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Prefeitura inicia terceiro mutirão de saúde auditiva e vai atender 2 mil pessoas

Por meio da iniciativa, Município aumentará de 85 para 250 o número de aparelhos auditivos destinados mensalmente ao ILES; objetivo é zerar a fila de espera por equipamentos até o final do ano

Com o objetivo de eliminar a fila de espera formada por pacientes com deficiência auditiva que aguardam a entrega de aparelhos auditivos, a Prefeitura de Londrina iniciou, nesta terça-feira (14), o terceiro mutirão de saúde auditiva. Por meio da iniciativa, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) aumentará de 85 para 250 o número de equipamentos que são destinados mensalmente ao Instituto Londrinense de Educação de Surdos (ILES), entidade credenciada junto ao Município.

A meta é zerar a fila até o fim de 2022, com a destinação de um total de 1.500 a 2.000 aparelhos auditivos aos pacientes. Além dos equipamentos, o convênio também inclui consultas médicas, exames como audiometria e BERA e acompanhamento realizado pelas equipes multidisciplinares do ILES. Mensalmente, a Prefeitura investirá R$ 130 mil no mutirão e os primeiros pacientes a serem contemplados são aqueles que já passaram pelo atendimento médico e aguardam há mais tempo.

Foto: Vivian Honorato

O prefeito Marcelo Belinati esteve presente no mutirão auditivo no ILES, pela manhã, e se disse emocionado em presenciar o momento. “Eu já vi muitas situações de pessoas que não nasceram com problemas auditivos, mas ficaram surdas no decorrer da vida e continuavam sem ouvir porque não tinham condições financeiras para comprar um aparelho auditivo, cujo valor no mercado é elevado. Por isso, esse trabalho é muito abençoado e estamos muito felizes em poder executar essa iniciativa, em parceira com o ILES”, enfatizou.

Foto: Vivian Honorato

De acordo com o secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, a fila de espera por um aparelho auditivo pode chegar a até mais de 2 anos. “Esse tipo de equipamento tem um valor de mercado em torno de R$ 5 mil a R$ 8 mil, ou seja, um custo bastante elevado para os pacientes. Já tínhamos diminuído bastante a fila de espera com as etapas anteriores do mutirão, realizadas entre 2018 e 2019, quando realizamos mais de 2.500 procedimentos, mas a pandemia acabou prejudicando o andamento dos trabalhos e aumentou novamente a fila”, disse.

O secretario ressaltou que o objetivo principal é dar qualidade de vida às pessoas que estão aguardando pelo equipamento. “Com este aporte de recursos de R$ 130 mil mensais da Prefeitura para o ILES, vamos passar a entregar 250 aparelhos por mês. Por isso, a nossa expectativa é entregar cerca de 2 mil aparelhos até o final do ano à população e com isso vamos conseguir zerar a fila de espera que existe hoje. Nós sabemos a diferença que isso faz às pessoas, muitos idosos que moram sozinhos e acabaram se tornando dependentes por conta de problemas auditivos vão poder voltar à vida normal e seus afazeres”, destacou.

Foto: Vivian Honorato

Uma das pessoas que estavam presentes no ILES para receber o aparelho auditivo foi o senhor Wilson Pereira da Silva, de 79 anos, acompanhado por sua filha, Edvania da Silva Izaias. “Eu estava na fila de espera pelo aparelho há dois anos, por isso estou muito feliz e grato por este momento. Eu não perdi a minha audição totalmente, mas não escuto mais como antes. Agora, com o aparelho, vou poder ouvir melhor”, disse.

“Estamos muito felizes, esperamos que o meu pai passe a escutar perfeitamente agora, porque muitas vezes estamos conversando e ele fica sem entender o que falamos. Agora, com a parelho auditivo que ele vai receber hoje, ele vai escutar melhor e poder voltar a sua rotina de vida normal, compartilhando os momentos com a família”, completou a filha do seu Silva, Edvânia da Silva Izaias.

