Curta londrinense estreia em um dos principais festivais de cinema do país
Produção londrinense integra a mostra Mirada Paranaense e terá exibições gratuitas em Curitiba, de 7 a 9 de junho
O curta-metragem Tornar-se Ciborgue no Interior, dirigido por Louisa Savignon, foi selecionado para a Mostra Mirada Paranaense do Festival Olhar de Cinema, um dos principais eventos dedicados ao cinema independente e autoral no Brasil. A estreia oficial será realizada no dia 7 de junho, na Cinemateca de Curitiba, localizada na Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1.174, no bairro São Francisco. Todas as sessões são gratuitas e abertas ao público.
Produzido com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura (SMC) de Londrina, o filme é uma coprodução da UABI Filmes, Metafixa Produções e Cinea Filmes. A obra marca sua primeira exibição pública dentro de um festival que reúne produções de diferentes regiões do país e destaca o cinema paranaense contemporâneo.

Ambientado no interior do Paraná, o curta acompanha Leo e Julia, um casal que vive em um sítio enquanto enfrenta dificuldades para ter um filho. A chegada de duas novas vizinhas, Ava e Mia, provoca mudanças na dinâmica entre os personagens e coloca em evidência questões ligadas à reprodução, à tecnologia e às diferentes formas de compreender o que é considerado natural.
A narrativa dialoga com reflexões propostas por pensadores como Donna Haraway e Paul B. Preciado sobre os impactos de tecnologias farmacológicas e tecnológicas na vida das pessoas. Enquanto alguns corpos vivenciam esses dispositivos como formas de controle, outros encontram neles possibilidades de sobrevivência, transformação e continuidade.
Essas discussões também orientaram as escolhas visuais do filme. Segundo a produtora cultural Camila Sampaio, responsável pela produção de objetos, contrarregragem e confecção de elementos de cena, a equipe precisou criar soluções para representar tecnologias e cenários que ainda não existem.
“Trabalhar com ficção científica, tecnologia e futurismo é sempre um desafio. Como grande parte das produções independentes, especialmente no interior, não dispõem de orçamentos proporcionais ao tamanho das ideias, isso exige criatividade, pesquisa e soluções inventivas o tempo todo”, explicou Sampaio.

A produtora destacou que a construção dos ambientes e objetos partiu do projeto da direção de arte, assinado por Arícia Machado, e foi resultado de um trabalho coletivo realizado por uma equipe reduzida. “A produção de objetos ajuda a construir a narrativa visual do filme, desde os elementos que compõem os ambientes até os objetos utilizados pelos personagens. Nosso trabalho foi transformar os conceitos da direção de arte em elementos concretos para a cena, sempre em diálogo com o roteiro”, contou.
Sampaio também fez questão de destacar o trabalho coletivo que sustentou a construção desse universo visual. Além de Arícia Machado na direção de arte, a equipe contou com Luana Zaia e Luiz Eduardo Pires na produção de arte e objetos, Kiara Damas como ajudante de arte, Priscila Germano no figurino, Daira Adelaide na maquiagem e caracterização e diversos outros profissionais que atuaram nos bastidores da produção. “Embora o público veja o resultado na tela, existe uma equipe inteira trabalhando para construir cada detalhe daquele universo”, ressaltou.
Entre os desafios da produção, um dos principais foi a criação da mão biônica utilizada pela personagem Ava. Desenvolvido especialmente para a atriz, o elemento precisava dialogar com a proposta estética concebida pela diretora e pela equipe de arte. “Foi, sem dúvida, o objeto mais desafiador da produção e acabou se tornando uma das imagens mais marcantes do filme”, contou a produtora.
Ao longo da trama, o filme menciona temas como masculinidade, reprodução e os imaginários construídos em torno da natureza. O protagonista demonstra resistência diante de determinadas tecnologias, ao mesmo tempo em que depende de outras para conduzir sua produção agrícola. Em contraste, personagens queer e dissidentes atravessam essas transformações com maior familiaridade e abertura.
Com elementos como um robô agrícola, performances musicais e aparições surreais, Tornar-se Ciborgue no Interior propõe uma reflexão sobre diferentes modos de existir no presente e no futuro, apontando para possíveis reinvenções das relações humanas e da própria masculinidade.
A mostra Mirada Paranaense reúne produções realizadas no estado e busca evidenciar a diversidade do audiovisual paranaense. Além da sessão de estreia, o curta terá uma exibição com debate no dia 7 de junho e uma terceira sessão no dia nove, dentro da programação do festival.
Para a produtora, a seleção representou um reconhecimento importante para o trabalho desenvolvido em Londrina. “O Olhar de Cinema é um dos festivais mais importantes do país e participar de uma seleção tão disputada representa um reconhecimento muito significativo para toda a equipe. Também é uma oportunidade de evidenciar a força da produção audiovisual realizada em Londrina e no interior do Paraná”, destacou.
Segundo Camila Sampaio, a conquista vai além do reconhecimento ao filme. “Essa seleção reconhece não apenas a obra, mas o esforço coletivo de todas as pessoas envolvidas em sua realização. As conquistas de uma produção ajudam a fortalecer todo o ecossistema audiovisual local e incentivam que mais filmes continuem sendo produzidos e valorizados na região.” concluiu.
Estreia do curta “Tornar-se Ciborgue no Interior”
Festival Olhar de Cinema – Mostra Mirada Paranaense
Sessões:
7 de junho (domingo), às 14h30 – com acessibilidade
7 de junho (domingo), às 16h – com debate
9 de junho (terça-feira), às 16h30
Local: Cinemateca de Curitiba Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1.174, São Francisco, Curitiba (PR)
Entrada gratuita
Texto: Laura Gonçalves, sob supervisão dos jornalistas do Núcleo de Comunicação (N.Com) da Prefeitura de Londrina




