Cidadão

Canto do MARL recebe Oficina de Dança dos Orixás com a Cia MoonLight neste sábado (7)

A oficina é gratuita e integra projeto que reúne música, dança e referência a figuras de tradições de matriz africana

O Canto do MARL (avenida Duque de Caxias, 3.241, Centro) recebe neste sábado (7), das 14h às 18h, a Oficina de Dança dos Orixás, ministrada pela Cia MoonLight, que integra a programação do projeto “Xirê em Kossô”, do grupo de maracatu Baque de Obá Kossô. As inscrições são gratuitas, com indicação livre, e seguem abertas até as 20h de hoje, sexta-feira (6). 

A atividade integra o processo criativo de construção de um novo espetáculo do grupo, que pretende unir música e dança do maracatu com referências às figuras simbólicas presentes nas tradições de matriz africana.

Foto: divulgação

A oficina terá duração de quatro horas. Segundo a produtora Luiza Braga, do MARL, a proposta é aproximar o público do trabalho que está sendo desenvolvido e abrir caminho para novas participações no grupo. “A oficina faz parte do processo de construção do espetáculo em que vamos trabalhar tanto a montagem de músicas de maracatu quanto a incorporação de figuras que tradicionalmente aparecem na corte do maracatu. A ideia é fazer um referencial ligado às figuras dos orixás, que estão diretamente conectadas com o fundamento da cultura do maracatu”, explicou.

De acordo com a produtora, a atividade também funciona como uma porta de entrada para quem deseja se envolver com o corpo de dança do grupo. “O maracatu já é relativamente conhecido pela sua bateria, mas não tanto pelo seu corpo de dança. Então a oficina surge como uma oportunidade para as pessoas conhecerem esse trabalho e, futuramente, participarem do processo de construção do espetáculo”, afirmou.

A participação é aberta ao público de todas as idades, embora a recomendação seja para pessoas a partir dos 12 anos. Crianças também podem participar, desde que acompanhadas por responsáveis. “Nada impede a presença de crianças, elas são muito bem-vindas, assim como seus cuidadores; para nós, enquanto comunidade, é importante estar aberto à presença das famílias”, destacou.

Foto: divulgação

A proposta do espetáculo em desenvolvimento pelo grupo também busca valorizar a presença dos orixás dentro da história do maracatu. Segundo Braga, levar esse tema para a cena pública é uma forma de reafirmação cultural. A iniciativa também procura dar visibilidade a uma tradição que, historicamente, enfrentou muitos obstáculos, especialmente quando se trata de falar abertamente sobre os orixás em manifestações realizadas nas ruas.

A oficina será ministrada pela Cia MoonLight, grupo convidado pelo trabalho voltado às danças afro-diaspóricas. Segundo a produtora Luiza Braga, a escolha das professoras ocorreu pela trajetória de pesquisa e vivência das artistas dentro das culturas de matriz africana.

Uma das responsáveis pela condução da atividade é a professora Lena Silverman, integrante da companhia. Brasileira e norte-americana, ela conta que a relação com as danças afro-brasileiras começou ainda na infância, em meio a um ambiente artístico. “Cresci rodeada por pessoas da cultura; minha primeira memória com a dança afro-brasileira foi com minha tia, de Salvador, que levou esse conhecimento para os Estados Unidos; foi com ela que aprendi várias vertentes dessas danças”, relatou.

Foto: divulgação

Na oficina, os participantes terão uma introdução às danças relacionadas aos orixás e aos seus simbolismos. A aula será dividida em diferentes momentos, começando com aquecimento corporal e introdução aos ritmos de matriz africana. Em seguida, os participantes conhecerão aspectos simbólicos das danças de diferentes orixás, e experimentarão movimentos que representam esses elementos naturais. “O culto aos orixás está muito conectado aos elementos da natureza; cada orixá se relaciona com elementos como água, fogo, vento ou terra; na dança, buscamos expressar essas qualidades através do corpo”, contou Silverman.

A professora ainda destacou que a proposta da oficina também busca apresentar as danças dos orixás de forma respeitosa dentro do contexto do maracatu. “Essa oficina traz as danças dos orixás num contexto de rua, dentro do maracatu, que é uma manifestação que leva o terreiro, o sagrado, para a rua, o profano. A gente canta, dança e representa o sagrado afro de uma forma que não banaliza e desrespeita os fundamentos”, disse.

De acordo com Silverman, não é necessário ter experiência prévia para participar da atividade. A oficina é introdutória e aberta a pessoas de todos os níveis. A proposta é permitir que cada participante se conecte com o próprio corpo e tenha um primeiro contato com a tecnologia ancestral presente nas danças dos orixás.

“Xirê em Kossô” é um projeto realizado pelo grupo de maracatu Baque de Obá Kossô com recursos do Governo Federal, repassados pelo Ministério da Cultura por meio da Política Nacional Aldir Blanc de fomento à cultura (PNAB), em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura de Londrina

Texto: Laura Gonçalves, sob supervisão dos jornalistas do Núcleo de Comunicação (N.Com) da Prefeitura de Londrina

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