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Prefeitura apresenta Plano de Ação 2026 contra a dengue e inova no monitoramento

Novos drones, sistemas de predição de casos e análise entomoviral são algumas das ferramentas a serem utilizadas contra o Aedes; nas unidades de saúde, equipes serão capacitadas para atender com segurança e agilidade

Com o objetivo de reduzir, cada vez mais, os casos e óbitos por dengue na cidade, a Prefeitura de Londrina apresentou, na manhã desta segunda-feira (9), o Plano de Ação 2026. Elaborado e coordenado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o documento não só elenca uma série de ações que têm sido executadas e serão reforçadas no decorrer do ano, como também traz novidades e inovações. A apresentação, no auditório da Prefeitura, teve participação do prefeito Tiago Amaral; da secretária municipal de Saúde, Vivian Feijó; e do gerente de Vigilância Ambiental da SMS, Nino Ribas, entre outras autoridades e lideranças.

Foto: Emerson Dias/ NCom

Em 2025, a Prefeitura já alcançou uma marca importante no combate à doença e seu vetor. Houve uma redução de 42.107 casos confirmados, em 2024, para 4.965 em 2025, o que representa uma queda de 88,2%. Outro indicador relevante é em relação ao número de mortes causadas pela dengue: foram 9 óbitos em 2025 contra 52 no ano anterior, redução de 82,7%. Essa diminuição também foi observada no país, mas os índices de Londrina superam com folga a marca nacional, de redução de 75% nos casos confirmados de dengue e 72% em relação aos óbitos.

Para reverter esse cenário, houve o fortalecimento das ações de controle do Aedes aegypti, mosquito que transmite a dengue e outras endemias, com vigilância entomológica contínua. As intervenções oportunas e territorializadas contribuíram diretamente para reduzir a transmissão e gravidade dos casos confirmados. E para acolher o paciente com sintomas ou diagnóstico de dengue, ações integradas entre vigilância e assistência em saúde ofertaram diagnóstico precoce e hidratação imediata, manejo clínico conforme classificação de risco, interpretação adequada dos exames disponíveis e, também, regulação qualificada e encaminhamento conforme fluxo.

Essas e outras medidas foram pautadas por evidências técnicas, que culminaram nesse resultado positivo. Em 2026, a perspectiva é de manter e reforçar o trabalho em andamento, de forma a mitigar a presença da dengue na cidade, cada vez mais.

Foto: Emerson Dias/ NCom

O prefeito Tiago Amaral destacou que esse resultado mostra que a dengue pode ser combatida, contrariando a visão de que seria impossível superar a doença e os cenários de epidemia. “Nós deixamos claro que é sim, possível. No ano passado, tivemos uma redução do número de casos, e 82% de redução do número de mortes. Estamos falando aí de 54 mil para 5 mil, aproximadamente; de 54 para nove mortes. Claro que o nosso sonho é zerar o número de mortes. Mas para que isso aconteça, depende de diversos fatores. E o lançamento desse plano de contingência não é apenas da ideia dos mutirões e da prevenção. Ele também é um reforço da estratégia do ciclo completo de combate à dengue”, frisou.

Tiago lembrou que os cuidados contra a dengue envolvem, também, melhorias no atendimento de saúde, para receber com qualidade e eficiência as pessoas que chegam com sintomas. “Nós estamos melhorando a qualificação dos nossos médicos, dos nossos profissionais, e reforçando também esse atendimento estendido. Se não tomarmos cuidado com esse cuidado pós-contaminação, a pessoa pode vir à óbito. Então, não é só cuidar da prevenção, é cuidar também para frente. A dengue oscila muito rápido. Basta a gente descuidar, basta o cidadão descuidar, basta a Prefeitura descuidar que os números realmente explodem. Mas, ao mesmo tempo, quando a gente cuida, os números caem”, afirmou.

