Luíza Brunet participa de seminário sobre violência doméstica e familiar
Encontro reuniu diversas lideranças do poder Judiciário, Executivo e Legislativo, além de representantes da sociedade civil organizada

Para chamar a atenção da sociedade a um tema que permeia todas as classes sociais, a modelo, atriz e empresária Luíza Brunet esteve em Londrina nesta sexta-feira (16). A atriz participou da abertura do II Seminário de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, que aconteceu na sede da OAB Londrina.

O objetivo do seminário foi apresentar as questões que envolvem a violência contra mulher, os direitos e serviços disponíveis para ajudar as vítimas, os desafios a serem enfrentados e soluções possíveis, além dos números atualizados dessa situação no país. Segundo Luíza, falar sobre a violência através dos relatos daquelas que vivenciaram essa situação, transforma o olhar que se tem a respeito do assunto e aproxima as vítimas, mostrando que há solução para todas.
“Eu fico extremamente feliz com a possibilidade de poder falar para as mulheres, ao redor do Brasil, principalmente, por eu ser uma mulher que sofreu violência doméstica na fase adulta, com 54 anos de idade. Quando você é vítima, consegue falar melhor com aquelas que sofrem esse tipo de violência. Então, me sinto privilegiada em poder falar sobre isso com elas. A minha maneira de ver hoje é muito sensível, com olhar diferenciado”, disse a atriz e embaixadora do programa Mãos EmPENHAdas.
Segundo a promotora de Justiça e integrante do Núcleo de Promoção da Igualdade de Gênero (NUPIGE), Susana Broglia Feitosa de Lacerda, no Brasil, por ano, uma mulher é vitima de estupro a cada 9 minutos, outra registra agressão a cada 2 minutos e outras três sofrem feminicídio a cada um dia. Além disso, segundo dados oficiais, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) registra que 51,9% dos casos de estupro que ocorrem no Brasil são de meninas com idades de 1 a 5 anos.
Além disso, de acordo com pesquisas do Ph.D. em Economia pela Pennsylvania State University (USA) e professor da Universidade Federal do Ceará, José Raimundo de Araújo Carvalho, em conjunto com o Instituto Maria da Penha, além do sofrimento às vítimas, a violência contra a mulher também gera despesas significativas para o Brasil. Isso porque, no Brasil, elas atingem a monta de U$ 21 bilhões de dólares, ou seja, cerca de 1,2% do PIB nacional. Já na França, os custos chegam a U$ 3 bilhões dólares e nos Estados Unidas U$ 12 bilhões.

Para o prefeito de Londrina, Marcelo Belinati, é extremamente importante discutir a questão da violência contra a mulher, a fim de garantir direitos iguais a todos e uma sociedade mais justa, por isso tudo aquilo que estiver ao alcance do poder público municipal será feito. Um dos exemplos utilizados por Marcelo foi a questão a construção da Casa da Mulher Londrinense, que, segundo ele, será uma obra financiada pela Prefeitura, e que aguarda apenas a confecção do projeto arquitetônico e de infraestrutura. “Minha mãe é um grande exemplo da mulher brasileira: uma guerreira, que trabalha e cuida dos filhos. Tudo que estiver ao alcance da Prefeitura de Londrina, tenham certeza absoluta que trabalharemos juntos para diminuirmos a violência contra a mulher”, frisou.
A advogada e coordenadora do Comitê Latinoamericano de Defesa dos Direitos da Mulher, Sandra Lia Leda Bazzo Barwinski, explicou que para que a situação de violência contra a mulher diminua é necessário que se invista em educação e na mudança de comportamento dos homens e de toda a sociedade. “A violência não é algo simples, único ou um fato isolado, mas decorre de uma série de condutas, ações e da cultura. Um dos fatores que desencadeiam a violência é o cultural e por isso temos trabalhado com a educação como uma forma de prevenção da violência de gênero”, ressaltou.
A desembargadora do Tribunal de Justiça do Paraná e coordenadora estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e familiar (CEVID), Lenice Bodstein, esteve no evento e esclareceu que a coordenadoria do TJ/PR tem trabalhado com ações educativas de motivação, conscientização e na própria legislação para comunidades específicas. “O TJ/PR se sente privilegiado por congregar toda a rede de enfrentamento à violência doméstica que se faz extremamante necessária. Não é só uma campanha de Conselho Nacional de Justiça, mas de todo o povo paranaense, para que possamos tanto o Executivo, Legislativo e o Judiciário fazer frente a este problema que nos traz a condição muito triste de 5º lugar no ranking da violência contra a mulher no Brasil”, disse.
Atualmente, há 371 processos de feminicídios no Paraná, e são responsáveis pela produção nacional em economia, como chefes de família, 62% do público. No Brasil, Londrina tem sido um município pioneiro no combate à violência, pois há mais de 25 anos criou a Coordenadoria da Mulher, com a implantação do primeiro Centro De Referência De Atendimento À Mulher (CAM), assim como logo após criou também a Casa Abrigo, auxiliou na criação das políticas públicas para a formulação do projeto nacional Rosa Viva, entre outras ações.

“A Prefeitura de Londrina, por meio da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, tem sido referência nacional no atendimento às vítimas de violência, aos seus filhos e dependentes, assim como nas políticas de prevenção. Todos os serviços atuam por meio do fluxo de atendimento e pelo diálogo constante. Tenho muito orgulho de todo o trabalho que realizamos aqui”, disse a secretária da pasta, Nádia Oliveira de Moura.
O evento reuniu cerca de 300 pesoas da Prefeitura de Londrina, do Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso do Sul (TJMS) e do Estado do Paraná (TJPR), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Londrina, da coordenação estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e familiar (CEVID), Nós do Poder Rosa, conselhos municipais, e representantes da sociedade civil.

Mãos EmPenhadas – Aproveitando a oportunidade da visita da juíza idealizadora do Projeto Mãos EmPenhadas e coordenadora da Coordenadoria Estadual da Mulher do Mato Grosso do Sul, Jacqueline Machado, e da embaixadora do programa Luíza Brunet, o evento fez a apresentação do programa que, em Londrina, já está desenvolvendo atividades. O prefeito Marcelo e a secretária Nádia também assinaram um decreto municipal para oficializar a execução das ações desse projeto.
Por meio dele, os profissionais do ramo da beleza estão sendo capacitados para aprenderem a identificar situações de violência contra a mulher e conseguirem orientar suas clientes e consumidoras. A intenção é que eles consigam ver detalhes tanto físicos (como cortes, machucados, manchas roxas ou feridas) quanto emocionais (por meio da fala e das expressões faciais) daquelas que sofreram algum tipo de agressão, seja física, psicológica, financeira, moral, ou outra.

Realização e apoiadores – Além da Prefeitura de Londrina, são realizadores da iniciativa a Caixa de Assistência dos Advogados do Paraná, Tribunal de Justiça do Paraná, Delegacia da Mulher, Juizado de Violência Doméstica e Familiar de Londrina, Poder Rosa, Conselho da Mulher Empresária da Associação Comercial e Industrial de Londrina. Também apoiam o seminário a Unifil, Ejustice, a deputada federal Luísa Canziani, Ribeiro e Sócio, Planeta Pack, Norpave, SICOOB, Fedhora, Grupo Mileski Martins, e Mônica Aquino & Advogados Associados.
Para a imprensa: outras informações podem ser obtidas com a secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Nádia Oliveira de Moura, pelo 3378-0119 ou 3378-0114.