Cidadão

Música leva oportunidade e inclusão social às detentas

Projeto “A voz através das grades” é resultado de parceria entre a Secretaria da Mulher e o Festival de Música de Londrina

Socialização, oportunidade e inclusão social são as palavras que resumem os objetivos do projeto “A voz através das grades”, resultado de uma parceria entre a Secretaria da Mulher e o Festival de Música de Londrina. Essa é mais uma vertente do projeto da Secretaria “Tecendo o Futuro” que trabalha com as detentas do 3º Distrito Policial. A aula inaugural foi realizada nesta tarde (1º).

“A voz através das grades” vai oferecer às detentas um curso de musicalização ministrado pelo regente, Oseias Calixto de Oliveira, e pela professora de estruturação musical e instrumental, Adriana Penna, além da colaboração do Grupo Contraponto e do músico Sandro Vasconcelos. A aula inaugural contou com a apresentação do Grupo Chorus que animou e emocionou as detentas com sua performance musical.

Além da presença do grupo, participaram da aula, a secretária da Mulher, Sueli Galhardi, o diretor artístico do Festival, Marco Antônio Almeida, o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Márcio Amaro, a coordenadora geral do Festival, Lilian de Almeida, e a delegada do 3º Distrito Policial, Geanne Aparecida dos Santos.

Música leva oportunidade e inclusão social às detentasA secretária da Mulher, Sueli Galhardi, disse ser uma alegria muito grande participar da aula inaugural. “Fiquei extremamente emocionada em participar. A música harmoniza, aproxima, constrói e transforma o ser humano. O projeto ‘A voz através das grades’ é uma grande parceria com o Festival de Música de Londrina, que se insere na nossa proposta do projeto ‘Tecendo o Futuro’, contribuindo para a melhoria da convivência interna, o resgate da autoestima da mulheres, assim como possibilita uma iniciação a uma atividade que pode se constituir em uma descoberta de talento e em uma alternativa para o futuro.”

O diretor artístico do Festival, Marco Antônio de Almeida, falou sobre como surgiu a ideia. “Nós sempre levávamos os grupos para tocar nos Distritos, nunca havíamos feito um projeto dentro do espaço. Esta é a nossa estreia.” A intenção é que “A voz através das grades” tenha continuidade. “Esse projeto visa, enquanto a demanda perdurar, ter continuação e musicalizar essas mulheres. A música socializa, tira a agressividade, a vida fica melhor, além de dar mais esperança.”

“Mais tarde, queremos transformar o Festival de Música no festival da inclusão e a música tem essa força de usar a ética, para afirmar alguns princípios de cidadania, de humanidade”, falou o diretor sobre a intenção de estender o projeto a outras áreas sociais. “O nome inclusão é exatamente o contrário de exclusão. Essas detentas estão excluídas da sociedade por um período. O projeto procura ter uma certa responsabilidade civil”, concluiu Almeida.

A coordenadora geral do Festival, Lilian de Almeida, também falou sobre a ideia de incluir o 3º Distrito dentro dos projetos do evento. “A iniciativa surgiu porque o Festival tem um enfoque muito grande, na área de inclusão social, e de dar oportunidade para que essas detentas tenham a possibilidade, depois que saírem daqui, de ter um outro caminho para percorrer. Elas vão ter a chance, saindo daqui, de trabalharem em um coro, uma escola de música.  Foi a visão do Festival, porque o Festival tem sempre um foco na formação. Este é o nosso ponto  de saída.”

O projeto inicia na próxima segunda-feira e se estende até o final do ano. As detentas terão aulas de controle corporal, em que será ensinada a respiração pelo diafragma, de projeção de voz, em que a parte auditiva será desenvolvida, através da percepção musical. “A prática do canto em coral exige uma disciplina muito grande, o que, para as detentas, é fundamental também. Tem que cantar, se posicionar, controlar a respiração, tudo tem que ser com a maior disciplina”, explicou a coordenadora.

Sobre a importância do projeto para as detentas, a delegada do 3º Distrito Policial, Geanne Aparecida dos Santos, afirmou ser uma transformação na vida delas. “Até a questão de comportamento mudou muito, elas ficam mais disciplinadas, não ficam o tempo todo ocioso, cria um interesse por algo diferente do que ficar só vendo televisão ou sem fazer nada.”

Música leva oportunidade e inclusão social às detentas“O projeto é importante, na medida em que vai muito além de ocupar o tempo dessas detentas, que ficam a maior parte do tempo ociosa, vai trazer um resgate e uma dignidade. Elas vão ter aulas e a oportunidade de sair daqui com algum talento ou até um talento a ser revelado para que possam trabalhar com isso no futuro. É muito importante essa questão. O caráter da pena não é só de punição, mas também de socialização”, enfatizou a delegada.

A importância do projeto vai além da inclusão social das detentas. “É muito fácil julgar, mas estar aqui ajudando, dando um pouquinho de nós para elas é uma coisa importante. Passar um pouco do que a gente sabe é uma experiência ótima”, declarou a  professora de estruturação musical e instrumental Adriana Penna. “A música está no meio de qualquer tipo de sociedade. E nós entramos fazendo aquilo que nós sabemos fazer”, ressaltou o regente Oseias Calixto de Oliveira.

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