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Conselho de Política Cultural elege primeiros membros para a próxima gestão em pré-conferências

Fagner Bruno de Souza e Vitória Reis foram eleitos para compor o órgão como representantes do segmento Cinema e Vídeo; propostas foram apresentadas também para o segmento de Artes Gráficas

As duas primeiras etapas das pré-conferências de Cultura, preparatórias para a X Conferência de Cultura da Cidade de Londrina, já trouxeram os primeiros resultados positivos. Realizados ontem (13), os encontros iniciais, dos segmentos de Artes Gráficas e de Cinema e Vídeo, levantaram propostas a serem apresentadas e debatidas durante a Conferência, que irá ocorrer nos dias 6 e 7 de maio, trazendo à tona o tema “Cultura contra a Desigualdade! Cultura pela Diversidade!”. Além disso, a grande novidade é que já foram eleitos os dois primeiros integrantes do Conselho Municipal de Política Cultural, dentro do segmento de Cinema e Vídeo.

Mestre em Cinema e Audiovisual, fotógrafo, jornalista, produtor cultural, cineclubista e pesquisador, Fagner Bruno de Souza foi escolhido membro titular do órgão para o próximo biênio (2022-2024). Já a advogada Vitória Reis é Mestre em Comunicação, com ênfase em Comunicação Audiovisual, além de graduada em Relações Internacionais. Ela trabalha com audiovisual na formatação de projetos e captação de recursos, e será suplente na nova gestão que tomará posse. Veja o currículo dos conselheiros ao final da matéria

Foto: Arquivo UEL

Segundo Fagner Bruno de Souza, o encontro contou com o engajamento dos conselheiros e profissionais deste segmento, rendendo debates produtivos e levantamento de propostas importantes a serem deliberadas no evento principal. “As ideias debatidas passam muito pela questão de ampliar a democratização e inclusão a partir da prática do cinema e produções audiovisuais. Essas proposições têm como intenção maior incentivar a participação de jovens e pessoas das comunidades mais necessitadas, das periferias, e as minorias, por meio de ações formativas, mais recursos e um trabalho forte de divulgação, por exemplo”, informou.

Souza frisou que Londrina tem uma forte tradição e alcance por meio desta linguagem cultural e artística. Para ele, no entanto, ainda é preciso continuar trabalhando para fortalecer não somente o potencial produtivo, mas também o caráter inclusivo do cinema. “Levar a divulgação para além das mídias sociais é importante, dialogar com os moradores dos bairros, criando mecanismos de inserção deste público para garantir a participação popular. Outra busca interessante é trazer mais pessoas para participar das pré-conferências e da Conferência Municipal de Cultura, dando força a todo este processo de formação do conselho com seus diversos segmentos”, afirmou.

Foto: Arquivo pessoal

Vitória Reis disse estar motivada e animada para o desafio inédito de compor o Conselho. Segundo ela, é possível fortalecer os debates em torno do cinema e audiovisual, aprimorando a formatação de projetos e aplicação de recursos. “Essa discussão pode contemplar o fortalecimento da capacitação dos agentes já atuantes para melhoramento contínuo dos projetos e regularização deste exercício profissional. Investir para formar novos agentes é importante, especialmente aqueles provenientes de esferas sociais diversas e periféricas, estimulando a criação de novas narrativas. Outro aspecto é estabelecer estratégias de comunicação mais abrangentes e acessíveis, para que as informações e oportunidades deste setor consigam chegar não só a quem já está acostumado com as dinâmicas da área, como também àqueles que sonham em viver de audiovisual”, comentou.

Foto: Reprodução

O secretário municipal de Cultura, Bernardo Pellegrini, disse que os encontros de pré-conferências em 2022 possuem um caráter de mobilização de toda a cadeia cultural londrinense, como forma de agregar conselheiros, agentes culturais, gestores e produtores. “Estamos buscando maior participação e convergência entre os segmentos, e os envolvidos estão engajados em melhorar a atuação do Conselho. As perspectivas são boas e vemos o início das pré-conferências sendo muito promissor, já com membros novos sendo eleitos. A ideia é movimentar cada setor, divulgar as atividades e, com a retomada ‘pós-pandemia’, fazer a mobilização crescer não somente nos meios digitais. Esse tem sido um trabalho hercúleo mas muito produtivo”, destacou.

O presidente do Conselho Municipal de Cultura, Eddie Mansan, e o secretário municipal de Cultura, Bernardo Pellegrini. Foto: Divulgação

Já o atual presidente do Conselho Municipal de Política Cultural, e membro da comissão organizadora das pré-conferências, Eddie Mansan, comentou sobre a finalidade dos encontros. “Os encaminhamentos das etapas prévias da conferência estão dentro de alguns pontos de abordagem principais, que transitam pela importância da cultura enquanto direito, a garantia de acesso a oportunidades para a comunidade como um todo, pensar o sistema municipal de cultura instituído para saber onde é possível avançar e reformular, com avaliações e prognósticos. É importante, também, pensar na questão estruturante, sobre a gestão das políticas públicas culturais, quadro de servidores, equipamentos, estrutura normativa, processos de desburocratização e maior inclusão. Tudo isso, debatendo também sobre as formas de otimizar a captação e aplicação de recursos financeiros disponibilizados por editais e iniciativas do poder público”, detalhou.

