CMDM discute feminicídios na perspectiva étnico-racial nesta terça-feira (18)
Reunião será no auditório da Prefeitura, das 16h às 18h, e é aberta a todos os interessados; atividade faz alusão ao Dia Estadual de Combate ao Feminicídio e ao Julho das Pretas, entre outras datas

O Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres (CMDM) realiza nesta terça-feira (18), das 16h às 18h, uma reunião com o tema “Feminicídios na Perspectiva Étnico-racial”. Promovida no auditório da Prefeitura de Londrina (Avenida Duque de Caxias, 635, 2º andar), a atividade é aberta a todas as pessoas interessadas, sem necessidade de inscrição prévia.
Alusivo ao Dia Estadual de Combate ao Feminicídio (22/07), o encontro faz parte da agenda de reuniões mensais do CMDM. Também integra a programação do Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra e do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, ambos celebrados em 25 de julho, e do Julho das Pretas, que abrange essas e diversas outras ações.

A reunião de amanhã (18) contará com a participação de Márcia Cacilda Ribeiro, que integra o CMDM como suplente da Plenária de Mulheres Negras da Região Norte do Paraná, e também faz parte do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (CMPIR).
Ela ressaltou que, no âmbito da Plenária de Mulheres Negras, importantes debates sobre o tema são conduzidos, e a organização também recebe denúncias, auxilia no enfrentamento à violência contra as mulheres negras e promove outras ações de cunho preventivo. “A maioria das mulheres, negras e não negras, tendem a naturalizar a violência e morte de mulheres. Quando se trata de mulheres negras, os dados são subnotificados e muitas vezes ignorados pelos entes públicos. Incluir esta temática se faz necessária, pois mesmo que não haja muitas mulheres negras no evento, as demais mulheres poderão ajudar a difundir a importância de denunciar, acolher e emprestar a voz. Isso contribui para que as ações e locais de proteção, denúncia e estudos deem espaço a este tema tão sensível e de difícil abordagem”, sublinhou.

Conforme a presidente do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres, Sueli Galhardi, é importante abordar questões como o feminicídio também sob a ótica da interseccionalidade, que sobrepõe marcadores sociais como gênero e raça. “As mulheres são diversas e plurais, e por isso devemos estar atentas às interseccionalidades das questões sociais. Sabemos que as mulheres negras sofrem com o racismo estrutural e são mais vulneráveis a diferentes formas de violências. Por isso, o objetivo dessa conversa é dar visibilidade à luta das mulheres negras e proporcionar uma oportunidade para que elas compartilhem suas experiências e vivências”, disse.
Galhardi destacou também que, na sexta-feira (21), a Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica, Familiar e Sexual contra as Mulheres de Londrina promoverá um evento intitulado “Feminicídios em Londrina: Dados e Reflexões”, que abordará a questão de forma mais geral. “Um dos eixos de atuação do CMDM é o enfrentamento à violência, incluindo ações preventivas, e por isso atividades como essas são fundamentais, pois dão visibilidade ao tema do feminicídio”, salientou.

A secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Liange Doy Fernandes, frisou que, no primeiro semestre de 2023, ocorreram pelo menos 599 feminicídios no Brasil, segundo o Monitor de Feminicídios no Brasil (MFB), do Laboratório de Estudos de Feminicídios (LESFEM).
“Ou seja, há uma média de três mortes de mulheres por dia, pelo simples fato de serem mulheres. Esse assunto tem que ser tratado e visibilizado para que a sociedade entenda, de uma vez por todas, que violência doméstica e familiar contra a mulher é crime. É preciso ressaltar também que o feminicídio é evitável porque na maioria das vezes é um crime anunciado, seja por ameaças ou agressões. A mulher em situação de violência doméstica e familiar precisa de ajuda, não apenas do Estado, mas da família e da sociedade”, afirmou.