma conversa introdutória a respeito do tema e de como as lembranças da nossa vida são importantes para a construção da nossa personalidade, da nossa memória e também da nossa perspectiva de futuro”, adiantou.
As referências podem vir de diferentes momentos da vida, especialmente de experiências marcadas pela afetividade. Para Baggio, lembranças da infância, da família e da escola podem servir como fontes para o processo criativo. “Eu acredito que as memórias de infância, da casa da avó, da escola, do colégio ou das brincadeiras de rua são espaços muito ricos de referências para construções de histórias e figurinos também”, afirmou.
A atividade terá ainda uma etapa prática, com técnicas manuais e alternativas para a produção das peças. “Nessa oficina eu vou ensinar técnicas de costura manual que todos podem utilizar, pintura, técnicas básicas de crochê e bordado, além de técnicas de construção de roupas e formas de usar criativamente os materiais”, contou a oficineira.
A oficina mantém relação direta com o espetáculo “Retalhos de Memória”, no qual o figurino participa da construção da narrativa e não apenas da caracterização dos personagens. As roupas são utilizadas como elementos capazes de carregar significados e estabelecer uma comunicação com o público. “A proposta era que o figurino fosse pensado junto da criação do espetáculo, não servindo apenas como uma caracterização, mas portando significados e comunicando com o público”, afirmou o diretor da peça.
Na oficina, essa perspectiva será aplicada a uma criação coletiva. Depois da etapa inicial, os participantes serão divididos em grupos e compartilharão as memórias escolhidas. A partir dessas experiências, cada grupo deverá construir uma memória coletiva que servirá de base para a criação de um personagem e de seu figurino.
Para a produção, os participantes poderão levar peças de roupa que tenham relação com as memórias escolhidas. O projeto também disponibilizará aviamentos, retalhos e outros materiais para complementar as criações. Com as técnicas apresentadas durante os encontros, os grupos poderão desenvolver os figurinos coletivamente.
Baggio explicou que a dinâmica permite reunir diferentes experiências pessoais em uma única produção. “A oficina vai acontecer em grupos. As primeiras partes, que são as teóricas e a introdução das técnicas, vão acontecer individualmente. Porém, quando chegarmos à parte prática de escolha da memória e produção do figurino de um personagem que possa representar essa memória, os participantes serão organizados em grupos e cada um vai compartilhar a memória que escolheu para trabalhar. O grupo vai desenvolver uma memória própria, uma memória coletiva, e isso vai ser a base para a construção do figurino”, detalhou.
Para o secretário municipal de Cultura de Londrina, Marcão Kareca, a proposta contribui para aproximar a produção cultural das experiências pessoais da comunidade. A iniciativa recebe fomento do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), que viabilizou a realização do projeto. “Projetos como o ‘Retalhos de Memória’ mostram como a cultura pode criar espaços de expressão, aprendizado e troca com a comunidade. Ao propor que cada participante transforme suas próprias lembranças em uma criação artística, a oficina aproxima a produção cultural das experiências e histórias de cada pessoa”, afirmou o secretário.
Texto: Laura Gonçalves, sob supervisão dos jornalistas do Núcleo de Comunicação (N.Com) da Prefeitura de Londrina




