Cidadão

Quati Criança! se despede de Londrina com gostinho de quero mais

Primeira edição do Festival das Infâncias reuniu famílias, artistas e educadores em diferentes espaços da cidade, consolidando uma proposta inédita de escuta, presença e encontro que coloca a criança no centro da reflexão e da ação artística

Foram nove dias intensos para os nossos quatizinhos e, ao mesmo tempo, um momento de celebração para a produção do Quati Criança! – Festival das Infâncias, que encerrou sua primeira edição neste domingo (22) com a sensação de que o projeto de fazer um festival com e para crianças continuará crescendo e reverberando por muito tempo. Produzido pela PÁ! Artística, por meio de projeto aprovado no Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura do Paraná (Profice), o festival tem apoio exclusivo da Copel – Pura Energia.

Ficará guardada na memória de quem viveu a programação gratuita e inclusiva de espetáculos, oficinas, vivências e bate-papos a qualidade estética, a diversidade de linguagens e a alegria nos rostos de crianças e adultos que ocuparam diferentes regiões de Londrina, inclusive espaços abertos e não convencionais, chegando até a Aldeia Apucaraninha, onde teve gigante aprendendo a falar o idioma Kaingang.

Segundo a diretora artística Carin Louro, a circulação de famílias, a participação ativa das crianças e o retorno caloroso do público deram ao festival uma atmosfera de leveza e presença que ultrapassou as expectativas da equipe. “A gente percebeu essa alegria e essa leveza se espalhando pelo festival.”

Foto: Fábio Alcover / divulgação

Desde a abertura, no sábado, 14 de março, o festival transformou o Parque Arthur Thomas, teatros, distritos e espaços culturais da cidade em territórios de imaginação, presença e descoberta. Ao longo da semana, o público acompanhou uma programação gratuita que reuniu grupos locais e companhias vindas do Amazonas, Ceará, Minas Gerais e São Paulo, em uma curadoria que articulou teatro, dança, teatro de animação, contação de histórias, intervenções e atividades formativas voltadas às infâncias.

Os pequenos puderam transpor os limites da plateia para participar ativamente de oficinas, vivências e montagens cênicas, reforçando um dos princípios centrais do projeto: o de compreender a infância como presença criadora, sensível e capaz de orientar novas formas de pensar as artes da cena.

O festival recebeu espetáculos que dialogaram com a memória, a cultura popular, a ancestralidade, a imaginação e a consciência ambiental, além de oficinas e vivências que ampliaram a experiência para além da plateia. Houve espaço para pernas-de-pau em distrito rural, contações de histórias ligadas às matrizes africanas, experiências com o corpo na primeira infância, bate-papos sobre o futuro das artes da cena para crianças e apresentações de forte potência poética e visual.

Num dos momentos mais divertidos, as crianças viraram Boitatá para capturar Matinta Pereira e ajudar o Bicho Alumbroso a descobrir quem ele é de verdade. Para Carin Louro, a palavra que define o que se viu ao longo da semana é “movimento”. “Tivemos o movimento das crianças com a gente, mas também dos adultos que trouxeram as crianças para estar nas atividades, nos espetáculos, nas vivências e nos bastidores.”

O festival ainda contou com a parceria institucional da Universidade Estadual de Londrina (UEL), por meio dos espaços do Cine Teatro Ouro Verde, a Divisão de Artes Cênicas – Casa de Cultura UEL e salas do Centro de Educação, Comunicação e Artes (CECA/UEL), professores curadores e estagiários do curso de Artes Cênicas nos bastidores da produção.

Foto: Valéria Felix / divulgação

Curadoria das infâncias – Desde sua concepção, o Quati Criança! foi pensado como um festival das infâncias e não apenas para elas. Ainda em 2025, crianças curadoras, de diferentes territórios de Londrina, participaram de uma oficina de curadoria e criaram um pequeno manifesto com pistas, desejos e provocações sobre o tipo de experiência que gostariam de viver no teatro.

Esse processo se tornou uma das bases conceituais da programação, que trouxe para vinhetas, cartazes, materiais gráficos e virtuais a sonora pergunta: “Cadê tu, quati?”, numa proposta de reflexão sobre o bichinho curioso, esperto e criativo que é o arquétipo da infância que persiste em nós. O conceito desta edição foi desenvolvido por Renato Forin Jr., coordenador de comunicação do evento. A frase, entoada em coro pelas crianças antes das apresentações, também se tornou título do livreto de poemas e atividades que foi distribuído gratuitamente para o público presente nas atrações deste fim de semana.