Outras duas pré-conferências estão sendo realizadas nesta quinta-feira (14). A de Dança foi às 15h, e a de Teatro será a partir das 19h, ambas feitas on-line. Na segunda-feira (18), as pré retornam com a de Música às 15h e a de Tradições Populares às 19h, também em formato on-line.

Foto: Divulgação

Propostas – Na pré-conferência de Cinema e Vídeo, foram apresentadas três propostas, que abrangem pautas e temas de discussão para a X Conferência de Cultura. A primeira sugere que o segmento do audiovisual seja ouvido para fixação de tetos nos valores destinados ao fomento nas várias modalidades de produção, como curtas, documentários média e longa metragens, de modo a dar viabilidade a tais produções.

O segundo tema aborda a inclusão de proponentes pessoa jurídica com fins lucrativos com CNAEs ligados à atividade cultural para todas as setoriais. Já o terceiro ponto fala que os critérios para os projetos do audiovisual sejam considerados como elementos importantes de análise a inclusão de pessoas de comunidades carentes e que necessitem de políticas inclusivas. Além de dedicar mais recursos para projetos que proponham formação com o objetivo de inclusão por meio do audiovisual.

No encontro do setor de Artes Gráficas, também foram apresentadas três propostas: otimização do processo de fiscalização e acompanhamento de projetos culturais de uma forma que priorize o objeto da produção cultural; Lei do Livro Local: reabilitar a antiga Lei 11.493 (revogada em 2018 pela Lei nº 12.785) que dispunha sobre a obrigação de livrarias locais a exporem, de maneira destacada, obras de autores locais; e Bolsa Leia Londrina: Criação de bolsa com ajuda financeira destinada a estudantes de Ensino Fundamental, Médio e Superior baseados em Londrina e disponibilizada exclusivamente para a compra de livros de autores e editoras londrinenses.

Sobre os novos conselheiros

Fagner Bruno de Souza é Mestre em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal Fluminense (RJ), especialista em Criação e Produção para Rádio e Televisão pela Faculdade Pitágoras Londrina. Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina. Atua no campo do cinema e da fotografia, desde 2012, e atua como cineclubista desde 2013. Pesquisa cinema nacional com o foco sobre o movimento cineclubista brasileiro.

Integrou o grupo de pesquisa “Lugar de Vivências – preservação das memórias e histórias de um prédio habitado pela esperança estudantil e artística” – que resultou na publicação de um livro e na realização de um documentário (2019). Também faz parte do grupo de pesquisa “Modos de Ver”, que pesquisa salas de cinema, exibição e audiências cinematográficas; e do grupo de estudos “Organismos Culturais Cinematográficos”, que estuda cineclubes, cinematecas e o conceito de cultura cinematográfica.

Entre outros trabalhos, fez a direção de fotografia e a iluminação dos curtas-metragens Zé & Beto (2018) e Toda Construção nasce de uma planta (2016), além de participar da produção do documentário Retalhos do chão, do corpo e do Céu (2013).

Vitória Reis é Mestre em Comunicação, com ênfase em Comunicação Audiovisual (UEL), além de graduada em Relações Internacionais (UFGD) e Direito (UEL). Possui experiência na área jurídica e audiovisual, com foco em produção executiva e desenvolvimento de novos projetos culturais. Participou do Grupo de Pesquisa Científica em Comunicação IMAGICOM/UEL, foi integrante do Núcleo SESI de Audiovisual em Londrina/PR.

Co-produziu o curta-metragem “No toalete elas falam”, finalista da Mostra de Audiovisual de Dourados/MS, e escreveu o roteiro “O Porta-Voz”, premiado no Concurso Novos Roteiros Originais da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI).

Foto: Divulgação

Próximas pré-conferências

14/04 – 15h – Dança / 19h – Teatro

18/04 – 15h – Música / 19h – Tradições Populares

19/04 – 15h – Fotografia / 19h – Artes Visuais

20/04 – 15h – Patrimônio Cultural / 19h – Circo

25/04 – 15h – Região Central / 19h – Hip-hop

26/04 – 15h – Região Oeste / 19h – Capoeira

27/04 – 15h – Literatura / 19h – Artesanato

28/04 – 15h – Vilas Culturais / 19h – Comunicação & Mídia

29/04 – 15h – Região Norte / 19h – Região Sul

02/05 – 15h – Região Leste / 19h – Distritos Rurais

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