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Saúde capacita equipes e mantém ações estratégicas para combater a dengue frente ao El Niño

Esforços direcionados buscam minimizar impactos deste fenômeno cíclico no aumento de arboviroses; números da dengue seguem viés de redução expressiva ante 2025

Sob os efeitos climáticos do El Niño, desencadeando impactos como grandes volumes de chuvas intensas em várias regiões do país, Londrina também enfrenta as intempéries geradas por este fenômeno natural global. O município registrou, em setembro de 2026, o maior volume de chuvas em um único mês, desde 1997, com precipitação acumulada de 255 milímetros – 150% superior à média histórica de 102 milímetros. Para reforçar a prevenção e o combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) segue concentrando ações combinadas que englobam capacitação direcionada de equipes para o atual momento, intervenções em locais mapeados, monitoramento permanente e vistorias em pontos estratégicos, entre outras.

Embora o comparativo numérico entre 2026 e 2025 aponte ampla redução nos indicadores de dengue em Londrina, o planejamento atual busca mitigar possíveis impactos decorrentes das grandes precipitações pluviométricas. No período de janeiro até setembro, houve diminuição de 77% nos óbitos por dengue sobre o ano anterior (queda de 9 para 2), além de 72,96% menos confirmações da doença, e 50,09% no volume de suspeitas por casos notificados (detalhamentos ao final).

Foto: Divulgação / SMS

Os trabalhos operacionais da Vigilância Ambiental da SMS foram redimensionados e potencializados, desde meados de julho, visando manter um panorama equilibrado mesmo diante das adversidades do El Niño. Destaca-se nesse conjunto a capacitação estratégica para as equipes, por meio de oficinas de alinhamento que apontam o comportamento das arboviroses para garantir respostas mais rápidas e técnicas.

Nos dias em que as chuvas impossibilitam os trabalhos de campo, as equipes se reúnem para planejar. O encontro mais recente ocorreu na última terça-feira (13), no auditório do SAMU.

Os treinamentos atendem servidores do setor, supervisores, gerentes, coordenadores e todo o time de Agentes de Combate às Endemias (ACEs) do município, refletindo no trabalho do restante da rede, conforme frisou o gerente de Vigilância Ambiental, Nino Ribas. “Este trabalho vai além de palestras teóricas, funcionando como sessões imersivas de planejamento tático. As equipes são orientadas a utilizar metodologias ativas e ferramentas de gestão, como a matriz 5W2H (que define o que será feito, por quê, onde, quando, por quem, como e os recursos necessários). Há debates sobre os cenários climáticos, revisão de guias e construção de protocolos, culminando em rodadas de apresentação onde as próprias equipes validam e alinham ações antes de irem a campo. Ao compreenderem o plano de contingência, os agentes podem executar em conjunto as intervenções, que incluem visitas programadas nos fins de semana em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e escolas municipais”, descreveu.

Na prática, os reflexos, segundo Ribas, são maior velocidade de bloqueio e direcionamento da força de trabalho no alto risco. Os grupos treinados conseguem saber, a partir do plano desenhado, como executar o bloqueio para quebrar a cadeia de transmissão local, e fica priorizada a desarticulação de macrocriadouros como imóveis de pessoas acumuladoras, ferros-velhos e cemitérios. “O treinamento aplicado transforma o trabalho braçal em um trabalho de inteligência tática, o que garante agentes de endemias não mantendo somente visitas regulares, mas exercendo sua função de forma analítica no território”, apontou.

Quanto à diferença entre o enfrentamento em períodos regulares de chuvas e em épocas atípicas, como o atual momento do El Niño, Ribas destacou que o vetor transmissor da dengue age de formas diferentes. “Quando temos chuvas regulares de verão, o ciclo biológico do Aedes obedece um ritmo previsível, permitindo às equipes fazerem varreduras com cronogramas de rotina mais elásticos. Já nos impactos do El Niño a combinação de calor extremo com chuvas frequentes age como um catalisador biológico, e o ciclo de vida do mosquito encurta drasticamente, fazendo com que os ovos eclodam muito mais rápido e a proliferação ocorra de forma explosiva”, esclareceu o gerente.