Foto: Vivian Honorato

A senhora Maria Divina Gonçalves, de 63 anos, foi uma das primeiras a receber o equipamento, por meio do mutirão. “Acabei de receber o aparelho, estou conseguindo escutar, achei muito bom porque eu não estava escutando nada. Estou muito feliz e agradecida porque estava esperando por este aparelho há dois anos”, contou.

A presidente do ILES, Ivany Vaquero, agradeceu a Prefeitura pela verba recebida. “Com esse recurso poderemos zelar a fila de espera por parelhos auditivos até o final do ano e isso é muito importante porque há pacientes esperando há 5 anos. Nós atendemos adultos e crianças e a maior necessidade é para os idosos. Nós distribuídos em torno de 100 aparelhos auditivos por mês, o ILES é a primeira entidade filantrópica de Londrina, vamos completar 63 anos de existência este ano e agora estamos encaminhando para zerar esta fila de espera por aparelhos, para que as pessoas possam conseguir obter o aparelho dentro de três a seis meses”, apontou.

Foto: Vivian Honorato

Fases do mutirão – O mutirão de saúde auditiva realizado pela Prefeitura de Londrina tem início na consulta do paciente com especialistas, mediante o encaminhamento feito pelos profissionais da Atenção Básica. Em seguida, o paciente passa por exames e avaliações, como a audiometria e o BERA, que diagnosticam se há perda auditiva e em que grau, dentre outras informações necessárias para o diagnóstico.

Foto: Vivian Honorato

Para a confirmação da necessidade de o paciente utilizar uma prótese auditiva, há o envolvimento de uma equipe multiprofissional, composta principalmente por otorrinos, fonoaudiólogos, assistente social e psicólogo. Assim que essa confirmação é feita, a Secretaria Municipal de Saúde avalia, caso a caso, qual é a prioridade que o atendimento deve obter, mediante critérios como idade, condição de saúde e presença de outras deficiências, entre outros itens.

No caso de crianças, o diagnóstico da surdez pode ocorrer nas avaliações neonatais, como o teste da orelhinha, e quanto antes seja confirmada a condição, mais rápida é a intervenção e melhor o prognóstico.

Foto: Vivian Honorato

Exposição Anne Frank – Após participarem do mutirão de saúde auditiva, o prefeito e o secretário de Saúde visitaram uma exposição dos alunos do Colégio do ILES sobre a vida de Anne Frank, morta aos 15 anos vítima do holocausto. A adolescente alemã de origem judia morreu no campo de concentração e teve seu diário divulgado para o mundo inteiro.

Sua trajetória é tema do Projeto de Leitura do Colégio Estadual do ILES, que organizou uma exposição aberta, desde ontem (13), mostrando  objetos e peças criadas por alunos deficientes auditivos e professores, reconstituindo os dias difíceis vividos por Anne Frank em seu esconderijo na Segunda Guerra.

Foto: Vivian Honorato

A diretora do Colégio, Doralice Dias da Silva, contou que o livro “O Diário de Anne Frank” foi trabalhado no último  trimestre de 2022 com os alunos, por meio de leitura, vídeo, pesquisa, para depois realizar a exposição. “O colégio tem 64 alunos e praticamente todos participaram. Na exposição há fotos, desenhos, os próprios alunos representando a Anne Frank e outros personagens. Eles fizeram uma maquete da casa da Anne com materiais recicláveis, entre outros trabalhos”, relatou.

A mostra pode ser visitada até o dia 6 de julho, de segunda a sexta-feira, das 8 às 16 horas, no ILES, que fica na rua Madre Tonina Ugolini 35 (próximo ao Aeroporto), esquina com a rua Comandante Carlos Alberto. Para visitar a mostra, é necessário agendar um horário pelo telefone (43) 3339-2272.

Texto: Dayane Albuquerque e Ulisses Sawczuk

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