Carin ressalta que, embora o Quati Criança! nasça voltado às infâncias, seus efeitos se estendem a todos os envolvidos. “As crianças trazem essa alegria para a gente, mas o festival também provoca isso nos adultos, na equipe, nos artistas, em todas as pessoas que passam por ele”, diz. Para ela, a repercussão da primeira edição já aponta para um sentimento coletivo de pertencimento e continuidade.

“Tem um olhar e um sentimento de que é um festival que chegou para ficar e que trouxe uma coisa nova para a cidade”, destaca. A diretora também observa que a força da programação esteve justamente na combinação entre diversão e formação. “A gente tem os espetáculos, mas também as oficinas, os bate-papos, as vivências. Tudo isso foi se movimentando e crescendo junto.”

Ao olhar para tudo o que aconteceu nesta primeira edição, ela cita a abertura como um dos momentos mais simbólicos do festival. “Foi um momento de muitas emoções, porque houve a tensão em torno do clima chuvoso e da expectativa acumulada por anos de trabalho. Mas entendemos que a chuva também abençoa, limpa, cura, traz coisas boas. E quando o primeiro espetáculo começa, quando o público chega e as crianças estão ali, a gente sente tudo isso na pele”, recorda.

Para ela, o encerramento também se destaca pela reverberação de tudo o que foi vivido. “É um momento bonito de reunir todas essas emoções, que a gente ainda vai continuar maturando e sentindo por um tempo”, diz.

Já para Álvaro Canholi, que assina a direção de produção do festival, o momento mais emocionante foi a apresentação realizada no Palco Flutuante do Lago Igapó, que reuniu público espontâneo da cidade e jovens convidados de instituições como o ILECE e a APAE. Segundo ele, a cena resumiu bem os três eixos que estruturam o festival: educação, meio ambiente e cultura. “Foi uma experiência muito especial, porque ali estavam juntos a arte, a inclusão e a paisagem viva da cidade”, afirma. “A gente entende que é preciso incluir, preservar e elevar a cultura. Foi uma vibração muito especial”, completa.

Pensando no futuro, Carin reforça o desejo de aprofundar as experiências inauguradas nesta primeira edição, como ampliar a presença infantil nos bastidores e no processo curatorial, além de dar continuidade ao diálogo entre Londrina e outras cenas artísticas do país. “Isso foi muito importante para a diversidade estética, temática e de experiências que o festival ofereceu às crianças”, planeja.

Mais do que uma agenda cultural, o Quati Criança! se afirmou, nesta primeira edição, como um convite à experiência ao vivo, ao convívio e à presença compartilhada. Em um tempo marcado pelo excesso de telas e pelo consumo acelerado de conteúdos digitais, o festival apostou na arte como espaço de pausa, vínculo e construção coletiva.

“O que a gente quer é experiência real. Um festival como o Quati Criança! não pensa a criança isoladamente, mas na relação com a família, com o outro, com a cidade e com a natureza. Ele propõe o compartilhar, a companhia, o comungar. Acreditamos que ações assim são fundamentais para que a criança também se construa enquanto cidadã”, resume Álvaro Canholi. Quem deseja continuar recebendo atualizações sobre o evento e notícias das próximas edições deve seguir @quaticrianca nas redes sociais ou acessar o site www.quaticrianca.com.

Realização – O Quati Criança! é uma produção da PÁ! Artística, por meio de projeto aprovado no Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura do Paraná (PROFICE), da Secretaria de Estado da Cultura, Governo do Estado do Paraná, com apoio exclusivo da Copel – Pura Energia. Tem parceria com a Casa de Cultura da UEL, Divisão de Artes Cênicas da Casa de Cultura (DAC), Funcart, Secretaria de Estado da Educação, Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Secretaria Municipal de Cultura, Hub Cultural Porto Dragão, Secretaria da Cultura do Ceará, Instituto Dragão do Mar, Sanepar, Transportes Coletivos Grande Londrina, Curso de Artes Cênicas da UEL, Sesc Londrina Cadeião, Sesc Londrina Norte, Hotel Crystal, John O’Groats, Loja Ciranda, Restaurante Caco, Londrina Grill, Brah! Poke and Salad, Kings Café, Sabor & Ar, Royal Plaza Shopping e ILECE.

Texto: Assessoria de Imprensa do Festival

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