Faltas nos atendimentos do CadÚnico chegam a 25% e impactam assistência em Londrina
Cerca de 12% das famílias inseridas no cadastro precisam atualizar informações e podem ter benefícios cancelados
Um levantamento da Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) apontou que, em Londrina, cerca de 25% das famílias que agendam atendimento para o Cadastro Único (CadÚnico) não comparecem aos horários marcados nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS). Entre janeiro e fevereiro de 2026, por exemplo, 1.317 famílias agendaram o atendimento, mas não compareceram.
Atualmente, são disponibilizados 5,2 mil horários por mês para atendimentos do CadÚnico, distribuídos entre as dez unidades de CRAS do município. O alto índice de faltas impacta diretamente o acesso ao serviço, dificultando o agendamento para outras famílias que precisam de atendimento com urgência.
Estão inscritas em Londrina, no Cadastro Único operado pela Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS), 73 mil famílias. Destas, cerca de 64 mil estão com o cadastro atualizado – ou seja, aproximadamente 12% estão com dados desatualizados.
Do total de famílias cadastradas, aproximadamente 26 mil são beneficiárias do Programa Bolsa Família, o que representa um repasse mensal de cerca de R$ 17 milhões no município. A ausência nos atendimentos pode prejudicar a própria família, que corre o risco de ter o benefício bloqueado ou até cancelado por falta de atualização obrigatória.
A coordenadora do Cadastro Único em Londrina, Nara Alves, explicou que a Secretaria de Assistência Social e o Centro Esperança Por Amor Social (Cepas), instituição parceira responsável pelas entrevistas para o Cadastro Único, fazem a busca ativa desse público. “É difícil confirmar o atendimento de muitas famílias, por não conseguimos contato via telefone ou mensagem por aplicativo. E, mesmo confirmando, uma em cada quatro não comparece. Isso significa prejuízo para as famílias e para a própria administração”, ressaltou.

Os motivos para a dificuldade em contactar as famílias incluem desatualização nas informações de contato (quando as pessoas trocam o número de telefone e deixam de comunicar ao CRAS), esquecimento do compromisso ou mesmo receio do contato recebido ser golpe.
Manter os cadastros atualizados é um desafio para as equipes da Assistência Social. Até julho de 2027, 10 mil famílias vão completar dois anos sem a atualização do Cadastro Único e precisam realizar o procedimento, que é requisito essencial para serem mantidas nos programas sociais.
Além do Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC), que são federais, outros benefícios (estadual ou municipal) também exigem Cadastro Único atualizado para concessão ou manutenção do valor repassado, a exemplo do Programa Municipal de Transferência de Renda (PMTR) e Benefício Eventual Emergencial (BEE) que exigem Cadastro Único em dia tanto para moradores da zona urbana quanto rural.
Muito além de um formulário, os dados cadastrais são utilizados também para desenvolvimento de políticas públicas adequadas, a partir do mapeamento das necessidades da população de baixa renda e acompanhamento da melhoria de vida dessas famílias. E podem ser aplicados ainda por outros programas e serviços como: Minha Casa, Minha Vida; isenção de inscrição em concurso público; Pé-de-Meia; Carteira da Pessoa Idosa; tarifa social de água e esgoto; ID jovem entre outros.
As entrevistas para Cadastro Único podem ser agendadas pelo portal da Prefeitura de Londrina ou diretamente nas unidades CRAS.
Famílias unipessoais exigem atualização por visita domiciliar
De acordo com as regras do Cadastro Único, nem todas as famílias podem realizar a entrevista diretamente no CRAS. No caso das famílias unipessoais (pessoas que moram sozinhas e recebem ou se enquadram nos critérios para benefícios federais) a inclusão ou atualização dos dados deve ser feita exclusivamente por meio de entrevista domiciliar.
Em Londrina, há cerca de 24 mil famílias unipessoais registradas no Cadastro Único, sendo que aproximadamente 24% estão classificadas como de baixa renda. O serviço de visitas domiciliares é realizado, atualmente, em parceria com o Cepas – Centro Esperança por Amor Social. Os cadastradores entram em contato com as famílias por telefone ou mensagem e, após a confirmação, se deslocam até a residência para efetuar o atendimento.
A coordenadora do Cadastro Único, Nara Alves, acrescentou que um dos principais desafios tem sido justamente a confirmação dessas visitas. “A nossa orientação é que as famílias mantenham o telefone sempre atualizado no CRAS e fiquem atentas aos contatos. Isso é muito importante para que as exigências sejam cumpridas e o acesso a benefícios possa ser garantido”, destacou.