Foto: Emerson Dias / N.Com

Avaliação de cenário e pronta resposta – Desde que o Ministério da Saúde alertou sobre os riscos do El Niño e seus potenciais efeitos sobre aumento de arboviroses, o setor de Vigilância Ambiental fez uma análise sobre os últimos períodos mais consideráveis do El Niño, especialmente entre o final de 2015 e início de 2016, quando houve fortes impactos em Londrina. Os casos de dengue aumentaram na época, fator avaliado no levantamento e que possibilitou o adiantamento com ações preventivas para as situações atuais.

“De lá para cá, começamos esse movimento de reunir e orientar as equipes, com ênfase nesse cenário. Estamos preparando esses profissionais, a cada etapa conseguimos ampliar o número de pessoas de acordo com as atividades programadas no plano. O resultado vem sendo satisfatório”, avaliou Nino Ribas.

Nesse caso, a atuação tática deixa de ser preventiva, de longo prazo, e passa a ser de pronta resposta cirúrgica. “É por isso que há uma dependência direta do monitoramento em tempo real, incluindo 1.500 armadilhas ovitrampas, e do histórico de transmissão dos bairros para focar energia em bloqueios imediatos de casos suspeitos, sem margem para atrasos”, acrescentou o gerente de Vigilância Ambiental.

Mais intervenções direcionadas – Dentre as atividades integradas estão as visitas diretas a escolas municipais e Unidades Básicas de Saúde (UBSs), iniciadas em 2025, com base na análise de casos notificados e confirmados por território e série histórica de dengue nos bairros. A atuação ocorre nos fins de semana por meio das equipes de endemias, responsáveis por orientar os trabalhadores de cada espaço, aplicando inseticida com metodologia BRI (Borrifação Residual Intradomiciliar) e bombas costais em pontos de maior circulação de dengue e vulnerabilidade.

Esse trabalho já resultou, apenas em 2026, em cerca de 300 espaços atendidos, sendo uma média de 32 por mês.

Mapeamentos e bloqueios de transmissão são outras ferramentas utilizadas para que as atividades da Saúde possam atender efetivamente os bairros que, historicamente, apresentam rápido aumento na incidência de casos. Além disso, a SMS mantém vistorias rigorosas em pontos de alto risco de infestação, considerados estratégicos, entre cemitérios, ferros-velhos e cooperativas de reciclagem. Paralelamente, há frente mobilizada na limpeza e intervenção em imóveis de pessoas em situação de acumulação, desarticulando macrocriadouros que colocam quadras inteiras em risco.

Foto: Rakelly Calliari

Redução significativa de dengue – O panorama relacionado à dengue na cidade é de queda nos indicadores. O boletim mais recente, divulgado nesta quinta-feira (15), aponta 12.135 notificações e 1.320 casos confirmados, além de 10.217 descartados. Outros 404 estão sob análise, e apenas duas mortes foram registradas em 2026.

De 2025 para 2026, entre janeiro e setembro, as notificações caíram de 24.315 para 12.135, ou 50,09%; passaram de 4.881 para 1.320 os casos confirmados (72,96% de queda); e os óbitos foram reduzidos de 9 para 2 – 77,78% a menos.

O gerente de Vigilância Ambiental, da SMS, Nino Ribas, ressaltou a expressiva contenção alcançada nesse período, mas enfatizou que o cenário atual exige alerta máximo nos cuidados. “Vencemos uma etapa importante, só que o jogo ainda não acabou. Com o El Niño, estamos diante de uma combinação perigosa, calor extremo e chuvas frequentes, clima que favorece muito a proliferação do Aedes, com seus ovos eclodindo bem mais rápido. A grande maioria dos focos ainda está nos quintais e casas, e uma chuva rápida é suficiente para encher calhas entupidas, pratinhos de plantas, garrafas, vasilhas e outros recipientes. Por isso, pedimos que as pessoas reservem dez minutos de sua semana para vistoriar a casa, não esperando a visita do agente de endemias para uma limpeza. O poder público faz sua parte nas ruas e no controle, mas o cuidado com suas casas salva a vida da sua família e a dos seus vizinhos”, reforçou.

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