Foto: Emerson Dias/ NCom

O último relatório atualizado com a situação da dengue em Londrina mostrou que, mesmo em pleno verão e com fortes chuvas, a cidade soma 1.324 notificações e apenas 37 casos confirmados de dengue. Os dados são referentes ao período de 1º de janeiro de 2026 até o dia 3 de fevereiro. Em 2025, o boletim divulgado em 6 de fevereiro indicou 2.027 notificações e 167 casos confirmados. “É mais de 30% de redução em relação ao ano passado, um número muito significativo. Preciso deixar claro para as pessoas que o cuidado não parou. Estamos fazendo vários mutirões de limpeza pela cidade, pelos bairros, de acordo com o monitoramento que está sendo feito. E agora, com o lançamento da campanha, a gente quer que as pessoas também tomem esse cuidado. O mais importante é o acúmulo de água, aqueles itens que ficam realmente abandonados no fundo de casa, como garrafa, copo, pneu. Esses são os principais focos de dengue e as pessoas precisam estar muito atentas”, enfatizou o prefeito.

Inovação e parcerias – De acordo com a secretária municipal de Saúde, Vivian Feijó, a proliferação do Aedes em objetos e locais com água parada é, de fato, a principal causa do aumento de casos da dengue. E, por isso, a eliminação dos criadouros é priorizada nas ações do plano de contingência. “A dengue começa no quintal da nossa casa, nas áreas comunitárias e no acúmulo da água parada. Hoje, com muita satisfação, falo que Londrina tem 100% de monitoramento das ovitrampas. Em parceria com a Universidade Estadual de Londrina (UEL), através das ovitrampas, nós vamos monitorar e aspirar para ver se eu tenho um mosquito contaminado. A parceria com UTFR criou um painel de umidade e monitoramento climático. Esse ano aumentaram muito as chuvas, e isso é algo que contribui bastante para a proliferação. Também vamos intensificar a grade de atendimento, para que haja identificação precoce de sinais e sintomas, e rápido encaminhamento. A hidratação é um processo que não pode perder tempo. Quando nós perdemos para o mosquito, a gente precisa buscar o menor número de mortalidade possível”, detalhou.

Foto: Emerson Dias/ NCom

A aspiração dos mosquitos e ovos capturados na ovitrampas, que são as armadilhas distribuídas pela cidade, será feita com equipamento adequado graças à parceria da Prefeitura com a UEL. A análise entomoviral, realizada em laboratório da universidade, vai identificar se o inseto capturado carrega a dengue e, em caso positivo, qual o tipo de vírus presente. Além disso, o número de armadilhas será ampliado. Hoje Londrina conta com 1.100 ovitrampas; a expectativa é alocar 1.429 unidades na área urbana e outras 71 nos distritos, totalizando 1.500 armadilhas.

Ainda com a UEL, a Prefeitura utilizará a plataforma InfoDengue, do Ministério da Saúde, Fundação Getúlio Vargas e Fiocruz, que aponta se as condições climáticas estão favoráveis, ou não, para a proliferação do Aedes em cada localidade. O sistema também calcula uma estimativa de casos, e traz o histórico de casos notificados e confirmados nas semanas anteriores.

Já o monitoramento executado junto com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) – Campus Cornélio Procópio vai prover uma modelagem estatística avançada, para antecipação de cenários, juntamente com a identificação de tendências e áreas vulneráveis. Essas informações serão aplicadas no direcionamento das ações in loco, permitindo um bloqueio ainda mais efetivo para conter o avanço da dengue e a proliferação do vetor.

“O plano de contingência tem como foco se aproximar ainda mais da Diretoria de Operações da CMTU. E foi criado um Comitê de Zeladoria pelo prefeito Tiago Amaral, para que juntos possamos fortalecer e criar esse senso de responsabilidade no cumprimento da tarefa. Não adianta nada o agente ir lá e ninguém recolher o lixo. Há uma integração real dessas fases para que a gente possa promover a orientação, identificar a data e o horário da coleta, e a real coleta. Mas, infelizmente, o comportamento da comunidade, muitas vezes, não conseguimos controlar. Então, é importante que a população também seja um agente cuidador do seu território. Descarte o lixo no local certo, procure se informar, converse com o seu vizinho, nos grupos de WhatsApp, para que a gente possa juntos promover uma mudança de comportamento. Sozinho, o Executivo não dá conta da prevenção da dengue. Todo cidadão precisa ser um agente ativo no combate à dengue, começando pelo seu quintal e expandindo no cuidado do descarte dentro da sua comunidade”, reforçou Vivian Feijó.

