Cidadão

Dívida do HU se deve à defasagem do repasse do SUS a Londrina

Agajan Der Bedrossian mostrou que, em 2009, a Secretaria Municipal de Saúde enviou quase 15% a mais de verbas ao hospital e frisou que dívida é acumulada desde 2004, devido ao déficit entre a demanda e o que é recebido pelo SUS



O secretário municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian, compareceu hoje (dia 18), à Câmara Municipal de Londrina (CML), com objetivo de dar esclarecimentos quanto à dívida existente para com os hospitais prestadores de serviço ao Sistema Único de Saúde (SUS), em especial, o Hospital Universitário (HU).
“É uma oportunidade para mostrar que todos os pagamentos da Prefeitura de Londrina ao HU, bem como a todos os prestadores de serviços de média e alta complexidade, estão sendo feitos mensalmente, sem cortes, dentro daquilo que nos é enviado pelo Ministério da Saúde”, declarou o secretário.
Em 2009, a Secretaria Municipal de Saúde enviou R$ 30.615.988,01 ao HU, uma média de mais de R$ 2,5 milhões ao mês, valor 14,86% maior do que a média dos repasses efetuados nos dois anos anteriores. “Assim, não procede qualquer denúncia de que não são encaminhados os recursos ao hospital. Não só honramos com os compromissos, como aumentamos os valores”, enfatizou Bedrossian.
Segundo ele, a dívida reclamada pela direção do HU não pertence à Prefeitura de Londrina, mas sim ao SUS, já que a Prefeitura apenas reenvia as verbas encaminhadas pelo órgão federal. “É uma dívida nascida em 2004, bem antes de nossa gestão, e que foi crescendo ano a ano, porque, enquanto a demanda pelos serviços públicos de saúde em Londrina cresceu, o montante que recebemos anualmente está praticamente estagnado, pois só há uma pequena correção pelos índices de inflação”, comentou.
Atualmente, Londrina recebe menos de R$ 10 milhões ao mês para arcar com despesas de serviços de média e alta complexidade de hospitais como o HU, a Santa Casa, o Evangélico e o Hospital do Câncer (HC). Pelas contas da secretaria de Saúde, seria necessário um acréscimo mensal de R$ 4 a 5 milhões para que as contas fossem equilibradas. “Por isso, essa dívida é como uma bola de neve, e enquanto não houver o suprimento desse déficit, ela só aumentará”, enfatizou o secretário.
Um dos fatores que agravam a situação é o fato de Londrina ser um centro médico de atendimento a aproximadamente 100 municípios paranaenses. Hoje, 55% do fluxo atendido pela saúde pública local é formado por pessoas de fora da cidade. “Apesar do valor que nos é concedido estar defasado, temos que ressaltar que o Governo Federal deposita o dinheiro regularmente e sem atrasos”, declarou Agajan der Bedrossian.
O secretário de Saúde afirmou ainda que todo o dinheiro do SUS é mandado integralmente aos prestadores de serviços de saúde pública e que, portanto, não há nenhuma sobra no caixa para a quitação do débito. “Fizemos dezenas de tentativas de negociar o pagamento junto ao Ministério da Saúde. Mas fomos informados de que o prazo para solicitarmos a negociação das pendências já passou e que, em anos anteriores, ninguém comunicou o ministério da existência desse débito”, disse.
Mas o secretário fez a ressalva que, nas inúmeras conversas que ele e o prefeito Barbosa Neto tiveram com membros do órgão federal, houve avanços no sentido de que o Ministério já estuda a possibilidade de ampliar o teto orçamentário para o serviço de saúde de Londrina, o que aumentaria a injeção mensal de recursos para a saúde municipal, equilibraria as contas e estabilizaria o saldo devedor. “Embora essa medida não quite a dívida já existente, ela vai evitar a sua elevação”, salientou o Bedrossian, que concluiu: “estamos trabalhando arduamente, indo a Brasília e telefonando periodicamente para o Ministério da Saúde, para conseguir mais recursos e melhorar os serviços oferecidos à população”.
(Londrina, 18 de fevereiro de 2010)

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