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Com formato inédito, Prefeitura recolhe 51 carroças e finaliza programa que auxilia trabalhadores

Após a entrega voluntária dos equipamentos, ex-carroceiros recebem indenização, renda de transição e capacitação profissional

A Prefeitura de Londrina, CMTU e Sema realizaram nesta quarta-feira (8) o recolhimento de 51 carroças entregues voluntariamente pelos trabalhadores. Os equipamentos foram recolhidos na sede da Secretaria do Ambiente, no Parque Municipal Arthur Thomas.

foto: Emerson Dias / NCom

Esta é a segunda e última etapa do projeto, de formato inédito no Brasil, instituído pela Prefeitura de Londrina, que ampara e traz novas perspectivas aos trabalhadores baseada na lei municipal (13.961/2025) de Política Ambiental de Proteção aos Animais de Tração (cavalos) e de Atenção aos Trabalhadores que utilizam veículos de tração animal. A legislação municipal é um exemplo que cuida dos animais, respeita a lei e prepara os ex-carroceiros para a inserção no mercado de trabalho.

Os benefícios oferecidos aos trabalhadores cadastrados são indenização de R$ 1.000,00 pela entrega da carroça; renda de transição com pagamento de um salário mínimo (R$ 1.621,00) por seis meses e auxílio financeiro de até R$ 10 mil para mudança de atividade. O investimento total do programa é estimado em R$ 1.058.000,00 com recursos do Fundo Municipal do Meio Ambiente.

foto: Emerson Dias / NCom

O prefeito Tiago Amaral citou o pioneirismo na solução encontrada pela cidade e também a importância de se olhar para as pessoas que estavam envolvidas em um problema que se arrastava há décadas.

“Em vez de abraçar uma bandeira política, optamos por buscar uma solução para um grave problema social, porque por trás de cada carroça tinha um pai e uma mãe de família buscando o sustento. Por isso, pensamos em uma iniciativa, que é única no Brasil, que foi construída ouvindo a necessidade deles e que oferece os caminhos para que eles encontrem outras alternativas e atividades de trabalho. E hoje já temos muitos deles, que aproveitaram estas novas opções, o que demonstra claramente que quando você abraça as pessoas, os resultados aparecem”, destacou o prefeito.

A lei também prevê a recapacitação profissional dos trabalhadores, através dos programas da Secretaria Municipal do Trabalho, Emprego e Renda (SMTER), que implementou um modelo de requalificação com o intuito de incluir, no mercado de trabalho, as pessoas que atuavam como carroceiros.

Secretário municipal do Trabalho, Cesar Makiolke / foto: Emerson Dias / NCom

“Oferecemos um treinamento prático, simples, curto e direto, de quatro horas, certificado pela Escola de Governo da Prefeitura, que vale para todo o território nacional, como referência que estão qualificados. E depois ainda conectamos com o Sebrae para a elaboração de um plano de negócio personalizado”, afirmou o secretário municipal do Trabalho, Cesar Makiolke.

No ano passado, 26 carroceiros foram beneficiados pelo programa. A conclusão da capacitação profissional aconteceu no mês de dezembro e os trabalhadores tiveram cursos de consumo consciente e sustentabilidade, modelos de negócios, custos e despesas, receitas e formalizações, entre outros.

Hélio Roque, 66 anos, morador do Alto da Boa Vista / foto: Emerson Dias / NCom

Hélio Roque, 66 anos, morador do Alto da Boa Vista, na zona norte de Londrina, foi um dos beneficiados na primeira etapa do programa. Após cumprir todas as exigências, utilizou os recursos para comprar um veículo e legalizar a atividade de pequenos fretes. “Utilizei a carroça por 20 anos e com o dinheiro consegui comprar um carro. Além dos fretes, faço jardinagem também. Agora ficou bem melhor, não tomo mais chuva, sol. Não tenho do que reclamar”, comemorou.

Já Silvino Junior dos Santos, 40 anos, resolveu mudar de atividade, principalmente a partir dos cursos de qualificação profissional que participou. “Decidi parar de trabalhar na cidade e fazer tudo na chácara. Recebi todos os parcelamentos certinho e os R$ 10 mil no final eu comprei duas vacas leiteiras e galinhas. Hoje produzo e vendo leite, queijo e ovo caipira. O programa foi muito positivo porque não nos deixou desamparado”, ressaltou o morador da Usina Três Bocas, na zona sul de Londrina.

Presidente da CMTU, Renan Salvador / foto: Emerson Dias / NCom

O presidente da CMTU, Renan Salvador, lembrou que em 2018 foi realizado um censo no município que apontou a existência de 80 carroças na cidade. “Com as 26 recolhidas no ano passado e com mais estas 51, chegamos a 77 e podemos afirmar que conseguimos recolher todas as carroças e que não existirá mais veículo com tração animal circulando em Londrina, já que a diferença destas três são carroceiros já falecidos ou que não praticavam mais a atividade”.

O secretário municipal do Ambiente, Gilmar Domingues, comemorou a ação no Parque Arthur Thomas. “É um dia festivo e histórico para Londrina. A administração do prefeito Tiago Amaral conseguiu resolver um problema de anos, com respeito aos animais e dignidade aos trabalhadores. Como marco do fim dos veículos de tração animal em Londrina, vamos deixar uma dessas carroças na sede da Sema para ficar para a história”, afirmou.

Secretário municipal do Ambiente, Gilmar Domingues / foto: Emerson Dias / NCom

Todo este processo representa a regulamentação definitiva da proibição do uso de tração animal em áreas urbanas — medida já prevista desde 2011 em versões anteriores do Código de Posturas e consolidada na legislação atual (Lei Municipal nº 10.303/2024).

Apoio – O programa de apoio da Prefeitura de Londrina aos carroceiros conta com a participação direta da Secretaria Municipal de Assistência Social, SMTER, Sema e da CMTU, por meio do núcleo de Bem-Estar Animal.

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