Foto: Emerson Dias/ NCom

Outra tecnologia que passou a ser utilizada em 2025 e agora será ampliada envolve o uso de drones para vistoria nos domicílios. Segundo o gerente de Vigilância Ambiental da SMS, Nino Ribas, no ano passado a UEL cedeu dois equipamentos e treinou agentes de Controle de Endemias para que possam avaliar pontos de difícil acesso com suspeita de água parada. Agora, dois novos aparelhos foram adquiridos e já estão sendo utilizados pela SMS.

Ribas explicou que, antes das vistorias aéreas com uso dos drones, o morador ou proprietário do imóvel será informado. “O drone vem como uma alternativa para agregar o que já é feito na visita de rotina. Os agentes conseguem observar o que tem na altura dos olhos, mas caixa da água, calhas, que são altos, o drone vai auxiliar. E, também, nos imóveis que se encontram fechados no momento da vistoria. A gente vai poder identificar criadores alternativos, e depois acionar o munícipe responsável para solicitar a adequação”, explicou.

O gerente de Vigilância Ambiental da SMS informou, ainda, que um indicador utilizado pelo Ministério da Saúde reiterou as conquistas em relação à dengue em Londrina. O Levantamento Rápido de Índices para o Aedes aegypti, LIRAa, aponta de forma amostral o percentual de imóveis com focos do mosquito, e essas informações embasam as atividades de controle da proliferação. Em 2025, Londrina registrou LIRAa 2,2, o menor índice dos últimos quatro anos. “É um indicador muito válido, ainda preconizado pelo Ministério, em uso concomitante com as armadilhas ovitrampas. Hoje temos 100% do território com armadilhas ovitrampas, porque elas também dão um cenário atual da densidade vetorial, e de forma semanal. Com o LIRAa e as armadilhas, a gente tem uma identificação mais objetiva e real do município”, explicou.

Foto: Emerson Dias/ NCom

Quem tiver denúncias de locais com água parada, ou não estava presente para autorizar a entrada do agente de Controle de Endemias, pode entrar em contato com a Secretaria Municipal de Saúde pelo telefone do Disque-Dengue: 0800-400-1893, informar o endereço e qual o horário mais adequado para que a vistoria seja realizada. “Temos bastante adesão da comunidade, agentes todos devidamente uniformizados e com o crachá. O agente tem um treinamento e um olhar técnico para identificar os criadores do mosquito. Então para quem não está recebendo, nós temos uma agenda agora, através do telefone 0800, que o munícipe pode ligar e agendar o horário. Seja um sábado de manhã, um domingo de manhã, a gente vai programar essa visita para poder contemplar esse morador”, acrescentou Ribas.

Foto: Emerson Dias/ NCom

Várias outras medidas, como a borrifação residual intradomiciliar, que atende prédios públicos e espaços de grande circulação, mutirões de limpeza e ações educativas em unidades escolares terão continuidade em todos os meses do ano. Para o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Renan Salvador, que também preside o Comitê de Zeladoria, o Plano de Ação contra a dengue de 2026 é uma ação de continuidade construída e elaborada de forma multisetorial.

“Participamos da reunião e do planejamento dessa apresentação. É tudo bem alinhado, para que a gente chegue ao fim dessa ação com morte zero. A missão que o prefeito tem falado todos os dias para a gente é de levar melhor benefício para a população de Londrina. E não tem como não fazer isso pela saúde de forma integrada com todas as secretarias, porque sozinho ninguém faz nada. CMTU, Secretaria de Obras, Ambiente, Agricultura, Saúde e todas as outras estão juntas, para que a gente chegue nesse objetivo de dengue eliminada de Londrina e com morte zero”, afirmou Salvador.

A apresentação do Plano de Ação 2026 contra a dengue contou também com a presença da promotora de Justiça, Susane de Lacerda; do chefe da Divisão de Vigilância em Saúde da 17ª Regional de Saúde de Londrina, Felipe Remondi; e dos vereadores Marinho, Anne Ada e Sídnei Matias. Compareceram também membros do Conselho Municipal de Saúde, diretores da Secretaria Municipal de Saúde e integrantes do secretariado municipal.

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