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Após reabertura, Museu de Arte de Londrina realiza primeiro sábado livre ao público

Espaço retoma atividades e convida para visitação especial neste fim de semana; primeiras atrações são a mostra “Cidade Londrina” e a chegada do MUPA

Após reabrir as portas na noite do dia 1º de abril, o Museu de Arte de Londrina inicia uma nova etapa de funcionamento com a realização do primeiro sábado (11) com acesso liberado ao público. A visitação será realizada das 9h às 13h, marcando o reencontro da população com o espaço cultural instalado no prédio da antiga rodoviária, na região central da cidade, localizado na Rua Sergipe, 640.

O evento de reabertura contou com a presença de artistas que integram a história do museu, como Yoshiya Nakagawara, Dolores Branco e Agenor Evangelista, reforçando o caráter simbólico desse retorno e a relação direta entre o acervo e a produção artística local desde os primeiros anos da instituição.

A nova fase do museu é inaugurada com duas exposições principais. Uma delas é “A Riqueza de um patrimônio em movimento: Por dentro da vida e da coleção Vladimir Kozák”, organizada pelo Museu Paranaense (MUPA). A mostra apresenta ao público a trajetória de Vladimir Kozák, nascido em 1897 na antiga Tchecoslováquia e falecido em 1979, cuja obra possui forte conexão com a história do norte do Paraná.

Foto: Emerson Dias / N.Com

Cineasta, fotógrafo e etnógrafo, Kozák desenvolveu pesquisas independentes no Brasil ao longo de décadas, com registros que atravessam diferentes territórios, incluindo regiões que hoje compõem Londrina. Seus trabalhos documentaram povos indígenas como os Kaingang e, especialmente, os Xetá, grupo que habitava áreas do norte do estado e teve sua população drasticamente reduzida com o avanço da colonização ao longo do século XX.

Entre as décadas de 1930 e 1960, Kozák produziu filmes, fotografias e anotações que hoje são considerados algumas das principais fontes sobre o modo de vida, os rituais e o cotidiano desses povos. No caso dos Xetá, seu acervo é uma das bases documentais mais importantes existentes, contribuindo para a preservação da memória indígena e para a compreensão da formação social e cultural da região de Londrina.

Kozák reuniu um material de grande relevância para áreas como a antropologia e a história. Atualmente, seu legado segue sendo fundamental para pesquisadores, instituições e para o público em geral, ao possibilitar reflexões sobre os impactos da ocupação territorial no Paraná.

Foto: Emerson Dias / N.Com

A exposição também marca a implantação do MUPA Londrina, primeiro museu satélite do Estado. Instalado no piso superior do Museu de Arte, o espaço integra uma política de descentralização cultural promovida pela Secretaria de Estado da Cultura, que prevê a criação de unidades em diferentes regiões do Paraná.

Considerado o terceiro museu público mais antigo do Brasil, o Museu Paranaense (MUPA) passa a ter presença permanente no interior, ampliando o acesso da população aos acervos estaduais. A proposta dos museus-satélites é justamente permitir a circulação de coleções, narrativas e experiências museológicas para além da capital, fortalecendo o papel dos territórios como produtores de cultura.

De acordo com o coordenador do Sistema Estadual de Museus, Cauê Donato, a iniciativa representa uma mudança importante na lógica das políticas culturais. “A gente passa a olhar para o interior não apenas como um lugar de recepção, mas como um espaço de produção cultural ativa, que dialoga diretamente com esses acervos”, afirmou. Segundo ele, a articulação entre o acervo estadual e a estrutura local também permite a realização de exposições com critérios técnicos, ações educativas e renovação periódica dos conteúdos.

Foto: Emerson Dias / N.Com

Cidade Londrina – No piso principal, a exposição “Cidade Londrina” celebra os 33 anos do museu e permanece em cartaz até o dia 3 de junho. A mostra reúne obras do acervo formadas entre 1993 e 1998, período inicial de funcionamento da instituição, propondo um recorte que evidencia a construção da identidade artística local.

Com trabalhos de artistas como Letícia Marquez, Fernanda Magalhães, Bira Senatore, José Luis Néia Martini e Silvia Lúcia Mascaro, além de nomes como Fernando Bastos, Paulo Menten, Yoshiya Nakagawara, Dolores Branco, Agenor Evangelista, Lúcia Nolasco, Tita Stremlow, Jefferson Cesar e Carmem Flora, a exposição estabelece diálogos entre memória e produção artística.

Segundo a gestora cultural do Museu, Maria Luisa Fontenelle, o recorte escolhido ajuda a contar a própria história do museu a partir de artistas que participaram de sua fundação. “Muitas dessas obras foram doadas nesse período inicial, então elas carregam não só um valor artístico, mas também um valor simbólico muito forte para o museu”, destacou.

Ela ressaltou ainda que a proposta é aproximar o público desse acervo. “A ideia é que as pessoas, especialmente as novas gerações, possam conhecer esses artistas e entender como essa produção ajudou a construir a identidade cultural de Londrina”, explicou. A vivência, segundo ela, vai além das obras e envolve também a arquitetura do prédio, marcada pela transparência, pela entrada de luz natural e pela integração entre interior e exterior.

Foto: Emerson Dias / N.Com

Museu educativo – Com a reabertura, o museu também amplia sua atuação educativa. O Museu Educativo passa a funcionar dentro do próprio espaço, com uma programação contínua que inclui visitas mediadas, oficinas, cursos, contações de histórias e atividades de arte-educação.

Entre as ações previstas estão apresentações com os contadores Danilo Lagoeiro e Alexandre Oguido, além de atividades voltadas a escolas e grupos organizados. A agenda já está aberta para agendamentos por meio de formulário, consolidando o museu como espaço de formação, mediação cultural e aproximação com o público.

O funcionamento regular ocorre de terça a sexta-feira, das 11h às 17h, além dos primeiros e segundos sábados do mês, sempre após o quinto dia útil, das 9h às 13h. Para mais informações ou dúvidas, entrar em contato pelo número (43) 3337-6238.

Texto: Laura Gonçalves, sob supervisão dos jornalistas do Núcleo de Comunicação (N.Com) da Prefeitura de Londrina

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